quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Revolta em SP-Alckmin sugere aumento para procuradores e despreza funcionalismo do estado

O governo Geraldo Alckmin (PSDB) mandou uma bomba para os deputados desarmarem na Assembleia. Assim alguns parlamentares da base do tucano traduzem o projeto de lei, encaminhado pelo Palácio dos Bandeirantes há uma semana, que prevê incremento nos vencimentos dos procuradores do Estado, que são os defensores do governo em ações judiciais. Registrada em 8 de novembro, a proposta quer aumentar a gratificação especial (num custo anual de R$ 3 milhões) e readequar a remuneração de 113 procuradores –o impacto seria de R$ 1,5 milhão por ano, a partir de 2018. O reflexo orçamentário é pequeno.
No entanto, pegou mal: o funcionalismo tem sido o principal ponto de tensão do Executivo paulista com o Legislativo neste ano. De um lado, o governo quer aprovar projetos que estipula um teto de gastos –incluindo a folha de pagamento– a fim de adequar São Paulo ao refinanciamento da dívida com a União. De outro, categorias como professores universitários e agentes fiscais têm pressionado o governo a conceder reajustes, represados neste governo Alckmin.
Também pedem que o presidente da Assembleia, Cauê Macris (PSDB), coloque em votação uma proposta de emenda constitucional que iguala o teto salarial paulista (hoje, os R$ 21 mil do governador) ao do Judiciário, em torno de R$ 30 mil. Nas palavras do aliado do governo Coronel Camilo (PSD), em discurso endereçado ao governador na tribuna: "Isso é brincadeira, o que está acontecendo no Estado de São Paulo? E o enfermeiro, o policial e o professor? Cadê o seu projeto de reajuste nesse sentido?". Camilo criticou o fato de a categoria ter uma "média muito grande" remuneratória, comparando a outros funcionários públicos.
Em agosto, a remuneração média foi de R$ 21,8 mil. Minutos depois do colega de farda, o coronel Telhada anunciou que deixaria o PSDB. Antes, expressou "indignação" com o governador, pois "ao mesmo tempo em que vem um projeto criminoso querendo congelar reajuste, chega de repente um projeto pedindo aumento para uma classe privilegiada do funcionalismo público". Mesmo deputados que integram a articulação do Legislativo com o palácio veem insensibilidade do governo com o clima na Assembleia ao encaminhar esse projeto –são frequentes as discussões durante as sessões, com discursos sobre a emenda que aumenta o teto inflamados por uma plateia de agentes fiscais que pressionam pela votação da emenda.
Além disso, esses parlamentares veem no aumento da gratificação aos procuradores uma contradição ao projeto do teto de gastos igualmente encaminhado pelo governador. Some-se ao quadro o mau humor generalizado pela falta de pagamento das emendas parlamentares prometidas pelo Bandeirantes. Os procuradores também não recebem reajuste desde 2015. A Procuradoria-Geral do Estado afirma que o projeto não promove "qualquer mudança na estrutura remuneratória dos procuradores do Estado", limitando-se a "ajustes orgânicos". As gratificações, segundo o órgão, são concedidas "de forma pontual", a procuradores "em condições de especial dificuldade decorrente da localização ou da natureza do serviço". O Bandeirantes afirmou que a Procuradoria se manifestaria sobre o caso.

REVOLTA GERAL NO FUNCIONALISMO 
O Tribunal de Justiça de São Paulo negou, nesta quarta (25), um pedido de liminar do deputado estadual Campos Machado (PTB), que pedia que o presidente da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) colocasse em votação um projeto que prevê o aumento do teto de servidores estaduais. Polêmica na casa, a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) nº 5 eleva o teto do funcionalismo público do Executivo e Legislativo estadual de R$ 21 mil, salário de Alckmin, para R$ 30 mil, remuneração de um desembargador. Aliado de Alckmin, Machado afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que irá recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal). "Com todo o respeito ao Poder Judiciário, mas a decisão não foi democrática. Foi, sim, tímida e receosa", afirmou. 
A matéria foi aprovada pela CCJ e conta com o apoio de lideranças de 20 dos 21 partidos na Casa —menos o do PSDB. Como é uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição), não precisaria passar por sanção do governador. Apesar da pressão de deputados e de agentes fiscais, que semanalmente participam de sessões na Assembleia, o presidente da Casa, Cauê Macris (PSDB), diz que não irá colocar a proposta na pauta. Ele afirma que não comentará a decisão. Segundo a assessoria de imprensa do Legislativo, Macris não coloca o texto em pauta porque faltam recursos ao Estado. O impacto nos cofres paulistas seria gradativo em quatro anos. No primeiro ano, seria de R$ 13,4 milhões até chegar a um custo de R$ 909,6 milhões no quarto ano. Segundo a Secretaria da Fazenda, o aumento faria o Estado ultrapassar o limite prudencial de despesas com pessoal, o que vedaria a criação de cargos e reajustes a servidores.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Cinema traz nova versão-'Dona Flor e seus dois maridos' de 2017 valoriza protagonista e pega leve na polêmica

Em 1976, o primeiro filme inspirado em "Dona Flor e seus dois maridos" vendeu 10,7 milhões de ingressos. Nos 34 anos que se seguiram, permaneceu como líder de bilheteria na história do cinema brasileiro, até o lançamento de "Tropa de elite 2" (2010). Com estreia marcada para 23 de novembro, a segunda adaptação do livro de Jorge Amado, estrelada por Juliana Paes e dirigida por Pedro Vasconcelos, não deve causar tanto impacto.
Na nova versão, mais próxima da montagem teatral de 2008 do que do longa de 76, a história perde muito de sua safadeza e potencial para causar reboliço. Por outro lado, constrói uma dona Flor com mais nuances, bem trabalhada por Juliana - melhor escolha para um papel que foi de Sonia Braga. O resultado colocou, no centro da trama ambientada nos anos 40, uma discussão que rende até hoje: a tensão entre desejo e moralidade e o olhar da sociedade sobre as mulheres. A história é uma das mais conhecidas do imaginário brasileiro. Vadinho (Marcelo Faria), o primeiro marido malandro e depravado, morre em uma farra de Carnaval logo no começo.
Flor se casa novamente com o metódico farmacêutico Teodoro (Leandro Hassum). Gosta dele, mas sente tanta saudade do fogo do ex que ele acaba voltando para lhe importunar. O filme dá mais espaço ao conflito da protagonista, dividida entre um marido perfeito, mas um tanto sem graça, e outro nada respeitoso, mas que lhe satisfaz na cama. Em 76, as cenas de convivência com os dois maridos ficaram para os 30 minutos finais. É com Vadinho que o novo longa pega mais leve. As falhas de caráter do personagem são suavizadas para criar empatia no público e realçar o romantismo da relação com Flor. Viciado em jogo, mulherengo e violento com a mulher, ele ganha na pele de Faria uma doçura que não tinha na interpretação de José Wilker (1944-2014). Já Teodoro é transformado numa caricatura simplória, não exatamente por culpa de Hassum, bem mais contido do que na maioria de suas comédias. Recursos da direção não permitem que ele vá além de um humor sem nenhuma sutileza. Fiel à trama central de "Dona Flor", o longa de Vasconcelos deixa de lado o retrato nostálgico do cotidiano da Salvador dos anos 40, tão precioso na obra de Jorge Amado. Ainda assim, é uma tradução honesta - e bonita - da história. Cumprirá bem o papel de não deixá-la se perder para as novas gerações.

Nova série-Crossover de Arrow, The Flash, Supergirl e Legends of Tomorrow ganha sinopse

A contagem regressiva para "Crisis on Earth-X" já começou! A CW divulgou a sinopse oficial do crossover de Arrow, The Flash, Supergirl e Legends of Tomorrow, confirmando as primeiras informações divulgadas.
Porém, o texto também traz algumas novidades bem interessantes: "O casamento de Barry (Grant Gustin) e Iris (Candice Patton) reúne a galera, porém as coisas vão mal quando os vilões da Terra-X atacam a cerimônia. Todos os super-heróis se unem e contam com a ajuda dos super amigos como Cidadão Frio (Wentworth Miller), The Ray (Russell Tovey), Felicity Smoak (Emily Bett Rickards), Iris West e Alex Danvers (Chyler Leigh) para enfrentar seus inimigos mais formidáveis até agora. Os heróis mais poderosos da Terra - Arqueiro Verde (Stephen Amell), Supergirl (Melissa Benoist), The Flash e Canário Branco (Caity Lotz) - lideram suas equipes numa batalha para salvar o mundo." O que chama atenção é que Wentworth Miller não vai reprisar seu papel já conhecido, mas trará uma versão diferente de Leonard Snart. Provavelmente, ele veio da mesma terra alternativa de The Ray - onde a Alemanha venceu a Segunda Guerra Mundial. Ao mesmo tempo, é curioso ver os nomes de Felicity, Iris e Alex destacados nessa segunda lista de personagens. Ou seja, é possível esperar que o trio terá grande importância nesse arco. "Crisis on Earth-X" acontece nos dias 27 e 28 de novembro nos Estados Unidos. Aqui, as quatro séries são exibidas pelo canal Warner. Veja abaixo o primeiro (e muito curto!) teaser do crossover:

Série de TV do Senhor dos Anéis pela Amazon, pode ser uma das produções mais caras na história da TV

A Amazon anunciou na tarde de ontem, que adquiriu os direitos para produzir uma série de TV, baseada na obra do autor J.R.R. Tolkien, O Senhor dos Anéis. O projeto estava sendo negociado nos bastidores de Hollywood com os principais canais e serviços de streaming. Segundo informações da imprensa americana, tanto a HBO como a Netflix, estavam no páreo, mas no final das contas foi a Amazon que fechou o acordo.
Porém, para a Amazon poder fechar esse contrato com a Tolkien Estate and Trust, que possui os direitos da obra, uma cifra milionária precisou entrar em jogo. Estima-se que o valor dessa licença para transformar O Senhor dos Anéis em série, tenha custado por volta de U$ 250 milhões, valor que não inclui a produção da série, que por sua vez deve custar por volta de U$ 150 milhões, por temporada. “O Senhor dos Anéis é um fenômeno cultural que capturou a imaginação de uma geração de fãs, através da literatura e do cinema. Nos sentimos honrados em trabalhar com a Tolkien Estate and Trust e a New Line nessa empolgante parceria para a televisão”. Disse Sharon Tal Yguado, da Amazon, em declaração oficial. A nível de comparação, séries como Game of Thrones e The Crown, duas das produções mais caras da atualidade, custam por volta de U$ 10 milhões por episódio, cada, chegando facilmente aos U$ 100 milhões no final de uma temporada com 10 episódios. Caso a temporada inaugural de O Senhor dos Anéis custe U$ 400 milhões (licença + produção), estará muito próxima do filme mais caro da história, Avatar, que teve um orçamento de produção de U$ 425 milhões. Além disso, a Amazon se comprometeu em produzir múltiplas temporadas e spin-offs, fazendo do acordo um dos mais caros da história da TV. A trama da série pretende contar histórias que se passem antes dos acontecimentos mostrados no filme A Sociedade do Anel, ou seja, não será um reboot da trilogia cinematográfica e sim uma abordagem ao vasto e inexplorado universo criado por Tolkien, nunca mostrados antes.

TV DIGITAL EM CAMPINAS-Muitas cidades da região podem perder sinal de emissoras

O desligamento do sinal analógico de tv na região de Campinas-SP ocorrerá daqui a 14 dias no próximo dia 29 de novembro.
Esse desligamento já foi adiado pela Anatel a pedido das emissoras e,mesmo assim,parece que várias delas não vão conseguir implantar o sinal em alta definição. Dentre as tvs que estão nessa situação aparecem a BAND CAMPINAS com problemas de atraso,a TV Canção Nova com recursos precários,a Rede Século 21 com problemas financeiros,demissão em massa e cortes da grade de programação e a TV Gazeta com atraso geral. Questionadas essas tvs não prometeram agilidade na implantação.

Bibi Ferreira lança 'Histórias e canções' em CD e em DVD gravados ao vivo em Minas

Ainda em turnê com o espetáculo em que aborda o repertório do cantor norte-americano Frank Sinatra (1915 - 1998), Bibi Ferreira lança em breve CD e DVD com o registro ao vivo do show comemorativo dos 90 anos da artista carioca.

Derivado do espetáculo Bibi in concert IV (2011), o show Bibi - Histórias e canções estreou em 2012 e foi gravado ao vivo em março de 2013, em apresentação no Palácio das Artes, em Belo Horizonte (MG). Até então inédita no mercado fonográfico, a gravação ao vivo do show sinfônico vai ser lançada pela gravadora Biscoito Fino neste segundo semestre de 2016. No espetáculo, acompanhada por orquestra, Bibi dá voz a músicas de Chico Buarque, temas de musicais norte-americanos, tangos do repertório de Carlos Gardel (1890-1935), sucessos da cantora francesa Edith Piaf (1915-1963) e sambas-canção da era de ouro do rádio brasileiro, além de contar histórias.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Aos 95 anos, Bibi Ferreira dá o máximo em show em que passeia por toda a vida

Já perto do fim do show retrospectivo Por toda a minha vida – La dernière tournée, estreado por Bibi Ferreira na cidade natal do Rio de Janeiro (RJ) na noite de ontem, 11 de novembro de 2017, um texto dito pelo mestre de cerimônias do espetáculo, Nilson Raman, enfatizou o apego da atriz e cantora carioca ao palco.

No palco, prega o texto, Bibi se sente inatingível e dá à plateia o máximo do talento ímpar. De fato, para o público que foi ao Teatro Oi Casa Grande ver a estreia nacional deste que está sendo anunciado como o último show da intérprete de atuais 95 anos, Bibi deu o máximo. Mesmo externando o desconforto no palco em que apareceu sentada em cadeira posicionada à frente da orquestra regida pelo maestro Flavio Mendes, por conta de frio ("Tem uma ventania no palco. Cantar com frio não dá"), Bibi deu show, fazendo o melhor que podia. E, quando se trata de uma das intérpretes mais talentosas e versáteis do mundo, a medida do talento, das possibilidades e da entrega é sempre superlativa e mesmo inalcançável. Com título extraído de verso de Eu sei que vou te amar (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1959), última música do roteiro, cantada antes do bis com sucessos do repertório da cantora francesa Edith Piaf (1915 – 1963), o show Por toda a minha vida faz passeio no tempo pela vida e obra de uma intérprete que transitou pelos palcos, pelos sets de cinema, pelos estúdios de TV e pelo mundo do disco com rigor exemplar. Textos biográficos lidos por Nilson Raman são pretextos para diálogos do diretor musical e arranjador desse show de atmosfera clássica, Flavio Mendes, com Bibi. Ao conversar com a intérprete, Mendes puxa pela memória da artista. E, pelo fio da memória e pelo fio da voz inigualável que resta, Bibi acionou correntes de emoção na estreia quando cantou refinados sambas-canção como Foi a noite (Antonio Carlos Jobim e Newton Mendonça, 1956) e Nossos momentos (Haroldo Barbosa e Luís Reis, 1960), este apresentado no roteiro em medley com Meiga presença (Otávio de Moraes e Paulo Valdez, 1966) para rememorar o fato de Bibi ter dirigido em 1971 um bem-sucedido show da cantora Elizeth Cardoso (1920 – 1990). "Elizeth era uma grande senhora. Essa é que a verdade", ressaltou Bibi, no número.
Além de cantar, Bibi conta detalhes dos encontros artísticos que teve ao longo da carreira iniciada de forma profissional em novembro de 1928. E, quando Bibi canta, vê-se muitas vezes no show a precisão da intérprete. Apelo (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1966), por exemplo, foi feito na estreia nacional do show com a emoção exata. Bibi expôs todo o sentimento contido na letra sem resvalar no (melo)drama. Mas soube ser dramática quando isso lhe foi exigido. A récita de trecho de texto do segundo ato da peça Gota d'água (1975), marco na carreira teatral da atriz, provocou arrepios e aplausos entusiásticos na plateia, tanto pela força da intérprete, quanto pelo apelo de músicas de Chico Buarque como Basta um dia (1975) e Gota d'água (1975). Quase 40 anos antes de fazer história no teatro brasileiro na pele de Joana, protagonista da tragédia de Chico Buarque e Paulo Pontes (1940 – 1976), Bibi estreou no cinema nacional no filme Cidade mulher (1936). Da trilha sonora desse filme, Bibi rememorou Na Bahia (Noel Rosa e José Maria de Abreu), samba pouco conhecido que somente em 1983 ganhou o primeiro registro fonográfico.
Sim, Bibi também é do samba. Mesmo tendo se atrapalhado com a cadência de Palpite infeliz (Noel Rosa e Vadico, 1934), ninguém duvidou da versatilidade e do apurado senso rítmico dessa intérprete que, no roteiro eclético do show Por toda minha vida, canta em alemão (Weigenlied: guten abend, gute nacht, Johannes Brahms, 1968), em espanhol (La verbena de la Paloma, opereta de Tomás Bretón e Ricardo de la Vega, 1894) e até em russo (Oche chornyje, tema do folclore russo), além do francês de Piaf, do português do compositor baiano Dorival Caymmi (1914 – 2008) – celebrado com medley que entrelaça O vento (1953) com A lenda do Abaeté (1948) e que sucede história saborosa sobre a cidadania baiana de Bibi – e do inglês, idioma dominante no teatro musical, gênero do qual Bibi é uma das pioneiras no teatro brasileiro. Em inglês, Bibi canta Oh, you nasty man (Scandals) (Rat Henderson, Irving Ceasar e Jack Yellen, 1934), O Homem de la Mancha (Man of the la Mancha) (Joe Darion e Mitch Leigh, 1965, em versão de Chico Buarque e Ruy Guerra, 1972), Alô, Dolly! (Hello, Dolly!) (Jerry Herman, 1964, em versão de Haroldo Barbosa e Victor Berbara, 1965) e Eu dançava assim (I could have danced all night) (Alan Jay Lerner e Frederick Loewe, 1956, em versão de Victor Berbara, 1963).
Enfim, são velhas canções e velhas histórias que, reunidas no roteiro do show Por toda a minha vida, dão ideia da grandiosidade do talento e da carreira de Bibi Ferreira. Aos 95 anos, Bibi Ferreira ainda é o espetáculo quando, inatingível na glória, pisa no palco sagrado. (Cotação: * * * *) (Créditos das imagens: Bibi Ferreira na estreia do show Por toda a minha vida – La derniér tournée, em 11 de novembro de 2017, no Teatro Oi Casa Grande na cidade do Rio de Janeiro)

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Morre atriz Márcia Cabrita aos 53 anos, vítima de câncer

Márcia Cabrita morreu na madrugada desta sexta-feira (10). A atriz de 53 anos lutava contra um câncer de ovário desde 2010.

A informação foi confirmada ao UOL pela assessoria de imprensa TV Globo. Ela estava internada no Hospital Quinta D'Or, no Rio de Janeiro. O velório será neste sábado (11) de 10h às 13h no cemitério Parque da Colina, em Pendotiba, Niterói. A cremação acontece em seguida. A atriz Cacau Protásio, que era amiga de Márcia, prestou uma homenagem no Instagram. "Amiga Vai com Deus, eu tive o prazer, à alegria, a sorte de trabalhar,conviver, contracenar com você, eu amo você, o céu está em festa, pois está recebendo o anjo mais lindo, você fará muita falta, nos encontramos no céu. #triste #tristeza #marciacabrita #euteamo", disse ela.

Em outubro do ano passado, Márcia falou ao "Superbonita", do GNT, a importância do apoio da família no tratamento da doença: "Minha irmã é uma santa, todo o lugar ela vai comigo. Minha mãe tem 90 anos, mudou para minha casa, fazia tudo para mim. Tem muita gente que esconde da criança. Mas eu acho que a criança vai sentir um negócio esquisito ali, que não adianta você mentir. Eu cheguei para ela (filha) e falei assim: 'Filha, a mamãe está doente, né? Você sabe?"", contou. "Fiquei gelada, né? 'Sabe qual é o nome da doença da mamãe? É câncer!' Ela perguntou: 'É muito grave?'. [Eu respondi:]'É só grave, não muito'. Uma vez eu fui buscá-la na escola e no caminho ela falou assim: 'existe lenço para criança? Porque eu queria ir de lenço para a escola porque acho tão lindo'. Ela falou isso, mas o que eu ouvi? 'Mãe, eu estou com você'", completou. Márcia foi casada com o psicanalista Ricardo Parente, de 2001 a 2004 e deixa uma filha, Manuela, 16 anos.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Em casa com Elis- Projeto leva turistas para uma tarde de MPB na mansão que foi de Elis Regina

As angústias menos previsíveis e os sonhos mais lindos de Elis Regina viveram ali, em um retiro da Avenida Niemeyer, logo depois do portão de madeira aberto para uma vila de casas que escalam a encosta da serra e ficam de face para o Atlântico.

Quando subiu seus três andares e chegou ao topo, uma suíte ao lado de um charmoso deck com piscina, Elis soube onde aplicar o dinheiro que ganhava como artista mais bem paga da TV brasileira à frente do Fino da Bossa naquele ano de 1967. De qualquer forma, Ronaldo Bôscoli, ainda um relutante noivo, levantou: "Compra Elis, não deixa passar." Para Elis, já sonhando com o véu e a grinalda, cortar: "Compro. E você se casa comigo." Se a mansão de Elis falasse, escreveria uma enciclopédia em suas paredes e incluiria nela um novo capítulo há três meses, quando um projeto chamado Bossa Sunset passou a habitar seu terceiro andar. A experiência idealizada por Isabella Cunha, responsável por um projeto maior chamado Mais Asas, tem levado turistas e curiosos em geral para ouvirem uma seleção de discos de vinil pensada pelo DJ Marcelinho da Lua. E aprenderem histórias da música brasileira. O Bossa Sunset, como propõe o nome, começa no fim das tardes das datas anunciadas no site do projeto (www.maisasas.com.br).

O próximo será em 29 de março, com ingressos a R$ 190. Marcelinho da Lua leva uma equipamento de som baseado em uma pick up e algumas dezenas de vinil. Enquanto as pessoas tomam drinques e conversam nas cadeiras e almofadas dispostas à beira da pequena piscina, ela faz uma trilha sonora que muita gente ouve parado. "Escuta esse violão, inacreditável que nessa época os caras tivessem essa qualidade de gravação", comenta com a reportagem, enquanto coloca um LP do violonista Luiz Bonfá. Quando o sol de põe, depois de uma tarde que começa por volta das 17h, ele projeta na parede que fica atrás da piscina um mini documentário de música brasileira pensado para a empreitada. Conta em resumo sobre a chegada e o impacto do violão de João Gilberto, das composições de Tom Jobim, da música de Marcos Valle e Roberto Menescal. Fala partes em inglês quando percebe que sua audiência é, na maioria, formada por turistas estrangeiros. No dia em que o Estado esteve no local, eles eram maioria. Jovens da Suécia e dos Estados Unidos ficavam atentos quando sabiam que, naquelas espreguiçadeiras, Elis Regina tomava banho de sol com amigos no final dos anos 60. "Não sei se as pessoas a conhecem.

Para mim, foi uma das maiores que ouvi", disse Karen Demavivas, executiva de origem filipina radicada em Nova York. Marcelinho diz que tenta fazer tudo de forma leve, para evitar didatismos e quebras de climas em sua discotecagem. "Percebi que o melhor é não fazer interferências a todo momento, deixar tudo o mais natural possível." Os outros andares são preservados do público pelos proprietários da casa e mesmo o deck é usado em tardes para uma quantidade de pessoas que, para o bem-estar do projeto, não deve passar das 35 pessoas. "Trabalhar assim é bem melhor, podemos pensar com mais empenho em cada drinque", diz o disputado barman Duda Itajahy, criador de "bebidas personalizadas". Seus mojitos de maçã são quase atrações à parte. Isabella Cunha dirige o Mais Asas, um site que cria para turistas experiências sobretudo exclusivas, que fogem dos estereótipos cariocas. Entre elas estão também idas às históricas rodas de samba da Pedra do Sal, no centro do Rio, e a prática da modalidade de surf stand up paddle em Guaratiba. "Eu procurava uma casa para fazer o Bossa Sunset, mas também não sabia que esta era de Elis. Depois de conhecer as dependências, estava saindo quando me disseram que Elis havia morado aqui. A partir daí, repensei tudo para este foco."

Aquelas paredes guardam memórias que possivelmente seus novos frequentadores não saibam. Foi ali que Elis fez sua festa de casamento para poucos e bons amigos. Chorou e realizou os desejos de menina. Ali também, Nelson Motta amplificou a paixão pela mulher de seu melhor amigo depois de uma noite de viagens e carícias. Convidado por Elis, durante uma temporada de ausência de Bôscoli, Motta foi com a cantora Joyce e o baterista Tutty Moreno para uma reunião entre amigos. Chegando lá, ofereceu a quem quisesse uma dose de mescalina, que Tim Maia havia trazido dos Estados Unidos havia pouco tempo. Só Joyce, grávida, não participou da rodada. Depois de uma noite ao lado da mulher que já mexia com sua cabeça, Motta, casado, voltou para casa pensando em, por ela, jogar tudo para o alto. Aquela piscina viu o dia em que Elis sofreu de ira ao descobrir as traições de Bôscoli. Depois de abrir uma fatura de seu cartão de crédito, percebeu que ele frequentara um motel. "A trabalho", ele disse. Foi aí que aquelas árvores da Avenida Niemeyer viram os discos de Frank Sinatra, xodós de Bôscoli, voarem pelo céu azul.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Após 30 anos da morte de Clara Nunes, a cantora continua emocionando os fãs

Há exatos 30 anos, o Brasil chorava a perda do canto imponente de Clara Nunes. A mineira guerreira, com vestido rendado, pulseiras, tiaras e farta cabeleira vermelha evocava as raízes africanas em seu samba, que sacramentou o poder feminino na música brasileira. Com o LP Alvorecer, ela foi a primeira mulher a ultrapassar a marca de 500 mil cópias vendidas.
Sua interpretação e sua estética inspiram até hoje gerações de cantoras e parceiros antigos não cansam de reverenciar a diva que teria completado 70 anos em 2012. “Clara era a própria representação da força brasileira. Veio de uma pequena cidade mineira chamada Paraopeba e nunca perdeu a simplicidade e a humildade. Ela marcou a alma do povo pelo canto simples e pela maneira de ser”, afirmou Paulo César Pinheiro em entrevista feita em 2011. Viúvo da cantora, ele teve mais 20 composições gravadas por ela — hoje em dia prefere não comentar o passado. Em Brasília, Clara também é fonte de inspiração. Artistas da cidade, como Ana Reis, Cris Pereira e Renata Jambeiro (veja o quadro) mantêm vivo o legado deixado pela estrela. “Ela continuou um trabalho começado por Carmen Miranda, ao falar de miscigenação, ter malícia, ser dona da letra, e principalmente, mostrar que mulher também podia vender disco”, diz Renata, que não abre mão de músicas da cantora no repertório. Essa influência é nítida em todo o país. A cantora pernambucana Karynna Spinelli, dona de uma estética muito semelhante à da artista mineira, fez um tributo recente, em Recife, com duas mil pessoas na plateia e a participação do músico Jorge Simas, que acompanhou Clara. “Toda a história dela me sensibiliza e emociona, mas escolho, em especial, a honra e a coragem de falar do candomblé.

Em dias de intolerância religiosa forte no Brasil, ela é uma das minhas inspirações para falar de religião. Sinto-me livre e sem amarras para cantar a força dos espíritos e dos orixás com minha música”, conta Karynna. No Rio de Janeiro, a memória de Clara pulsa nas obras de antigos parceiros. Delcio Carvalho teve sua história transformada pela cantora e acabou mudando o curso da carreira dela também: ele é o compositor da música Alvorecer. “Depois, Clara gravou Derramando lágrimas. Cheguei a mostrar Sonho meu (criada com Dona Ivone Lara), mas achei que ela não tinha gostado. Sorte que Maria Bethânia estava procurando algo para gravar, gostou e a música acabou acontecendo (risos). Com exceção das que já nasceram na tradição, como Elza Soares, Clara foi a maior cantora de samba do país”, lembra o sambista carioca. As homenagens a ela nunca cessaram, mas ganharam fôlego com a proximidade do septuagésimo aniversário. Em janeiro de 2011, o projeto Contos de Areia — 70 Anos de Clara Nunes reuniu músicos no CCBB Brasília para revisitar a obra da artista. Na Sapucaí, o enredo de 2012 da Portela foi “... E o povo na rua cantando. É feito uma reza, um ritual”, saudando a Bahia e Clara. Em dezembro, o Canal Brasil exibiu uma série com depoimentos de amigos e familiares, primeiro episódio de uma sequência de tributos organizados pelo jornalista Vagner Fernandes, autor da biografia Clara Nunes — Guerreira da utopia.

“O objetivo da série Clara era traçar um panorama da trajetória da Clara artista e da Clara mulher. Mas tínhamos o tempo como limitador. Há muito o que se falar sobre ela, então a série será ganhará materiais extras antes de chegar aos cinemas”, conta Fernandes. Além do filme dirigido por Darcy Burger, o biógrafo revisou os 16 álbuns da cantora — que serão relançados em formato avulso e em box — e reeditou o livro lançado em 2007 e há um ano e meio esgotado nas prateleiras. “É uma edição revista e ampliada. Quero incluir informações como o encarte todo em japonês de um programa que ela participou naquele país, e áudios inéditos”. Entre essas raridades estão as gravações do show Sabor bem Brasil, em que Clara canta ao lado de Luiz Gonzaga, João Bosco, Waldir Azevedo e Altamiro Carilho; da apresentação em Abidjan (Costa do Marfim) com João Nogueira; e dos ensaios do show Sabiá, sabiô, com direção de Hermínio Bello de Carvalho. Os materiais são do técnico de som Genival Barros, que trabalhou com a artista mineira e hoje faz parte da equipe de Roberto Carlos. “Fui buscar outra gravação com o Genival, quando ele disse que teria algo melhor do que eu procurava. Isso foi no fim de 2011. Sabiá, sabiô tem músicas que não faziam parte da discografia oficial dela, como Quando o carnaval chegar, de Chico Buarque”, diz Fernandes. Assim como os projetos anteriores, uma exposição dedicada à cantora está prevista para o segundo semestre deste ano. A mostra acontecerá no Rio e terá vídeos, áudios e imagens inéditas. “Quero contar de fato quem foi Clara Nunes.

Dar a Clara o que ela merece. Ela é uma das maiores cantoras do Brasil. E digo no presente porque 30 anos depois ela continua sendo lembrada. Clara e sua obra são atemporais”. Clara Nunes morreu em 2 de abril de 1983, aos 39 anos de idade, vítima de insuficiência cardíaca, após enfrentar um coma de 28 dias. O drama começou em 5 de março, quando ela submeteu-se a uma cirurgia para eliminar as varizes que a incomodavam. Com medo dos efeitos da anestesia peridural e do risco de perda de movimentos, ela exigiu receber anestesia geral. Durante a operação, teve uma queda de pressão seguida de parada cardíaca e entrou em coma, em decorrência de uma reação alérgica a um dos componentes do anestésico. A alergia, ou anafilaxia, acabou provocando a dilatação de todos os vasos sanguíneos de seu corpo, o cérebro não suportou a pressão e o edema que se formou causou a morte cerebral da cantora. A extensão do problema só foi descoberta dez dias depois, já que o aparelho de tomografia da clínica estava quebrado e ela precisou ser levada para outra unidade de saúde. Diante da ausência de informações, a imprensa e os fãs disseminavam boatos, inclusive de erro médico, hipótese refutada por uma investigação posterior. Há 30 anos, seus sinais vitais perderam força e ela morreu às 4h30. O velório foi realizado na quadra da Portela e a cerimônia reuniu 50 mil pessoas. Até hoje, seu túmulo é um dos mais visitados do cemitério São João Batista, na zona sul do Rio de Janeiro.

domingo, 5 de novembro de 2017

Saudade eterna-A trajetória da atriz RITA CLEÓS

RITA SCHADRACK (56 anos) Atriz, Dubladora. Tradutora e Diretora de Dublagem 
* Blumenau, SC (29/09/1931) + Curitiba, PR (21/05/1988) 

Mais conhecida como Rita Cléos, e às vezes creditada como Rita Cleós ou Rita Cleoci. Filha de Ernesto e Elsa Schadrack, em 1935 emigrou com a família para a Alemanha, onde passou sua infância, tendo em 1946 retornado para sua cidade natal. Começou a carreira artística na década de 1950, no cinema, tendo feito os filmes Esquina da Ilusão (1953), A Família Lero-Lero (1953), É Proibido Beijar (1954),Macumba na Alta (1958). Posteriormente, também atuou em Diário de uma Prostituta (1979) e A Noite das Depravadas (1981). Trabalhou também na televisão, estreando na TV Tupi em 1962. Participou de várias novelas de sucesso, como O Cara Suja (1965), onde protagonizava ao lado de Sérgio Cardoso. Em 1966, se transfere para a TV Excelsior, participando da recordista Redenção(1966-1968). Rita permanece na TV Excelsior até a falência do canal, em 1970, quando atua na última novela produzida, Mais Forte que o Ódio. Terminada a novela, a emissora vai à falência, e curiosamente Rita nunca mais atuou em novelas, apenas participou da pequena produção Maria Stuart, muitos anos depois, na TV Cultura. Além de trabalhar no cinema e na TV, Rita Cléos ainda foi dubladora durante muitos anos, e atuou também no teatro, participando de peças como Constantina(1977). Durante sua carreira trabalhou ao lado de grandes nomes como Nathalia Thimberg,Fernanda Montenegro, Altair Lima, Sérgio Cardoso, Francisco Cuoco, Lima Duarte,Patrícia Mayo, Ana Rosa, Lisa Negri, Débora Duarte, entre outros.

Na AIC, sua voz é reconhecida pela personagem Samantha na série A Feiticeira, onde substituiu Nícia Soares a partir da 2ª temporada até o final da série. Antes de A Feiticeira, Rita Cleós já participava da AIC, onde dublou a atrizBeverly Garland (Casey Jones), personagem principal na série A Armadilha(Decoy). Também dublou a atriz Nancy Malone (Libby) na série Cidade Nua e a atriz Cinthia Lynn (Helga) na 1ª temporada da série Guerra, Sombra e Água Fresca, fazendo um sotaque alemão expecional. Também a temos fazendo alguns poucos convidados especiais em séries de TV, pois a personagem Samantha praticamente a absorveu muito, deixando-nos como se fosse a voz da própria Elizabeth Montgomery. Participou dublando atrizes convidadas nas séries: Missão Impossível, Perdidos no Espaço, Os Três Patetas, Jeannie é Um Gênio, Viagem ao Fundo do Mar, Terra de Gigantes, Batman e Jornada nas Estrelas. Rita Cleós também foi tradutora na AIC, mas ainda não conseguimos identificar alguma tradução assinada por ela, porém deve ter traduzido diversos episódios de séries e até filmes, pois traduzia e falava muito bem 4 línguas (inglês, espanhol, italiano e alemão), tendo traduzido livros também. Já por volta de 1969/70, Rita Cleós já era também diretora de dublagem.

Segundo alguns dubladores, ela dirigiu episódios da série Daniel Boone e até de A Feiticeira. Novelas 1962 - A Intrusa 1962 - Prelúdio 1963 - Klauss, o Loiro 1963 - Moulin Rouge, A Vida de Tolouse Lautrec 1964 - A Gata 1964 - Quem Casa com Maria? 1965 - Teresa 1965 - O Cara Suja 1965 - O Pecado de Cada Um 1966 - Redenção 1968 - Legião dos Esquecidos 1969 - Sangue do Meu Sangue 1969 - Dez Vidas 1970 - Mais Forte que o Ódio 1982 - Maria Stuart Uma artista completa: atriz, dubladora, tradutora, diretora de dublagem que deixou um enorme legado ao Brasil, infelizmente, pouco conhecida e lembrada pela mídia brasileira. Algumas fontes informam que Rita Cléos faleceu em seu apartamento na cidade de Curitiba, em 21 de maio de 1988, vítima de um Ataque Cardíaco, aos 56 anos de idade. Outras fontes informam que a atriz foi assassinada.

Cientistas identificam substância capaz de inibir pensamentos indesejáveis

Quantas vezes você se pegou com um pensamento que não saía de sua cabeça, por mais que você quisesse? Se você já perdeu noites de sono assim, não se preocupe. Cientistas britânicos podem ter encontrado o motivo e estão a um passo de descobrir como controlar esses pensamentos indesejados. Publicada na “Nature Communications”, uma pesquisa mostrou que o cérebro precisa produzir uma substância específica chamada GABA para que os pensamentos indesejados fiquem sob controle. A descoberta é um grande avanço para o tratamento de transtornos mentais, já que ela abre o caminho para a criação de medicamentos que mimetizam a substância.

A dificuldade ou incapacidade de se libertar de pensamentos intrusivos e indesejados são uma realidade tanto para pessoas sem problemas mentais quanto para indivíduos com vários tipos de condições, que vão desde transtorno obsessivo-compulsivo e transtorno do estresse pós-traumático até depressão, ansiedade e esquizofrenia. Realizado na Universidade de Cambridge, no Reino Unido, o estudo analisou um grupo de participantes voluntários durante dois testes. No primeiro, eles receberam pares de palavras não relacionadas e os cientistas pediram para que eles as associassem (por exemplo, musgo/norte e barata/prova). Depois, os participantes receberam uma palavra e um sinal verde ou vermelho. Se recebessem a cor verde, eles tentariam lembrar o outro par da palavra, e se fosse vermelho, eles tentariam suprimir o par relacionado que veio direto em sua mente. Enquanto o teste estava sendo realizado, os cérebros dos participantes foram monitorados por meio de imagens de ressonância magnética. A conclusão foi que os voluntários com as maiores concentrações de um produto químico conhecido como GABA em seu hipocampo tiveram melhor desempenho em suprimir os pensamentos indesejados. O GABA é o neurotransmissor inibidor do cérebro, sufocando as atividades de algumas células quando é liberado. "O que é emocionante sobre isso é que agora estamos ficando muito específicos", disse Michael Anderson, que liderou o estudo, em entrevista à BBC. "Antes, só podíamos dizer ‘essa parte do cérebro age nessa parte’, mas agora conseguimos citar quais neurotransmissores provavelmente serão importantes."

sábado, 4 de novembro de 2017

Destruir terreiros de religiões de matriz africana é a nova “guerra santa” no Brasil

Mãe Merinha foi bem rápida, amarrou um pano branco na roupa e colocou alguns colares fios-de-conta coloridos no pescoço. ‘‘O mais triste disso tudo é saber que eles não param’’, disse, enquanto prendia um tecido também branco na cabeça. Estava pronta, com sua vestimenta de mãe-de-santo. Sinalizou que poderia começar a entrevista e se apresentou: ‘‘Sou Mãe Merinha de Oxum, fui iniciada no Candomblé há 36 anos, sou filha de Mima de Oxossi, do Ilê Axé Obá Ketu’’. Há um ano e meio, Rosimere Lucia dos Santos abriu um terreiro de Candomblé em Belford Roxo, município do Rio de Janeiro, na Baixada Fluminense, onde também começou um trabalho social com crianças da região.

No dia 27 de setembro, quarta-feira, completou 51 anos e, naquele mesmo dia, seu terreiro foi invadido e incendiado. Os vizinhos, quando perceberam as chamas, chamaram o irmão de Mãe Merinha, que mora perto, para ajudar a apagar o fogo. O incêndio foi controlado a tempo de não afetar a edificação principal, mas, no dia seguinte, Mãe Merinha percebeu que colocaram fogo bem na casa do meio, onde ficavam os donativos, roupas de santo e os orixás. Os criminosos furtaram também uma TV, celular e rádio. O Registro de Ocorrência foi feito uma semana depois, já na segunda tentativa: ‘‘A delegacia estava muito cheia, fiquei umas três horas lá, tava muito enfraquecida, chocada com tudo, fui buscando força, aí retornei na quinta-feira’’. Queimaram também livros sobre religiões de matriz africana e as fotos da história da família no Candomblé. ‘‘O que mais me entristece é o material de trabalho e as fotografias. Eu tenho toda uma história de santo, de quando era dirigido por minha mãe’’. Mãe Merinha é descendente de negros e indígenas, e a religião veio pela avó materna que foi para o Rio de Janeiro fugindo do marido violento, no Espírito Santo. Lavadeira, a avó conseguiu comprar um terreno em Belford Roxo e destinou parte para o orixá da filha. ‘Tinha até algumas fotos da minha mãe com trouxa na cabeça quando elas chegaram no município de Belford Roxo’’, relembra. ‘‘Levei tudo que eu tinha no decorrer desses anos para esse local, é toda uma história de vida do sagrado’’. Mãe Merinha é uma das vítimas mais recentes da violência contra adeptos das religiões de matriz africana no Estado do Rio de Janeiro. De acordo com os dados do Centro de Promoção da Liberdade Religiosa e Direitos Humanos (Ceplir), das 52 denúncias de intolerância religiosa ao Ceplir — de dezembro de 2016 a agosto de 2017 —, 34 foram de pessoas do Candomblé, Umbanda e outras denominações de religiões de matriz africana no Estado do Rio.

Em cinco anos, as denúncias de discriminação por motivo religioso no Brasil cresceram 4960%. Foram de 15, em 2011, para 759, em 2016, de acordo com os dados do Disque 100, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH). Em 2016, 69 eram candomblecistas (9,09%), 74 eram umbandistas (9,75%) e 33 são descritas como “religião de matriz africana” (4,35%), totalizando 23,19%. Segundo relatório da Pew Foundation, o país deixou de ser um dos países mais populosos com menor taxa de Hostilidade Social por motivações religiosas, em 2007, para um dos países com alta taxa em 2014, passando da 2ª posição para a 9ª neste período. Em agosto e setembro deste ano, uma nova onda de ataques a terreiros de Candomblé e Umbanda na Baixada Fluminense comprovou que os crimes de ódio por motivo religioso estão crescendo no Estado que tem, pela primeira vez, um bispo evangélico governando a sua capital — em janeiro, Marcelo Crivella (PRB), bispo de Igreja Universal do Reino de Deus, assumiu a prefeitura do Rio de Janeiro. Em resposta à violência, a Secretaria de Estado de Direitos Humanos (SEDHMI) lançou o Disque Combate ao Preconceito para facilitar as denúncias. Nos meses de agosto e outubro foram feitas 43 denúncias: uma de um espírita kardecista, uma de um evangélico, dois islâmicos e 39 umbandistas e candomblecistas, representando 90% do total. Foram seis tipos de violações identificadas, entre eles invasão/atentado a instituições religiosas (11), discriminação/difamação (10), agressão física (6), incitação ao ódio (6), agressão verbal (6), ameaça (4). Dentre as denúncias contra religiosos de matriz africana, 12 ocorreram na Baixada Fluminense. A região reúne 13 municípios do Rio de Janeiro e abriga ao menos 274 terreiros, do total de 847 no Estado, de acordo com a pesquisa Mapeamento das Casas de Religiões de Matrizes Africanas, realizada pela PUC-Rio com o apoio da Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR/PR), entre 2008 e 2011. A SEDHMI recebeu quatro denúncias de ataques a terreiros realizados por traficantes de agosto a outubro, três delas de ocorrências na Baixada Fluminense — duas em Nova Iguaçu e uma em Itaguaí.

Segundo a secretaria, as quatro vítimas informaram que, por ordem da facção criminosa, é proibida a prática de religiões de matriz africana na área dominada pela facção. Todas as pessoas que denunciam casos de intolerância religiosa são orientadas a fazer o registro na delegacia da região, mas algumas vítimas não o fazem por medo. Em setembro, o terreiro da mãe de santo Carmen de Oxum foi atacado em Nova Iguaçu. O traficante, que ainda registrou o crime com a câmera de um celular, dá ordens para destruir os objetos sacralizados: ‘‘quebra tudo, apaga as velas, pelo sangue de Jesus tem poder… Todo mal tem que ser desfeito em nome de Jesus’’. Segundo o diretor-geral da Polícia da Baixada Fluminense, Sérgio Caldas, o caso está sendo investigado pela 58ª DP e já foram identificados, como executores, dois traficantes do Terceiro Comando Puro, facção criminosa conhecida por ameaçar candomblecistas e umbandistas. ‘‘Essa pessoa veio de uma outra comunidade para pressionar os terreiros de candomblé’’, disse Caldas à Pública, acrescentando que as condições “não são favoráveis” para a investigação. “Quando ocorre em comunidade conflagrada, a vítima fica com medo de se expor’’. Os indiciados deste caso serão penalizados pela Lei 7.716, de 1989, conhecida como “Lei Caó’’, que determina a punição para os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional, como crime inafiançável e imprescritível. A pena é de dois a cinco anos de reclusão. O babalaô Ivanir dos Santos, fundador da Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa e porta-voz da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, diz que as primeiras ações de destruição de terreiros por traficantes aconteceram na década de 1990, no Morro do Urubu, em Pilares, Zona Norte do Rio. Depois, outros casos ocorreram no Morro do Dendê (localizado na Ilha do Governador), no Lins de Vasconcelos e na Cidade Alta. “É um fenômeno compreensível. Toda religião que cresce vai influenciar algumas esferas sociais’’, diz. Ivanir acredita que a presença de igrejas evangélicas nos presídios do Rio é um fator de influência para o surgimento do que chama de “tráfico evangelizado’’. ‘‘O cara tá lá preso, vira evangélico e vai sair por bom comportamento, isso diminui a pena do sujeito… Quando sai da prisão, nem todo mundo muda de vida”, diz. As igrejas evangélicas devem se tornar ainda mais presentes nos presídios fluminenses. Em fevereiro, a Igreja Universal do Reino de Deus firmou acordo com o Governo do Estado para a construção de templos em unidades penitenciárias, custeados pela instituição religiosa. O acordo permite que a Universal construa ou reforme templos ecumênicos nas 51 unidades prisionais do Estado, dependendo de autorização do diretor da unidade. Até o momento, graças ao convênio, 15 templos foram inaugurados ou reformados, nos Complexos de Gericinó, Campos, Resende e Água Santa.

A Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva do Sistema Prisional e Direitos Humanos do Rio de Janeiro visitou as unidades prisionais onde foram construídos os templos religiosos para apurar a validade do acordo. Segundo o promotor de Justiça Murilo Nunes de Bustamante, os espaços não deveriam ser vinculados à religião específica, mas o padrão arquitetônico encontrado por eles se assemelha ao usado pela Igreja Universal. ‘‘Apesar da previsão de ser ecumênico de ter o livre uso pra qualquer um, os próprios internos só admitiriam que algumas religiões realizarem seus cultos no local’’. A investigação da Promotoria ainda não foi concluída. “Os indicativos são no sentido da identidade arquitetônica dos espaços, o que será debatido com as igrejas atuantes no sistema prisional’’, esclareceu. Em resposta à Pública, a Igreja Universal do Reino de Deus informou que o programa social Universal nos Presídios (UNP) atende 80% da população carcerária do Brasil, aproximadamente 500.000 pessoas, do total de 622.000 detentos, segundo o Infopen de 2014,‘‘oferecendo cursos e apoio aos detentos e seus familiares, realizando um trabalho de ressocialização que é reconhecido pelas autoridades em todos os estados da Federação, inclusive no estado do Rio de Janeiro’’. DADO GADIERI E PILAR OLIVARES HILAEA MEDIA Oito homicídios por intolerância religiosa Os dados disponíveis no Relatório de Intolerância e Violência Religiosa, da Secretaria Especial de Direitos Humanos, detalha o que ativistas pela liberdade religiosa chamam de ‘‘Guerra Santa’’. O Relatório mostra que, entre 2011 e 2015, 27% das denúncias feitas nas ouvidorias do país eram de pessoas da religião de matrizes africana, 16% de evangélicos, 8% de católicos e a 7% de espíritas. Em relação à religião dos agressores, informada pela vítima, as informações indicam que 17% eram evangélicos. Católicos aparecem em segunda posição, porém muito distantes, com 3%, seguidos de Testemunhas de Jeová (1%) e Espíritas (1%), Matriz Africana (1%). Em 73% dos casos não foram registradas informações sobre a religião do agressor. Também foram identificados no relatório oito homicídios por motivo religioso, segundo investigações da polícia civil ou do Ministério Público. Quatro mortes envolveram lideranças de candomblé, em Londrina (PR) e em Manaus (AM), e quatro foram mortes de uma mesma família de evangélicos, em Itapecerica da Serra (SP).

Todos os assassinatos foram realizados por uso de facas, e os agressores e vítimas eram próximos. O professor Jayro de Jesus, coordenador da Escola Livre Ubuntu de Filosofia e Teologia Afrocentrada, explica que os neopentecostais entendem que a fé traz saúde, bem estar e prosperidade material. Já as doenças, desemprego e pobreza resultam do ‘‘mal’’ e de uma vida em pecado. ‘‘É o mal que prejudica a vida alheia. E o mal é tipificado nas religiões afro’’, explica. ‘‘Os neopentecostais, hoje, contam com a ajuda da própria população que encontra justificativa para acabar com o mal que é o seu vizinho, o seu entorno.’’ Jayro, figura histórica na luta contra a violência às religiões de matriz africana, coordenou nos anos 80 o Projeto Tradição dos Orixás, que visitava os terreiros na Baixada para ouvir relatos de intolerância, e encaminhava para as delegacias. ‘‘Eram 20 jovens que saiam por toda a Baixada. Levantamos 3.000 terreiros com queixa de invasão, xingamentos, apedrejamentos, surras de bíblia’’, relembra. “A perseguição vinha essencialmente da Igreja Universal’’, diz. Os relatos ao grupo foram reunidos no Dossiê ‘‘A Guerra Santa Fabricada’’, primeiro entregue ao Governo Federal sobre o assunto, protocolado na Procuradoria-Geral da República em 1989. Mas nada foi feito, garante Uilian Portella, advogado do grupo. ‘‘O dossiê denunciou reiteradas atitudes agressivas das igrejas evangélicas neopentecostais, notadamente a denominada Universal do Reino de Deus… Os adeptos dos cultos de Matriz Africana vinham sendo apedrejados, espancados e surrados com Bíblias ‘para expulsar capetas’”. Em 2015, as emissoras de televisão Rede Record e a Rede Mulher (comprada pela Record), de Edir Macedo, fundador e líder da Igreja Universal, foram condenadas pela Justiça Federal a exibir quatro programas de televisão como direito de resposta às religiões de matriz africana por ofensas contra elas no programa “Mistérios” e no quadro “Sessão de Descarrego”. Procurada pela reportagem, a Universal afirmou que a acusação de que seus membros perseguiam outros cultos na década de 80 é “mentirosa”. “A Igreja Universal do Reino de Deus defende, de modo intransigente, a liberdade de pensamento, de crença e de culto, conforme assegurado por nossa Constituição Federal”. A Igreja diz que prega o contrário. “Orientamos nossos adeptos a respeitarem as convicções das outras pessoas, pois são exatamente os bispos, pastores e milhões de simpatizantes da Universal as maiores vítimas do preconceito religioso no Brasil”, afirmou, por nota.

‘‘É como se tivessem arrancado um filho” Às 22h do dia 4 de outubro deste ano, Mãe Vivian de Souza estava em casa, em Nova Sepetiba, quando recebeu a ligação de um vizinho do seu terreiro, em Seropédica, na Baixada. Por telefone, ele disse que entraram na casa dela e, até aquela hora, muitas imagens e objetos já deveriam estar quebrados. O vizinho repassou a ameaça de que se ela não retirasse os pertences o mais rápido possível, iriam destruir tudo. Mãe Vivian entrou em desespero. Sua casa fica a uma hora de distância de carro. Mãe Vivian na porta da casa em Sepetiba com parte da estrutura da casa de Seropédica em mãos. Mãe Vivian na porta da casa em Sepetiba com parte da estrutura da casa de Seropédica em mãos. DADO GADIERI E PILAR OLIVARES HILAEA MEDIA Há quase dois anos, Mãe Vivian se mudou com a família para Nova Sepetiba e transformou a sua casa em Seropédica em Casa de Candomblé. Não visitava o terreiro com regularidade, mas podia ficar uma ali uma semana inteira ou apenas um fim de semana, ‘‘o tempo que a obrigação religiosa exigir’’. Quando chegou à casa, próximo da meia-noite, viu o portão arrombado, o Orixá Bará no chão, os Exus quebrados. Conseguiu um caminhão para tirar o que sobrou. No dia seguinte, alugou uma casa em Sepetiba para começar a construção de um novo espaço dedicado aos orixás. Para o anterior, não quer voltar mais: ‘‘É como se tivessem arrancado um filho meu’’. Além dos orixás, destruíram a própria estrutura da casa e outros objetos, ‘‘coisa que pra gente tem muito valor. Um búzio, uma moeda pra gente vale, pra outras pessoas talvez não, mas é muito ruim’’, contou. A casa nova é menor; objetos simbólicos foram armazenados em um quarto, e a outra parte em uma sala, com os atabaques e colchões que conseguiu levar. ‘‘Não dá pra entender tanto ódio. Parece que eu tô no tempo dos meus antepassados, da gente ter que se esconder na mata, como meus avós fizeram pra continuar cultuando a nossa religião. Eu tô acuada, eles estão nos acuando cada vez mais.’’ Mãe Vivian foi até a Delegacia em Sepetiba para fazer a denúncia, mas foi orientada a fazer o Registro de Ocorrência online ou ir à delegacia de Seropédica. “A forma que eles agem é como se você fosse culpado por aquilo que tá acontecendo, ‘porque a senhora não tava lá na hora?’. Não sou eu que tenho que saber quem foi.’’ Para ela, não há interesse da polícia em realizar uma investigação de fato. Com a crise, o fim do Centro de Promoção da Liberdade Religiosa Mãe Vivian buscou ajuda no Centro de Promoção da Liberdade Religiosa e Direitos Humanos (Ceplir) que, de 2012 até este ano, atendeu às vítimas de intolerância no Estado Rio com acompanhamento psicológico, jurídico e assistência social. Porém, Flávia Pinto, que era diretora da instituição até esta semana, explicou à Pública que o Centro deixou de receber recursos do Governo do Estado em 2016. ‘‘Com a crise do Estado, o Ceplir ficou sucateado. Conseguimos recurso com a Fundação Cultural Palmares [do Governo Federal] e colocamos o Ceplir pra funcionar por mais um ano na UFF [Universidade Federal Fluminense], mas esse recurso acabou’’, informou. ‘Estamos conscientizando as pessoas de que intolerância religiosa é crime.

A política de liberdade religiosa ainda é embrionária no país. As pessoas ainda não têm o entendimento de que ser discriminado pela sua religiosidade é crime’’. O secretário estadual de Direitos Humanos, Átila Alexandre Nunes, rebate as críticas. Segundo ele, a Secretaria estadual de Proteção e Apoio à Mulher e ao Idoso passou a ser Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Políticas para Mulheres e Idosos (SEDHMI) e, com a mudança, a secretaria vai incorporar os técnicos do Ceplir já em novembro ‘‘pra que seja uma estrutura permanente, consolidada e que não dependa de recurso de terceiros’’. Mesmo assim, a Ceplir não terá atendimento em novembro, mês da Consciência Negra, segundo Flávia. Ela agora vai trabalhar na Secretaria Municipal de Direitos Humanos da capital. Em agosto, o secretário anunciou que o Estado vai criar uma delegacia policial especializada em combate a crimes raciais e delitos de intolerância, a DECRADI, com um grupo capacitado para realizar as investigações e os atendimentos com as vítimas de crimes de ódio. Ainda há muito o que melhorar no atendimento, comenta Flávia Pinto: “Os casos de intolerância ainda são interpretados pela polícia como brigas de vizinhos, aí a pessoa não tem atendimento correto e os dados não são gerados’’. Sobre o problema orçamentário, o secretário acredita que a ação pode desafogar as delegacias regionais que vão poder encaminhar para a especializada a investigação. ‘‘Estamos falando de uma estrutura mais enxuta, a Secretaria de Direitos Humanos disponibilizaria os técnicos de psicossocial pra fazer o atendimento e ajudar nesse acolhimento das vítimas’’. ‘‘Infelizmente, estamos vivendo um outro momento que traficantes estão perseguindo os terreiros, a lógica agora é uma lógica territorial por conta desses traficantes’’, diz o secretário. A violência por parte dos traficantes estimula o aumento do número de casos não notificados e dificulta o trabalho da polícia. ‘‘No caso da mãe Carmen, foram quase 10 traficantes, segundo o relato dela. A gente até acompanhou ela até a delegacia, mas ela não quis assinar o depoimento por receio”, conta. Ele diz ainda que há uma sensação de impunidade por esses casos não serem tratados com seriedade e notificados como intolerância religiosa. O Delegado Henrique Pessoa, da 151º DP de Nova Friburgo, coordenou o Núcleo de Combate a Intolerância da Polícia Civil que centralizava as informações de ocorrências recebidas pela Comissão de Combate à Intolerância Religiosa. “Esse assessoramento nas delegacias. A nossa função era devolver à polícia a consciência da relevância da investigação. O problema não pode ser enfrentado de uma forma banal. Mas, lamentavelmente, a polícia trabalha em condições precárias, de forma inadequada.’’ O núcleo foi extinto em 2012, durante a reestruturação da polícia civil, no governo de Sérgio Cabral (PMDB). Mãe Elaine e Pai Márcio Mãe Elaine Dias Pereira, a mãe Elaine de Oxalá, mora em Nova Iguaçu há 30 anos — e há 30 anos sofre perseguição pela sua religião. Ela conta que logo que começou a casa em Santa Rita, bairro de Nova Iguaçu, já colocaram fogo nas colunas da casa. Ainda hoje, jogam constantemente pedras nas telhas. Até dezembro do ano passado, ela nunca tinha feito uma denúncia ou registro de ocorrência na delegacia. Mas, daquela vez, explodiram uma bomba no relógio de luz do terreiro enquanto ocorria uma cerimônia religiosa.

‘‘Tinha muita gente, muitos filhos aqui na casa, tinha criança, mulher grávida, e a explosão foi assustadora, naquele momento da explosão a gente não tinha noção do que estava acontecendo’’. Ela foi à delegacia da Posse (58º) para relatar o caso. ‘‘Para minha surpresa, fui muito bem atendida e foi registrado como intolerância religiosa, foi uma vitória, cheguei aqui feliz porque tinha conseguido fazer isso’’. Um inspetor de polícia visitou a casa no dia seguinte. ‘‘O caso não foi adiante, não houve uma investigação até o fim’’, conta. Depois do episódio, ela resolveu colocar duas câmeras na frente do terreiro, o que inibiu as agressões. Pai Márcio Virginio também precisou colocar uma câmera no quintal de seu terreiro, na Penha, Zona Norte no Rio de Janeiro, para identificar os autores das pedradas e restos de lixo que são frequentemente jogados na Casa de Candomblé. A Casa está aberta há três anos e, a partir do segundo ano, os ataques começaram em dias certos, segunda-feira e sábado – sempre em momentos de cerimônia. ‘‘As pedras vêm do prédio do lado, sendo que a câmera não é tão boa, então vou gastar mais dinheiro pra comprar uma câmera melhor.’’ Além de quebrar partes do telhado, os agressores já quebraram uma imagem do Caboclo, orixá cultuado na casa. ‘‘Quando a gente vê uma imagem de santo quebrada eu fico pra baixo, porque é a casa do nosso sagrado.’’ Foi necessário colocar lona na parte aberta do quintal para que as pessoas não fossem atingidas pelas pedras no momento das cerimônias religiosas. ‘‘Minha casa tem muitos idosos, gente que vem com cadeira de roda. A pessoa já chega com medo’’. Pai Márcio foi até a delegacia quando as agressões começaram a ficar mais frequentes. “Na primeira vez não abriram o boletim de ocorrência. Só na segunda vez’’. Ele conta que foi pelo menos 20 vezes à delegacia para fazer mais denúncias. “Não fizeram nada”, diz. Os defensores da liberdade religiosa veem uma ligação entre a inação da polícia e o preconceito. Ivanir dos Santos argumenta que um passo ainda pendente seria a instituição do ensino da história e cultura africana e afro-brasileira nas escolas, segundo a Lei 10639. A culpa é, também, do desconhecimento. “Não adianta colocar a conta só nos neopentecostais porque não são só eles. Para a sociedade brasileira nós somos feiticeiros, macumbeiros e do mal”, resume. No dia 27 de setembro, o Supremo Tribunal Federal autorizou ensino religioso confessional nas escolas públicas – ou seja, as aulas podem seguir os ensinos de religiões específicas. Para Ivanir dos Santos, o efeito da ação será aumentar a discriminação e a perseguição às religiões afro-brasileiras. “Isso é referendar o papel da igreja como elemento do estado, isso é igualzinho na Colônia e no Império’’, comenta. Jayro concorda que o ensino religioso reforça a dualidade entre o bem e mal. ‘‘As igrejas se sentem detentoras do bem, não só da alma, mas da vida social. Então o ensino religioso nas escolas é um incentivo a essa dualidade’’, comenta. Sem conhecer a religião, é difícil à sociedade entender a seriedade desses ataques. Na visão de mundo africana, o assentamento dos orixás é uma espécie de ‘‘extensão do seu eu’’, da própria existência, explica o professor Jayro. “A violência é muito mais vigorosa do que a gente imagina’’.

Desrespeitar as lideranças religiosas e os símbolos representativos de matriz africana, diz ele, é entendido como uma forma de expulsão. Para muitas pessoas, depois da destruição, é necessário se reconstruir em outro espaço físico. Para se reconstruir, Mãe Merinha contou com um mutirão de voluntários a limpar, fisicamente, a sua casa varrida pelas chamas. Agora, prepara o ritual de limpeza religiosa, com direito a preces para os Pretos Velhos. “Passamos por um momento de grande intolerância religiosa em nosso país, que a cada dia se agrava mais. Não sei se é de conhecimento de todos, mas o nosso espaço infelizmente também veio a fazer parte dessa estatística de ódio”, escreveu aos seus filhos. Em vários momentos da história brasileira, as religiões de matriz africana, cuja essência teológica e filosófica é baseada nos valores civilizatórios negroafricanos, sofreram repressão e foram tratadas como práticas primitivas e profanas. Até a Constituição Imperial, promulgada em 1824, que concedeu certa liberdade de culto aos não-católicos, foram alvo de perseguição do estado e consideradas criminosas. Neste período, os negros-africanos escravizados só podiam cultuar as divindades secretamente. A liberdade religiosa só passou a ser considerada um direito fundamental com a Constituição de 1988. ‘‘Hoje, o que o neopentecostalismo faz com os terreiros, a Igreja Católica fez na Colônia e no Império. A destruição dos terreiros tem essa lógica, de um passado que se presentifica’’, comenta o professor Jayro de Jesus. Os mais de 130 anos de história do terreiro Ilè Așé Opò Afonjá, o mais antigo do Rio de Janeiro, revelam a resistência do Candomblé. Dois anos antes da abolição da escravatura, em 1886, mãe Eugênia Ana dos Santos, a mãe Aninha, se mudou de Salvador para a região portuária e se instalou na Pedra do Sal. Após a abolição, a repressão continuava, e polícia fazia prisões asseguradas pela Lei da Vadiagem. A Lei punia a manifestações negro-africanas, como a capoeira, o samba e as práticas religiosas. ‘‘Hoje, eles vão mudando de lugar para preservar esse culto, assim como lá dentro da senzala’’, explica Sandra Brandão, 47 anos, pedagoga e Presidente da Sociedade Civil do Ilè Așé Opò Afonjá do Rio – nome que significa Casa de Força Sustentada por Xangô.

A Casa passou por diversos locais antes de se instalar em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, para fugir da intolerância religiosa. ‘‘O objetivo era se afastar dos grandes centros’’, conta a neta de Edgard Brandão, que veio de Salvador com mãe Aninha. ‘‘E mesmo nesse endereço que estamos hoje, também existia essa intolerância. Tenho uma tia biológica de 89 anos que conta que quando criança, as crianças brincavam na frente da casa pra fazer barulho pro candomblé poder tocar atrás pra polícia não coibisse essa manifestação.’’ As prevenções continuam. Sandra diz que principalmente os mais idosos estão amedrontados – e que o medo já causou um efeito psicológico. “Quando a gente faz as práticas religiosas, a gente fala, olha o portão, tem que estar fechado’’, conta. A maioria das Casas de Candomblé antigas no Rio de Janeiro continuam na Baixada Fluminense, como o Terreiro Alákétú e a Casa Branca. Mãe Beata de Iemanjá seguiu o mesmo caminho: foi de Salvador para o Rio em 1969 e fundou em 1985 o terreiro Ilê Omiojuarô, em Miguel Couto, Nova Iguaçu. Reconhecida pela militância em diversas causas, entre elas a liberdade religiosa, Mãe Beata morreu em maio deste ano em Nova Iguaçu, onde ‘‘encontrou seus laços, suas redes bem tecidas de apoio da população negra de terreiro’’, conta Pai Adailton, filho biológico de Mãe Beata de Iemanjá.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

TV DIGITAL-REDETV E BAND SÃO AS PIORES EMISSORAS NA IMPLANTAÇÃO DO SINAL DIGITAL NO ESTADO DE SP,SEGUNDO PÚBLICO

Numa pesquisa realizada entre os espectadores do interior do estado de S.Paulo,duas emissoras paulistas receberam duras críticas com relação à implantação de seu sinal digital.

Segundo eles,a REDETV HD tem uma das piores retransmissões,com frequentes cortes de sinal e falhas irritantes.Só prá constar,na região de Campinas,onde o sinal analógico será desligado daqui a 26 dias,várias cidades reclamam do descaso da emissora na estabilização do sinal em alta definição.

Concorrendo em precariedade com a REDETV vem a REDE BAND,com sinal instável e demora de reparos.Vale lembrar que,por exemplo,a REDETV foi implantada na cidade de Amparo-SP há mais de um ano,nunca conseguindo ter um sinal estável até hoje,chegando a ficar 8 meses fora do ar para "reparos" que não corrigiram o problema.Que vergonha!!

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

DONA FLOR E SEUS DOIS MARIDOS (2017) ESTREIA NOS CINEMAS

Um Vadinho cambaleante brinca seu derradeiro carnaval nas ruas da Bahia. Após uma vida errática, seu coração não aguenta, e tomba, deixando viúva a pobre Flor. A partir de então, a bela mulher passará seus dias a lamentar a perda precoce do seu amor.

Flor, no entanto, levada por influência da mãe e de amigas, desposará o Dr. Teodoro Madureira, conhecido e pacato farmacêutico que em tudo diferencia-se do seu finado. Enquanto Vadinho entregava-se aos jogos e mulheres, Teodoro prefere o trabalho e tem uma rotina que repete religiosamente. Na cama, os dois também se diferenciam. Os dias de Flor são de tédio, e em pensamentos ela chama seu amado Vadinho. A premissa da obra de Jorge Amado já foi adaptada algumas vezes para as telas, sendo a mais famosa delas a de 1916 que trazia os inesquecíveis Sônia Braga, José Wilker e Mauro Mendonça nos papéis principais. Em 2017 Pedro Vasconcelos traz uma versão com Juliana Paes como Flor, e e Marcelo Faria e Leandro Hassum respectivamente como Vadinho e Teodoro. De cara percebemos que trata-se de uma obra feita para a TV. A longa duração (2 horas e 20min) traz um incômodo desnecessário, já que há uma série de cenas que são repetidas ao longo de todo o filme.

Um exemplo disto é quando D. Flor relembra momentos ao lado do finado marido ou quando repete-se a trilha musical de “É o Amor” na voz de Maria Bethania. Esses elementos televisivos cabem perfeitamente à tela pequena, pois fazem uma ligação de um capítulo a outro, mas na tela do cinema torna-se repetitivo. A Bahia é retratada em tons claros. Elementos de cena e atores, são comumente fotografados com a contra luz, efeito que é usado em demasia. Mas Dona Flor e Seus Dois Maridos, como era de se esperar, traz alguns elementos positivos. Juliana Paes, que está herdando curiosamente alguns papéis que Sônia Braga encarnou anteriormente, aparece com sua pontual simpatia. O destaque, natural pelo personagem fascinante que é, acaba sendo para Marcelo Faria e seu Vadinho. Isso é bem esperado, já que ele personaliza o malandro nos teatros já há algum tempo. A surpresa fica por conta de Hassum encarnando muito bem um personagem sério. O terreno é fértil para ele, já que mesmo sendo um homem sério, a obra de Jorge Amado prima por elementos caricatos.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

XÊNIA BIER-A TV SENTE TUA FALTA

Gente! Ela é “separada”, mas é tão legal!!! - Era isso o que eu pensava quando adolescente – mas não falava - quando assistia na TV Bandeirantes ao programa “Xênia e Você”, na década de 1970. Naquele tempo e na opinião geral, mulher “separada” não valia grande coisa. Eu duvidei. A ex-empregada doméstica, operária e balconista Vilma Bier, a Xênia, era a apresentadora.

Com uma franqueza devastadora e baseada em sua experiência de menina pobre, abordava assuntos impensáveis para a época. Sem constrangimento expôs a vida pessoal para, a partir dela, abrir os horizontes de tantos jovens aprisionados pelos tabus, como eu. Desancou o escravizante trabalho doméstico, a falta de liberdade feminina e a indissolubilidade do matrimônio. Aprendi com ela e simplifiquei a vida. Inteligente e sagaz, polemizou ao tratar sobre homossexualidade – o que lhe valeu problemas com a Censura - e preconceito racial, pois já tivera dois relacionamentos com negros, antes de “desistir de novas relações permanentes, por preferir a liberdade.” A mulher de voz e gênio fortes, entrevistou personalidades ilustres como o psicanalista José Ângelo Gaiarsa, o filósofo Huberto Rohden, o astrólogo Antônio Facciolo Neto e o professor De Rose, pioneiro de Yoga no Brasil.
Quando seu último programa na TV Bandeirantes foi ao ar, seu público cativo organizou uma passeata na porta da emissora. Após algum tempo, Xênia foi para a Rede Globo, quando do lançamento do programa " TV Mulher". Ao seu lado se apresentavam figuras destacadas como Marta Suplicy, Clodovil Hernandez, Marilia Gabriela, Ney Gonçalves Dias e Ala Szerman. A paulistana Vilma Bier nasceu em 1935. Aos 81 anos, escreve a coluna "Crônica da Xênia" em duas revistas femininas. Numa publicação de dezembro de 2016, Xênia ainda mostra a lucidez que lhe rendeu admiração, quando toca numa das questões relativas ao envelhecimento: “Somente quando somos proibidos de exercer as tarefas cotidianas é que damos o devido valor: já sentiu saudade de passar roupas?” A “velha guerreira” continua na batalha. Para quem tem ou conhece pessoas com limitações físicas – idosas ou não - difícil é não refletir sobre a singela interrogação e rever, como no passado, posturas e conceitos.Seu nome, Vilma, ou para seus fãs Xênia Bier. Lembro-me muito bem, quando foi ao ar seu último programa na Tv Banderiantes, seu público fiel e cativo foi até o Morumbi e se revoltou, fazendo passeata na porta da emissora. Xênia entrevistava médicos, psicólogos, falava com seu público de gente pra gente, de igual pra igual, sem robotização. Começou sua carreira na Tv Cultura nos anos 50, passando a apresentar o programa Light Convida, que era um programa de entrevistas. Depois, ainda na Cultura, fez novelas: As Porfessorinhas, Escrava do Silêncio e O Moço Loiro. Foi para a Rede Bandeirantes, apresentando o programa Xênia e Você. Passaram pelo seu programa psicanalistas famosos, como José Ângelo Gaiarsa, o filósofo Huberto Rohden, o astrólogo Antônio Facciolo Neto, o professor De Rose, pioneiro de Yoga e muitos outros mestres. Depois de algum tempo, Xênia foi para a Rede Globo, quando esta lançou o famoso programa " TV Mulher". Ao seu lado estavam figuras exponênciais, como: Marta Suplicy, Clodovil Hernandez, Marilia Gabriela, Ney Gonçalves Dias, Ala Szerman e ela, Xênia Bier. depois ela passou para a Rede Manchete, onde ficou por pouco tempo.Em seguida, foi para a TV Gazeta, e fez o programa : " Mulheres". Saiu da televisão e começou a escrever. Escreve para a Revista Contigo e a revista eletrônica M de Mulher. Sempre polêmica, Xênia obrigava seus espectadores a pensar ...e assim faz muita falta na televisão brasileira.

Entre os sem-teto, Caetano Veloso diz ser a 1ª vez em que tem um show proibido desde a ditadura

Após ter tido o show cancelado por decisão judicial na Ocupação Povo Sem Medo em São Bernardo do Campo (SP), o cantor Caetano Veloso disse nesta segunda-feira (30) ser esta a primeira vez em que tem um show cancelado no Brasil desde a ditadura (desde 1985). Perguntado se era a primeira vez em que tinha um show cancelado durante o período democrático, Caetano respondeu: "Sim, é a primeira vez". "Eu vim ver [o acampamento] e cantar. Eu vivi o período oficialmente não democrático. Não é bom para mim", afirmou.

"Não sei dizer se foi censura, não sou um técnico. Mas dá impressão de que não é um ambiente democrático ", disse o cantor. "Pode ser um modo de reprimir uma ação que seria legítima." A Justiça Estadual de São Paulo emitiu uma liminar (decisão provisória) cancelando o show previsto para a noite desta segunda para membros da ocupação, que está há 45 dias acampada em um terreno na região central da cidade paulista. O cantor defendeu a legitimidade do movimento social. "Uma área urbana não pode ficar sem função social. [...] A invasão tem o sentido de exigir que a lei se cumpra", disse. Além do show de Caetano, havia a previsão das apresentações dos cantores Criolo e Emicida. Também acompanharam o ato as atrizes Letícia Sabatella, Sônia Braga, Alinne Morais, a cineasta Marina Person e produtora cultural e mulher de Caetano, Paula Lavigne. Como convidado do evento, Caetano alegou não poder comentar os aspectos jurídicos da decisão. Ele afirmou, contudo, que parecia haver uma "má vontade" para a permissão do show. "E, mais do que nunca, é preciso cantar porque há muitas dificuldades ". A multa imposta pela Justiça foi de R$ 500 mil. A decisão partiu da juíza Ida Inês Del Cid da 2ª Vara da Fazenda Pública de São Bernardo após o Ministério Público entrar com uma ação civil pedindo a não realização do show na tentativa de manter a integridade de todos os envolvidos.

A apresentação ocorreria em solidariedade às 8.000 famílias sem-teto que ocupam uma área de 70 mil metros quadrados em São Bernardo do Campo (SP) há 45 dias. O terreno fica na região central e vizinhas a prédios de classe média alta. Segundo o MTST, o terreno está abandonado há mais de 30 anos e com uma dívida de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) de aproximadamente R$ 500 mil. Perguntado sobre qual música dedicaria ao público do acampamento, Caetano afirmou que seria "Gente". A canção é famosa pelo verso "Gente é para brilhar, não para morrer de fome". Na decisão, a juíza destacou que a figura de Caetano Veloso atrairia um público que o local não suporta. "Seu brilhantismo atrairá muitas pessoas para o local, o que certamente colocaria em risco estas mesmas, porque, como ressaltado, não há estrutura para shows, ainda mais, de artista tão querido pelo público, por interpretar canções lindíssimas, com voz inigualável", diz o texto. Cumprindo a decisão do Ministério Público, a Prefeitura de São Bernardo do Campo afirmou ainda que Caetano Veloso pode se apresentar no município quando desejar, "desde que cumpra a legislação municipal com base na lei 5468 de 15/03/2007 como todos outros artistas sempre seguiram". Paula Lavigne, mulher e empresária do cantor, tentava desde o início da tarde a liberação dos equipamentos para a realização da apresentação.

"Eu não estou aqui para descumprir decisão judicial", afirmou a produtora cultural, confirmando o cancelamento. Ela disse que ainda vai tentar agendar a apresentação em outra data seguindo os critérios legais. Acompanhada de artistas que apoiam o movimento, Paula Lavigne chegou a ser recebida na prefeitura da cidade pela chefe de gabinete e secretários e, depois, seguiu para o Fórum de São Bernardo. A produtora cultural também fez questão de elogiar a ação da Guarda Municipal quando os equipamentos foram barrados, já que não houve conflito em nenhum momento. Para Marina Person, mesmo sem a apresentação de Caetano, a presença dos artistas no local já chama a atenção da causa social. "É importante que nós viemos e conhecemos como esse é um movimento pacífico. A nossa presença já diz que estamos juntos na mesma luta", disse a cineasta ao deixar o fórum e seguir para o terreno onde acontece a ocupação.

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