domingo, 17 de setembro de 2017

FALÊNCIA DA EDUCAÇÃO-SP tem quase 2 professores agredidos ao dia; ataque vai de soco a cadeirada-Governo é omisso

A cada dia, em média, quase dois professores são agredidos em seus locais de trabalho no Estado de São Paulo, mostram dados de registros policiais obtidos pela Folha por meio da Lei de Acesso à Informação. O número leva em conta as 178 queixas de educadores em delegacias no primeiro semestre deste ano em datas do calendário escolar (dias úteis do período de fevereiro a junho). Elas se referem a ocorrências de "vias de fato" (37%), como um empurrão sem maiores consequências, e ao crime de lesão corporal (63%).

Aconteceram em creches, escolas e universidades, tanto públicas como particulares. Há educadores atingidos com lixeiras, carteiras escolares, socos, chutes e pontapés. Em ao menos um de cada quatro casos, um aluno foi apontado entre os agressores -a maioria dos registros não identifica os responsáveis. O número real de ocorrências é provavelmente ainda maior, pois, em um terço dos casos, a profissão da vítima não é identificada no boletim. Sabe-se ainda que, em estatísticas de violência, é comum haver subnotificação, pois parte das pessoas não chega a procurar a polícia. A violência contra professores ganhou repercussão nacional nas últimas semanas com a imagem de Márcia Friggi, de Indaial (SC), fotografada com sangue no rosto após levar um soco de um aluno. A cena chamou a atenção para casos que se repetem todos os dias em todos os Estados. Em 2015, 23 mil professores do país relataram ter sido ameaçados por algum estudante da escola, segundo questionários da Prova Brasil, exame aplicado pelo Ministério da Educação.

Para especialistas, dois fatores se combinam para explicar as agressões. De um lado, está a violência que existe na própria sociedade. "Os conflitos transpassam o muro da escola e continuam ali", afirma Renato Alves, pesquisador do NEV (Núcleo de Estudos da Violência) da USP. "Crianças que vivem em ambientes violentos tendem a se relacionar de maneira pior com seus colegas e professores", completa Priscilla de Albuquerque Tavares, da FGV. Por outro lado, a desconexão entre o aluno e a escola agrava o problema, diz Bernard Charlot, que conduziu pesquisas sobre o tema para o governo francês e hoje é professor visitante na Universidade Federal de Sergipe. "Um aluno que passa cinco dias na escola desinteressado, sem ver sentido no que aprende, vira foco de tensão permanente. Com qualquer faísca, pode gerar incêndio.

" SOCOS E PONTAPÉS "
Quem é que sai para trabalhar pensando em tomar um soco na cara?" A pergunta não sai da cabeça do professor Márcio Gomes, 40, há mais de um mês. Na primeira quinta-feira de agosto, dia 3, ele sentiu um clima estranho já durante a aula, numa escola estadual da cidade de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. Ensinava equação de segundo grau quando um aluno que ele nunca tinha visto entrou na sala, pegou o celular de outro estudante e fez barulho no corredor ao sair. Advertido por uma funcionária, gritou palavrões e disse que iria dar um soco nela. Ao ouvir a ameaça, Márcio procurou a colega para alertá-la. Não imaginava que era ele quem iria, involuntariamente, entrar na estatística de professores atacados em seu local de trabalho. Naquele dia, menos de três semanas antes de a professora Márcia Friggi ser atacada em Santa Catarina, Márcio foi surpreendido no pátio pelo aluno desconhecido que entrara no meio da sua aula. "Ele estava sentado em um grupo", lembra. "Com um olhar fixo de raiva, levantou-se, veio até mim e começou a me dar socos e pontapés. Andei uns quatro metros para trás até escapar." O apagador que Márcio segurava quebrou. As pancadas atingiram sua cabeça e sua perna. O motivo do ataque o professor não sabe bem até hoje. Desconfia que o estudante, de 16 anos, possa ter ficado revoltado quando ele alertou a outra funcionária sobre a ameaça no corredor.

 DESPROPORÇÃO
A perplexidade dos professores agredidos ao lembrar o início do episódio de violência é comum em seus relatos. Por mais injustificável que seja o ato de violência em si, chama a atenção a desproporcionalidade entre a agressão e a desavença que a originou. Maria (nome fictício), 39, foi parar na UTI após um aluno reclamar que recebera a nota errada numa escola da zona leste de São Paulo. Professor de artes, Jeferson Siqueira, 49, foi golpeado com uma cadeira após repreender um jovem que havia batido o caderno com força na mesa num colégio na zona norte. Machucou antebraço, cotovelo e mão. Teve o dedo mindinho quebrado. Luciana Rocha Frias, 41, foi xingada aos gritos pela mãe de uma criança da rede municipal após um mal entendido sobre o tamanho do uniforme. Funcionários se colocaram na frente da professora para impedir a agressão. O fenômeno do "motivo fútil" já foi identificado em pesquisas sobre violência escolar de outros países, diz Bernard Charlot, professor aposentado da Universidade Paris 8 que conduziu estudos sobre o tema para o governo francês há duas décadas.

"Quando se analisam os casos, muitas vezes não se entende como uma coisa tão pequena gerou uma reação tão forte", diz ele, que hoje atua na Universidade Federal de Sergipe. "Mas, em geral, já havia uma questão maior antes do episódio de violência -não necessariamente ligada ao professor." No caso de Jeferson, por exemplo, o colégio tinha um problema com drogas. Dias antes, ele e o aluno que depois o agrediu haviam tido uma discussão. "Ele traficava dentro da escola e sentava perto da porta para cobrar as pessoas no corredor. Mandei ele fechar a porta, e ele ficou nervoso", afirma. Muitas vezes a agressão na escola também ocorre após uma sucessão de pequenos atos de incivilidade, de acordo com Renato Alves, pesquisador do NEV (Núcleo de Estudos da Violência) da USP e autor de estudos sobre o tema. Se a escola não tomar uma atitude que deixe claro que aquilo não pode ser feito, um xingamento e um bullying, por exemplo, podem redundar em um ataque físico. É importante notar, diz, que muitas vezes o ato de violência é só a ponta do iceberg de uma série de frustrações que explodem dentro da escola.

FRUSTRAÇÃO
Professor em Mogi das Cruzes, Álvaro Dias lista alguns acontecimentos recentes nas escolas da cidade, para ele sintomas da frustração com uma mesma gestão educacional fracassada: alunos jogaram verniz e urinaram em uma caixa-d'água; fizeram corredor polonês para agredir colegas; queimaram o carro de uma diretora; agrediram mais de uma professora. Fábia Morente, 41, foi uma delas. Com 20 anos de profissão, a docente entrou mais de uma vez na estatística. Os episódios começaram há alguns meses, após ela avisar uma colega que alunos haviam quebrado uma vidraça do colégio. Pouco depois, ela chegou em seu carro e descobriu que tinham descarregado no veículo todo o conteúdo de um extintor. Em abril deste ano, veio a situação mais grave, no meio de uma aula do 9º ano. "A porta da sala estava aberta. Eu só vi uma lixeira voando, e os alunos gritando: 'não!'." Não deu tempo de desviar. A lixeira -cheia- bateu na cabeça e no ombro de Fábia. Na última quarta-feira (13), ela decidiu voltar à delegacia, agora por causa de outro ataque. Dessa vez, a porta da sala estava fechada. Um aluno colocou uma bombinha no buraco da porta, e estilhaços atingiram seu ombro. "Recebemos uma cobrança enorme, mas não temos estrutura para trabalhar", reclama ela. Agressões não são o único problema enfrentado pelas professoras mulheres. Luciana (nome fictício) registrou queixas de outra ordem. Ela dá aulas de educação física em uma escola pública da periferia de Campinas (interior de São Paulo) e prefere não ser identificada. Conta que, no início do ano, alunos começaram a assediá-la. Ela passou de sala em sala e pediu respeito. Um mês depois, viu seu carro inteiro riscado de "canetão", com palavras como "gostosa" e desenhos obscenos. Até hoje não se sabe quem foi o autor -o que significa que ninguém foi punido. Educadora da rede municipal, Silvana Ferreira, 32, foi alvo de outro crime, também dentro da escola, uma unidade da rede municipal em Cidade Tiradentes (zona leste). Bandidos entraram no fim do dia, trancaram os professores em uma sala e levaram todos os pertences. "A gente até espera ser abordado na rua, mas não no seu local de trabalho", afirma.

CONSEQUÊNCIAS
Ainda que graves, poucos casos se comparam ao de Maria (nome fictício), que pediu para não ser identificada. "Rodo nela", escreveu em uma rede social um aluno de 16 anos após dar uma rasteira nela, em uma escola na zona leste de São Paulo. O ataque aconteceu após uma discussão sobre o registro da nota do estudante. Pega de surpresa pela rasteira, Maria caiu, bateu a cabeça e ficou mais de cinco minutos desacordada. No chão da escola estadual na zona leste de São Paulo, teve convulsões e ficou três dias em observação na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) de um hospital, com a costela trincada. Hoje, está bem de saúde. Mas tem medo e, com medo, não é mais a mesma na sala de aula, diz. "A minha matéria [matemática] não é a do professor mais bonzinho. A gente precisa de atenção, disciplina, que os alunos façam o exercício", afirma. "Mas não consigo mais ter a mesma autoridade. Se um aluno falasse que não ia fazer algo, antes eu insistia. Agora eu só respondo: 'tá' bom." Seu caso, ocorrido no fim do ano passado, causou comoção na rede estadual. Professores de diversos colégios foram trabalhar vestidos de preto. Alunos fizeram protestos e homenagens à professora. Em um dos cartazes, lia-se: "professores desmotivados, alunos prejudicados". A reação revela duas características da violência escolar. A primeira é que, ao contrário do que podem dar a entender números alarmantes, os atos são praticados e tolerados por uma minoria. "Os casos que ocorrem são muito graves, mas não significa que a escola virou um lugar onde predominam o medo e os ataques", diz Alves, do NEV/USP. A segunda característica é que, se os agressores são minoria, as consequências de seus atos atingem toda a escola. Aulas são interrompidas, profissionais adoecem e pedem licença, e alunos ficam sem professores. Atacada pela mãe da aluna, Luciana Rocha, 41, ficou dois anos afastada após o episódio, por motivos de saúde. "Não consigo mais entrar na sala de aula", diz. Ela hoje exerce funções administrativas, assim como Jeferson, que foi atacado com a cadeira em 2015. Desde que foi golpeado, ele toma medicamentos contra depressão e síndrome do pânico. Evita pegar ônibus na hora do almoço para não encontrar outros estudantes no transporte. Talvez até volte a lecionar, mas não tem certeza. Agredido há pouco mais de um mês em Bragança Paulista, Márcio voltou à sala de aula, mas em outra escola. Dessa vez, conta, foi ele que pediu desculpas aos estudantes -por não conseguir "se segurar" na sala. "Chorei por quase um minuto e meio na frente deles", afirma.

SOLUÇÕES
Apontados como fatores que influenciam a violência escolar, os problemas sociais e de segurança pública não se resolvem simplesmente por iniciativa das escolas. Na tentativa de uma solução interna, escolas de São Paulo têm apostado em ações de mediação de conflito. Na rede estadual, desde 2010, professores têm sido treinados para atuar em casos de ofensas, ameaças e agressões, inclusive com ações preventivas. A atuação desses profissionais tinha melhorado a situação da violência, diz Maria Izabel Noronha, dirigente da Apeoesp (sindicato dos professores da rede estadual). Segundo ela, porém, parte do quadro desses profissionais foi cortada pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB). Chefe de gabinete da secretaria de Educação, Wilson Levy rebate a informação e afirma que houve uma junção desse programa com outro, de escola da família. Segundo ele, a pasta anunciará em breve um programa para aumentar o número de professores mediadores na rede, com foco nas regiões com maior vulnerabilidade social do Estado. "Mas é preciso lembrar que o que acontece na escola é um sintoma", afirma. "A violência está na sociedade."

Marcelo Rezende: O dia em que a Record esperou por um milagre

A Record estava preparada desde a manhã deste sábado para anunciar a morte de Marcelo Rezende, o que só aconteceu às 19h12, durante o Cidade Alerta. Nos bastidores da emissora, no entanto, muita gente ainda acreditava em um "milagre". Apesar de ter apresentado a falência de órgãos como rins e fígado na sexta (15), os pulmões e coração de Rezende resistiam bravamente durante o dia. Encarregado de dar a notícia da morte, o apresentador Reinaldo Gottino estava de plantão nos estúdios da Record, em São Paulo, desde as primeiras horas da manhã. O repórter Eduardo Ribeiro também estava a postos para entrar ao vivo a qualquer momento diretamente do Hospital Moriah, onde Rezende estava internado desde a última terça.

A operação da Record mobilizou dezenas de profissionais. Todos ficaram atentos durante todo o dia. No final da tarde, no entanto, chegou a informação de que Rezende tinha apresentado uma sensível melhora, que respirava com mais qualidade do que de manhã. Era o "milagre". Pouco tempo depois, contudo, veio a confirmação da morte. A Record teve um comportamento discreto, para seus padrões, ao tratar da doença de Rezende. Depois de uma entrevista no Domingo Espetacular, em maio, anunciando o câncer, a doença só foi lembrada em algumas ocasiões. Nos últimos dias, a pedido da família, não noticiou o agravamento do estado de saúde.
Leia a seguir a nota oficial da Record:
A Record TV informa com grande pesar o falecimento de Marcelo Rezende, neste 16 de setembro de 2017, no Hospital Moriah, zona sul de São Paulo. Transmitimos nossas sinceras condolências ao familiares e amigos do jornalista com o qual tivemos a honra e o privilégio de trabalhar e que atuou com tanto brilhantismo em nossa programação.
O apresentador estava afastado do Cidade Alerta desde maio, quando descobriu um câncer no pâncreas e no fígado. Ele estava no comando do programa desde 2012 e ali imprimiu a sua marca, expondo os problemas de segurança pública do país com a coragem que sempre pautou sua trajetória, transformando o Cidade Alerta em um importante canal de denúncias. "Esse jornalismo que eu e alguns companheiros fazemos é o jornalismo que revela as mazelas do país", disse ele.

Com mais de 40 de carreira, Marcelo Rezende deixa um grande legado ao jornalismo do Brasil e da Record TV. Sua trajetória foi sempre guiada pela coragem em tocar em feridas sociais. Do flagrante de abuso policial na Favela Naval, em Diadema (SP), à corrupção no futebol, passando pelos inesquecíveis depoimentos de Francisco Assis Pereira, o Maníaco do Parque, e do ex-goleiro Bruno. Rezende foi um repórter investigativo de raro talento e um apresentador polêmico que não tinha medo de expor suas opiniões. Alguns dos episódios mais marcantes de sua carreira ele narrou no livro Corta pra Mim, lançado em 2013 pela editora Planeta, que tornou-se rapidamente um best-seller. Rezende iniciou sua carreira na mídia impressa, aos 17 anos, no Jornal dos Sports, em sua cidade natal, no Rio de Janeiro, e atuou como jornalista esportivo por um longo período. Atuou no jornal O Globo e em seguida na Revista Placar, da editora Abril, até que, por fim ingressou na televisão, em 1988, quando foi trabalhar no Globo Esporte. A carreira sofreu uma guinada quando foi designado para fazer reportagens investigativas. Em 1999, fez parte da equipe de criação do Linha Direta, do qual tornou-se apresentador. Na Record TV, o jornalista apresentou o Cidade Alerta em duas ocasiões, entre 2004 e 2005, e de 2012 a 2017, além de ter comandado o Repórter Record e o quadro A Grande Reportagem, exibido pelo Domingo Espetacular. Trabalhou também na RedeTV! onde apresentou o Repórter Cidadão e o RedeTV! News. Na Band esteve a frente do Tribunal na TV. No dia da estreia do novo Cidade Alerta, em 2012, Marcelo deu o tom do que o telespectador poderia esperar: "Nós não temos amigos, nem inimigos. Trabalhamos para o interesse público, o interesse da comunidade, o interesse da sociedade". Nessa nova fase do Cidade Alerta, a carreira do Marcelo também foi marcada pela inusitada interação com a equipe de jornalistas espalhada pelo Brasil. Descontração e alegria que contagiaram milhões de brasileiros e marcaram uma nova alternativa de informar os telespectadores.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Famosos lamentam a morte da atriz Rogéria

A notícia sobre a morte da atriz Rogéria surpreendeu a todos e os artistas já começaram a escrever mensagens de despedida nas redes sociais. Walcyr Carrasco, Angela Leal e Mariana Godoy foram alguns deixaram seus recados. Rogéria faleceu na noite desta segunda-feira, 4, após ficar internada no Rio de Janeiro.

Marisa Orth - Rogéria.. Minha amiga. Grande Artista.. é muito, muito boa gente. Vou sentir a sua falta.

Sabrina Sato - Rainha! Precursora do movimento LGBT! Atriz talentosa! Cantora brilhante! Ícone fashion! Defensora dos gays e das mulheres. Artista completa! Inspiradora! Linda Estrela Rogéria, vai brilhar pra sempre nos nossos corações!
Cissa Guimarães - Amiga mais que querida, preciosa, segue no tua Luzzzzzz, que é Eterna! Salve Rogéria! Obrigada por tanta Alegria e aprendizado!

Mateus Solano - Um exemplo de coragem e de autenticidade. O tipo de ser humano que nasceu para empurrar o mundo para frente. Rogéria irá fazer muita falta!
Daniela Mercury - Ela me chamou de corajosa quando anunciei que estava casada com Malu e a chamei de esposa. Queria dizer que corajosa foi você, Rogéria! Tão à frente do mundo! Tão atual sempre. Uma diva! Meus aplausos para você nessa sua partida!!!!
Ana Furtado - Rogeria, você deixará muita saudade no meu coração. Admiração eterna
Kiko Mascarenhas - Ela venceu o preconceito e conquistou o respeito e a admiração de todos por ser autêntica, inteligente, culta, educada e talentosíssima - Rogéria, mon amour, você partiu hoje mas seu brilho há de permanecer na memória daqueles que tiveram a sorte de te conhecer e nos corações dos muito fãs que te amam. Descanse em paz Angélica - Mais uma grande Estrela no céu ...

Fafá de Belém - Vá em paz, Rainha Rogéria. Que Nossa Senhora te receba. Estaremos sempre aqui te aplaudindo e agradecendo por tudo!
Leandro Hassum - Que DEUS te receba com a mesma alegria que sempre passou para todos. Querida e amada Amiga.
Amaury Jr - Como assim Rogeria partiu? Difícil acreditar que ficaremos órfãos de sua irreverência, talento e alegria! Algumas das mais tradicionais festas que cobrimos com o programa não terão a mesma graça. Rogéria, nascida Astolfo, foi uma das primeiras transformistas brasileiras, quebrou tabus, lutou, inspirou e fez história. Nunca será esquecida. RIP
Marco Antonio de Biaggi - Ela costumava dizer : NÃO NASCI EU ESTREEI ! Descanse em paz ROGÉRIA! RIP
Viviane Araújo - Diva! Maravilhosa! Brilhe no céu!
David Brazil - Descanse em paz, obrigado, muito obrigado por ABRIR OS CAMINHOS PARA NÓS!
Murilo Rosa - Uma artista talentosa, premiada e determinada. Uma bela trajetória. Fiquei triste. Que descanse em paz Bárbara Paz - “A mulher não é o órgão genital, a mulher está dentro de mim. Esse jeito de mulher ninguém me ensinou, nasci assim, ...ROGÉRIA

Walcyr Carrasco - Rogéria morreu. Foi uma pioneira. Conseguiu ser famosa num mundo preconceituoso. Eu a conhece pessoalmente e garanto, tinha o brilho da estrela que sempre foi. Viva Rogéria!
Maria de Medicis - Amada Rogeria, o mundo perde muito glamour e alegria com a sua partida! Mariana Godoy - Essa alegria vai fazer falta. Querida Rogéria, descanse em paz
Angela Leal - Minha Amiga Rogéria a Diva mais Divina! Acaba de partir! Vai querida em paz! A eternidade te aguarda de braços abertos! Triste estou!
Marcelo Medici - Conheço Rogéria desde sempre, pois já era reconhecida muito antes de eu nascer, mas fui conhecê-la pessoalmente há dez anos. tive o prazer de bater altos papos com ela no La Fiorentina... culta, divertida, perspicaz. depois tive a honra de te-la na plateia do meu Cada Um, e a alegria maior de vê-la em cena, no espetáculo Se7e: atriz grandiosa, dama dos palcos, artista até o último fio de cabelo louro. lindo legado. BRAVO!
Cacau Protásio - Eu tive o prazer de conhecer, de conversar e receber um elogio tão maravilhoso que trago pra min até hoje, o céu hoje está em festa, pois está recebendo uma pessoa linda, maravilhosa, inteligente, sensível e pra lá de especial @estrelarogeria descanse em paz! Fará falta aqui entre nós! Seu lugar no céu já está garantido!

Alinne Prado - Depois de um dia tão legal, finalizo com essa notícia tão triste. Só mostra que a vida é trem bala mesmo. Nessa foto eu e @adrianopintoc gravamos uma matéria especial com ela. Conheci Rogéria numa festa do Copa Palace. Ela é irmã do meu querido amigo @flavio_barrozo. Me recebeu na festa dizendo que eu era uma testuda poderosa. E que era para ter orgulho da minha testa. Rs. Coisas de Rogéria. Virou uma entusiasta minha, e eu já era fã dela. A ultima vez que falei com ela eu estava em SP e pedi desculpas por não ter ido ao lançamento do livro (biografia dela que devorei em dois dias). Ficamos quase 40 minutos ao telefone. Ela me dizendo das peripércias da vida dela (algumas q estavam no livro). Eu falando das minhas circunstâncias do momento. E ela me deu uma injeção de ânimo. Rogéria era pós graduada em VIDA. Ela realmente soube viver. E vai deixar uma saudade danada. Obrigada, amada @estrelarogeria. Vou sentir muito sua falta! @flavio_barrozo, toda força do mundo para vc!
Walério Araújo - Rogéria...sempre presente nos meus grandes momentos...meu desfile...minhas histórias!!!
Leona Cavalli - VIVA minha amiga Rogeria!!!! Para sempre, onde quer que esteja, maravilhosa, estrela eterna!!!! Com ela se vai uma Era. Que seu caminho continue cheio da luz que tanto brilhou nela!!!

TV PELO ESPECTADOR: LUTO NA ARTE-Morre atriz Rogéria aos 74 anos no Ri...

TV PELO ESPECTADOR: LUTO NA ARTE-Morre atriz Rogéria aos 74 anos no Ri...: Morreu na noite esta segunda-feira a atriz Rogéria, aos 74 anos. Segundo o biógrafo e amigo Mario Paschoal, Rogéria faleceu por volta das 22...

LUTO NA ARTE-Morre atriz Rogéria aos 74 anos no Rio de Janeiro

Morreu na noite esta segunda-feira a atriz Rogéria, aos 74 anos. Segundo o biógrafo e amigo Mario Paschoal, Rogéria faleceu por volta das 22h15, no Hospital da Unimed-Rio, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio.

Após ser internada com infecção urinária, a atriz teve uma crise convulsiva e foi vítima de choque séptico. De acordo com Mario Paschoal, a atriz estava aguardando melhora para poder realizar uma operação nos rins, mas seu quadro se agravou, provocando problemas cardíacos e uma infecção generalizada. — Ela estava aguardando para fazer uma operação nos rins, mas o quadro se agravou. Ela chegou a ter problemas cardíacos.

O empresário dela está cuidando de tudo. Engraçado que na primeira vez que ela foi internada, eu me preocupei muito. Dessa vez, estava mais tranquilo e aconteceu isso. Vai fazer muita falta — lamentou. Foi na adolescência que Astolfo Barroso Pinto descobriu que gostava mesmo era de se vestir de mulher.

Ainda na infância, já descia as escadas como se estivesse usando um vestido longo imaginário. Aos 14 anos, no carnaval, caracterizou-se pela primeira vez como mulher — maiô, saia e um chapéu. Não precisava de peruca nem maquiagem para se sentir feminina.

Deixando Astolfo para trás, renasceu Rogéria — e, em pouco tempo, iria se tornar um ícone do mundo gay, a transformista mais emblemática do país.Livre do nome masculino, com o qual a haviam batizado em 1943, Rogéria brilhou.

Primeiro na Rádio Nacional, frequentando os programas de Emilinha Borba, sua maior referência artística. Em plena ditadura militar, aproveitando o surgimento das vedetes travestis, destacou-se como vedete nas boates de Copacabana e em apresentações consideradas lendárias no Teatro Rival. Em 1964, autou no primeiro espetáculo nacional de transexuais, “Les Girls”. Dirigido por João Roberto Kelly, trazia letras como:

“Ser mulher é muito fácil para quem já é, mas pra quem nasce para ser João é um sacrifício a transformação”. Depois de passar um período como maquiadora na TV Rio, que funcionou como uma escola de artes dramáticas pela convivência com atores e diretores, firmou-se nas artes dramáticas.

No cinema, filmou com grandes cineastas: Eduardo Coutinho em “O homem que comprou o mundo” (1968), Julio Bressane em “O gigante da América” (1978), e José Joffily em “A maldição de Sampaku” (1991). Em 1979, venceu um Troféu Mambembe (um dos prêmios mais importantes para a produção cultural na época) pela atuação na peça “O desembestado”, contracenando ao lado de Grande Otelo.

Participando de programas de TV, Rogéria apresentou o universo do transformismo a um público mais amplo, tornando-se a “travesti da família brasileira”, título cunhado por ela próprio. Foi jurada em programas de auditório de grande audiência, como o “Cassino do Chacrinha”. Travesti na TV era uma novidade — e o pioneirismo foi bem aceito. Seu carisma e talento ajudaram a quebrar o preconceito, em uma época em que homens só podiam se vestir de mulher na rua durante o carnaval.

Ainda assim, não foi presa nem precisou se exilar durante a ditadura. Rogéria não quis fazer cirurgia para mudar o sexo e nunca injetou silicone para alterar o corpo. A artista, que dizia não se preocupar com discussões sobre representatividade LGBT, era conhecida por sair no braço com os colegas homofóbicos. — Engajada? Eu preciso ser engajada? Eu sou o engajamento em pessoa! Se as outras travestis estão aí, agradeçam a mim, que sou uma bandeira, e os brasileiros gostam de mim — disse ela, em entrevista ao GLOBO no ano passado, quando lançava sua biografia “Rogéria — Uma mulher e mais um pouco”, escrita por Márcio Paschoal. Além da biografia lançada em 2016, Rogéria fez parte do grupo de travestis e transexuais retratado no documentário “Divinas divas”, dirigido por Leandra Leal. O velório de Rogéria acontecerá no Teatro João Caetano, no Centro do Rio: das 11h até as 13h para parentes e amigos, e das 13h às 18h para os fãs que quiserem prestar a última homenagem à artista.

Rogéria será sepultada no município de Cantagalo. As informações foram postadas pela atriz Leandra Leal em sua página numa rede social. Rogéria, nascida Astolfo Barroso Pinto (Cantagalo, 25 de junho de 1943 — Rio de Janeiro, 4 de setembro de 2017). Foi maquiadora na extinta TV Rio e vedete. Morou no exterior, apresentando vários shows, e em 1979 recebeu o Troféu Mambembe, pelo espetáculo que fez ao lado de Grande Otelo. Rogéria nasceu em Cantagalo, no interior do estado do Rio de Janeiro, a mesma cidade de outra figura célebre - como declarou, “Em Cantagalo, nasceu a maior bicha do Brasil – no caso, eu – e o maior macho do Brasil, Euclides da Cunha”. Desde sua infância tinha consciência da homossexualidade e na adolescência virou transformista e assumiu uma carreira de maquiadora. Antes disso, virou figura assídua no auditório da Rádio Nacional, particularmente nos programas estrelados pela cantora Emilinha Borba e de quem era fã incondicional.

Ao vencer um concurso de fantasias no carnaval de 1964, tentaram renomeá-la de Astolfo, "que fazia demais a ‘linha executivo’", para Rogério, que levou o público a gritos de "Rogéria", inspirando o nome artístico dela.


Em 8 de agosto de 2017, Rogéria se internou no Hospital Unimed Barra, na Zona Oeste do Rio, com um caso de infecção urinária. Faleceu no dia 4 de setembro, depois de uma complicação após uma crise convulsiva. O Hospital Unimed-Rio informou que a causa da morte de Rogéria foi um Choque séptico. Rogéria começou sua carreira como maquiadora da TV Rio, e ao conviver com inúmeros atores célebres teve o que descreveu como equivalente de uma estadia no Actors Studio, sendo estimulada a interpretar. Sua estreia ocorreu em 29 de maio de 1964, em um notório reduto gay de Copacabana, a Galeria Alaska.

Figura frequente no cinema brasileiro, participou também como jurada em vários programas de auditório nas últimas décadas, de Chacrinha a Gilberto Barros e também Luciano Huck. Rogéria foi coreógrafa da comissão de frente da Escola de Samba São Clemente, representando Maria, a louca, num enredo que tratava dos 200 anos da vinda da família real ao Brasil. Em sua passagem, foi recebida com carinho pelo público.


Em 2016, lançou sua biografia Rogéria – Uma mulher e mais um pouco, de Marcio Paschoal. Foram muitas as incursões de Rogéria nos palcos do Brasil e do mundo. Foi vedete de Carlos Machado e em 1979 ganhou o Troféu Mambembe por uma peça que fazia com Grande Otelo.[2] Em fevereiro de 1976, participou de um espetáculo chamado Alta Rotatividade – comédia na qual contracenava com a atriz Leila Cravo e os atores Agildo Ribeiro e Ary Fontoura. No ano de 2007, estreou o espetáculo 7, O Musical, sob a direção de Charles Möeller e Cláudio Botelho. No espetáculo, atua ao lado de Zezé Motta, Eliana Pittman, Alessandra Maestrini, Ida Gomes, Jarbas Homem de Mello e outros. O espetáculo estreou em São Paulo no ano de 2009. Desde 2004 ao lado da atriz Camille K, faz uma peça com outros notórios transformistas no Teatro Rival do Rio, Divinas Divas, que ficou dez anos em cartaz. A produção inspirou um documentário homônimo dirigido pela atriz Leandra Leal.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

TV DIGITAL-CIDADES DA REGIÃO DE CAMPINAS-SP CORREM RISCO DE GRANDE APAGÃO

As cidades da região de Campinas em SP tinham fixado o desligamento do sinal analógico de tv para a data de 29 de Setembro próximo.
Alegando dificuldades "técnicas" para liberar o sinal em alta definição,as emissoras solicitaram o adiamento do prazo e o governo fixou a data definitiva para 2 meses depois,ou seja,em 29 de Novembro deste ano.Mesmo assim as perspectivas para a implantação do sinal HD nessas cidades se encontram pessimistas, longe de poder cumprir o prazo fixado.Em contato com as emissoras pendentes,nenhuma conseguiu dizer quando realmente poderão abrir a transmissão digital em 90% dos municípios.
Por exemplo,no caso do município de AMPARO,das 13 emissoras autorizadas a transmitir em sinal de alta definição,somente 3 emissoras estão com os canais em HD no ar-EPTV CAMPINAS,VTV SBT CAMPINAS e REDETV.Segundo as previsões,esse cenário deve perdurar...Se isso acontecer,a cidade poderá ficar sem o sinal de 10 redes de tv a partir de 30 de novembro..

domingo, 20 de agosto de 2017

Morre aos 91 anos Jerry Lewis, um dos maiores comediantes da história

Jerry Lewis, um dos comediantes mais famosos da cultura pop, morreu na manhã deste domingo (20), em sua casa em Las Vegas, aos 91 anos. A notícia foi dada pelo jornalista John Katsilometes, do "Las Vegas Review-Journal" e confirmada pelos veículos "Variety" e "The Hollywood Reporter". Ainda não foi divulgada a causa da morte, mas Katsilometes reproduziu um anúncio da família de Lewis em seu Twitter particular, dizendo que o "lendário Jerry Lewis morreu de causas naturais" e com "a família ao seu lado". 

O ator deixa a mulher, a atriz SanDee Pitnick, e seis filhos. Lewis tornou-se o maior comediante do showbusiness durante a década de 1950, numa parceria de sucesso com o ator e cantor Dean Martin, com quem fez diversos longas, como "O Meninão" (1955) e "Farra dos Malandros" (1954). Mesmo com a dupla separada, Lewis protagonizou sucessos e dominou os cinemas nos anos 1960 com "O Mensageiro Trapalhão" (1960) e "O Mocinho Encrenqueiro" (1961). O ator gostava dos personagens duplos (ou múltiplos), e nada poderia ser mais adequado a esse gosto do que interpretar Dr. Jekyll e Mr. Hyde. Ou, em versão comédia, o professor Kelp e Buddy Loveem "O Professor Aloprado" (1963). Um é químico genial, feio e desajeitado que inventa um jeito de se transformar num galã. É sua obra mais genial, em que foi diretor (completo, ele entendia muito disso) e ator. Nela, o drama de ser humano, de crescer, de falhar é posto em evidência –é o que o torna mais que um fenômeno passageiro. Em "Bagunceiro Arrumadinho" (1964), Lewis viveu um enfermeiro que não suporta ouvir falar em doenças. Trata-se, por sinal, de um dos grandes momentos do ator, no tipo que o consagrou como um dos grandes do burlesco: o inapto, o incapaz de se integrar ao mundo, tão americano, dos vencedores.

A obra tem talvez a "gag" mais famosa de sua carreira, a da maca que sai enlouquecida sai pelas ladeiras. Seu humor mais físico foi menosprezado no início entre os colegas americanos, mas o público ia em massa ver os trabalhos do comediante. Ganhou mais prestígio, ironicamente, na Europa, ao ser premiado na França, Itália, Bélgica e Espanha, e ser citado como gênio por diretores de vanguarda na época, como Francois Truffaut e Jean-Luc Godard. Nos anos 1980, tentou mostrar seu lado mais dramático em "O Rei da Comédia" (1982), filme de Martin Scorsese que foi rejeitado pelos fãs da comédia pastelão de Lewis.

Lewis já havia passado por problemas de saúde ao longo dos anos, antes de sua semi-aposentadoria, em Las Vegas. Passou por uma cirurgia no coração em 1983 e outra para tratamento de um câncer, em 1992. Passou por uma reabilitação, em 2003, para se curar do vício em drogas legais, teve um ataque do coração em 2006 e possuía fibrose pulmonar, uma doença respiratória crônica que exigia remédios poderosos para ser controlada. Além de ter dirigido vários dos seus sucessos cômicos, ter sido indicado o Nobel da Paz de 1977 pelos seus esforços por trás do Telethon, programa pioneiro na arrecadação de recursos via televisão, Lewis também queria o Oscar que apresentou em duas ocasiões (1957 e 1959), mas que nunca venceu como ator ou diretor -ele ganhou o prêmio humanitário em 2009. Era seu objetivo com o controverso "The Day the Clown Cried", que fez em 1972 achando que "A Academia não poderá ignorar esse filme". Mas foi o próprio Lewis que se censurou. Achando que o resultado final da trama –um palhaço que tenta ajudar os prisioneiros de um campo de concentração ao replicar um espetáculo circense– era um "trabalho pobre", o diretor e ator colocou o projeto no cofre e nunca exibiu o longa. Uma cópia estaria na Biblioteca do Congresso dos EUA, mas não se sabe qual foi a exigência do artista para a exibição pública. Ao longo da primeira metade dos anos 1950, Dean Martin e Jerry Lewis estiveram entre as maiores bilheterias do cinema, produziram uma série televisiva de sucesso e se viraram um fenômeno cultural. A química era simples e forte: o cantor seguro de si e o comediante endiabrado, o polido irmão mais velho e o moleque aloucado. Nos números ao vivo, Lewis improvisava sem parar, jogava água na plateia ou apagava as luzes da sala, enquanto Martin simplesmente sorria e continuava cantando, com o rosto iluminado pela chama de seu Zippo folheado a ouro.

A parceria acabou uma década depois. Martin, cujo nome vinha em primeiro lugar nos créditos, se cansou de ser "escada", e Lewis, que cuidava dos negócios da dupla, estava cansado da relutância de seu parceiro em estender o alcance de suas atividades. Os dois criaram carreiras solo de sucesso, mas Lewis continuou a parecer preocupado, ou até mesmo culpado, por Martin não ter recebido reconhecimento na época. Em 1976, depois de 20 anos sem se falarem, os dois se reuniram no palco de um programa de TV. Mas uma reaproximação real só ocorreu após a morte de Dino, o filho de Martin, em um acidente de avião em 1987. Em 2013, Jerry Lewis fez uma participação na comédia "Até que a Sorte Nos Separe 2", que estreou no maior número de salas da história do cinema brasileiro até então. Para acertar a participação dele, os produtores do filme entraram em contato com uma de suas noras, que é brasileira. O comediante faz um carregador de malas, papel que já havia interpretado antes no filme "O Mensageiro Trapalhão" (1960), escrito, produzido, dirigido e protagonizado por ele. À Folha o ator disse que a dificuldade dos tempos atuais para fazer comédias é a mesma dos anos 1950, quando começou a fazer sucesso. Do começo de sua carreira, diz sentir mais falta do seu parceiro, o também comediante Dean Martin. "É difícil achar um bom roteiro de comédia, é por isso que eu costumava escrever meus próprios filmes", afirmou à época. "Para manter sua qualidade, a comédia precisa de um bom roteiro e bons comediantes. Não importa quando ou como."

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Após nude vazado, Victor V, do “MasterChef”, se casa com francês

Na semana em que teve um nude vazado nas redes sociais, Victor V, participante do “MasterChef Brasil”, da Band, deu um novo passo no relacionamento com o francês Olivier em Cap-d’Ail.

O cozinheiro da quarta temporada do reality teve uma cerimônia de casamento na França, neste sábado (29). A festa contou com a presença, inclusive, da concorrente Deborah Werneck e de alguns ex-participantes do programa da Band, como Nayane Barreto e Abel Chang. O DJ Rapha Lima, amigo do noivo, resumiu a união dos dois: “Primeiro casamento gay que vou na vida, e é o primeiro casamento que me emociono. Geralmente quase durmo! Vida longa ao casal! Viva o amor”.

Cabe lembrar que Victor e Olivier já são pais de um menino com um casal de amigas lésbicas, as americanas Nami Hall e Azsa West.

Morre atriz francesa Jeanne Moreau aos 89 anos

Jeanne Moreau, uma das mais famosas atrizes do cinema francês, morreu aos 89 anos, segundo anunciou a agência France Presse nesta segunda-feira (31). Seu corpo foi encontrado em casa em Paris.

Moreau, que atuou em mais de cem filmes durante uma carreira de 65 anos, incluindo "Jules e Jim", de François Truffaut.Filha de um barman francês e de uma bailarina britânica, depois de passar parte de sua infância em Vichy, concluiu o curso secundário em Paris e começou a estudar teatro com Denis d'Inès.

Seis meses depois, iniciou sua formação de atriz clássica no Conservatório de Paris. Na Comédie Française, estreou no final de 1950, com a peça "Les Caves du Vatican", de André Gide, sob a direção de Jean Meyer, onde fez o papel de uma prostituta. Sua atuação lhe valeu uma capa do Paris Match e as felicitações de Paul Léautaud. Em seguida, foi chamada para representar o papel de outra prostituta, dessa vez em Othello, com Aimé Clariond no papel principal. Deixando a Comédie Française, entrou para o Théatre National Populaire de Jean Vilar. Em seguida, aceitou o conselho de Gérard Philipe para fazer mais um papel de prostituta na peça de Anna Bonacci, "L'Heure Éblouissante", sob a direção de Fernand Ledoux. No cinema, Jeanne Moreau estreou em 1948 no filme "Dernier Amour", de Jean Stelli, num papel secundário. Nos anos que se seguiram, atuou em diversas películas até que, em 1958, com os filmes de Louis Malle, "Ascensor Para o Cadafalso" e "Os Amantes", alcançou definitivamente o estrelato, dando início a uma brilhante carreira internacional ao lado de grandes cineastas que vão, além de Malle, de François Truffaut a Luís Buñuel, passando por Michelangelo Antonioni, John Frankenheimer e Orson Welles, sem jamais abandonar o teatro.

Além de ser considerada uma das melhores atrizes francesas de todos os tempos, tanto no teatro quanto no cinema, onde atuou em mais de 120 filmes, Jeanne Moreau é também roteirista e cineasta, tendo realizado três filmes, "Lumière", em 1976, "L'Adolescente", em 1979, e "Lillian Gish", em 1983. Nos anos 80, paralelamente à sua carreira no cinema e no teatro, ela se dedicou à música e à televisão, onde participou de telefilmes e apresentou programas sobre pintura. Nos anos 90, investiu mais em teatro em detrimento da televisão. Jeanne Moreau casou-se três vezes, inicialmente com Jean-Louis Richard, em 1949, em seguida com Teodoro Rubanis, em 1966, e finalmente, com William Friedkin, em 1977, de quem se divorciou dois anos depois.

domingo, 9 de julho de 2017

Morre e atriz italiana Elsa Martinelli aos 82 anos

Elsa Martinelli nasceu Elsa Tia em 03 de agosto de 1932, em Grosseto, Itália. Ela começou a carreira como modelo em Roma e estreou no cinema italiano em um pequeno papel em Se Vincessi Cento Milioni (1953).

Em 1953 mudou-se para os Estados Unidos, em busca de uma carreira como atriz e modelo. Tinha apenas 20 dólares no bolso e não sabia falar inglês. Após um tempo trabalhando como modelo, o ator Kirk Douglas a viu em uma capa de revista e a convidou para estrelar A Um Passo da Morte (The Indian Fighter, 1955), com ele. No mesmo ano, ganhou o Urso de Prata de Melhor Atriz no Festival de Berlin por seu papel em Donatella (Idem, 1955) de Mario Monicelli. Desde então dividiu sua carreira entre a Europa e Estados Unidos, atuando em sessenta filmes, entre os quais Hatari! (Idem, 1962), com John Wayne; O Processo (Le Procès, 1962), com Anthony Perkins; Gente Muito Importante (The V.I.P.s, 1963), com Elizabeth Taylor e Candy (Idem, 1968) com Marlon Brando e Ringo Starr.

Em 1956 casou-se com um conde italiano, deixando a carreira de atriz de lado (atuando esporadicamente), passando a ser mais conhecida como personagem do jet-set internacional. Na década de oitenta, trabalhou como decoradora para os ricos e famosos. Elsa Martinelli faleceu em Roma em 08 de julho de 2017, aos 82 anos.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Roger Moore, ator de '007', morre aos 89 anos

O ator Roger Moore, famoso por seu papel como James Bond na franquia de filmes "007", morreu aos 89 anos nesta terça-feira (23) na Suíça.

A família do ator enviou um comunicado pelo Twitter e afirmou estar devastada. Ele estava em tratamento contra um câncer. "É com o coração pesado que nós anunciamos que nosso amado pai, Sir Roger Moore, faleceu hoje na Suíça após uma curta, mas brava, batalha contra câncer. O amor com que ele foi cercado em seus dias finais foi tão grande que não pode ser quantificado apenas em palavras”, escreveram seus filhos Deborah, Geoffrey e Cristian. Moore era casado com Kristina Tholstrup desde 2002. Segundo a família, Moore será velado em uma cerimônica privada em Mônaco Nascido em Londres em 1927, Moore trabalhou como modelo até o começo dos anos 1950. Depois disso assinou um contrato de sete anos com a MGM, mas suas produções iniciais não fizeram muito sucesso. A fama só veio com seu papel como Ivanhoé, na série britânica “O Santo”, entre 1962 e 1969, e como Brett Sinclair, em “The Persuaders”. A carreira como James Bond começou em 1973, no filme “Só Viva e Deixe Morrer”. Moore tinha a árdua missão de substituir Sean Connery, que encarnou o espião por quase uma década. Moore interpretou o 007 em sete filmes e foi o ator a encenar o agente secreto por mais tempo: durante 12 anos. Após “Live and Let Die (Só Viva e Deixe Morrer)”, veio a repetição do personagem em “The Man with the Golden Gun (007 contra o Homem com a Pistola de Ouro”, em 1974; “The Spy Who Loved Me (O Espião que me amava)”, de 1977; “Moonraker (007 contra o Foguete da Morte)”, de 1979; e “For Your Eyes Only (007 - Somente para Seus Olhos), de 1981.

Roger Moore se despediu do personagem em 1985, com “A View to a Kill (Na Mira dos Assassinos)”. Embora tenha dezenas de filmes no currículo, Moore era tratado como "eterno 007". Mas o título não incomodava o ator. "Ser eternamente conhecido como Bond não têm desvantagem”, afirmou Moore em 2014. “As pessoas às vezes me chamam de ‘Sr. Bond’ quando eu estou fora e eu não me importo nada com isso. Por que eu deveria?” Além de sua vida diante das câmeras, Moore era conhecido por suas obras de caridade. Ele participava de várias ações para arrecadar fundos que seriam doados aos mais necessitados. Por esse trabalho, o ator foi escolhido como embaixador da boa vontade da Unicef. Em 1991,

Moore visitou o Brasil para dar ao ator Renato Aragão o título de representante da Unicef no país. Além disso, por seu trabalho na agência da ONU, o ator foi condecorado pela rainha Elizabeth II como Cavaleiro do Império Britânico em 1999 e passou a ser Sir Roger Moore.

domingo, 14 de maio de 2017

ELIS REGINA-entrevista histórica viraliza na Web

Elis - A Equilibrista

ELIS REGINA - O MITO·QUINTA, 11 DE MAIO DE 2017

FOLHETIM - Durante muito tempo você se recusou a fazer o "Fantástico", a fazer apresentações em televisão no esquema da Globo. O que é que aconteceu agora? Mudou a Elis, mudou o "Fantástico", mudou a Globo, o que é que mudou?

ELIS REGINA - Bom, mudou uma porção de coisas, principalmente a Elis mudou de gravadora. Quando eles me propuseram fazer uma série de coisas em televisão, eles perceberam que eu fiquei meio arredia. Não estava muito a fim de transar, não fiquei apaixonada pela idéia. Aí, eles me perguntaram por que e eu falei que tinha sido uma certa atitude adotada, por nós todos, fazer o possível e o impossível pra não fortalecer essa condição da Globo, de ser a única em que todo mundo vai. Era prá gente procurar fazer outro tipo de televisão, outros canais de televisão, como uma alternativa. Porque a figura da Globo é uma figura muito forte, onipresente, onipotente. Aí pintou a pergunta assim: mas quem são os que não estão fazendo? E foi exatamente nessa hora que eu me dei conta de que estava todo mundo fazendo, só a Elis que não fazia. Quer dizer, até um determinado momento, seguia-se um certo tipo de linha e de repente esse negócio foi sendo rompido. E está todo mundo realmente fazendo a Globo e, quem não está ao vivo, está através de suas músicas, inseridas nas novelas da Globo, entendeu? E eu acho que a melhor maneira de a gente brigar contra uma série de coisas é ficando próximo do acontecimento, das coisas. Quer dizer, quanto mais gente, com a consciência até dessa onipotência ou dessa prepotência da TV-Globo, estiver lá dentro, mais fácil será - quer dizer, não a curto nem a médio prazos, mas a longo prazo - eles voltarem a conversar com os artistas e darem a eles o peso e a medida que, na realidade, eles têm. Porque, de uma época em diante, a única coisa importante que havia era a TV-Globo. A TV-Globo era a grande artista da TV-Globo. Eles fizeram questão de acabar com a valorização da mão-de-obra - um negócio muito cômodo pra eles -, ficando todo mundo num nível só. Eles mantêm uma série de grandes estrelas contratadas, ainda que não estejam se apresentando em televisão, simplesmente para não irem embora. E fica assim, como está. Eu acho que é assim que a gente vai poder, inclusive, acabar com um certo bloqueio que existe contra a música brasileira. E ainda que, neste exato momento, a TV-Globo esteja fazendo uma série de programas a respeito de música brasileira, pra mim parece ser só decorrência da personagem Ana Preta, do "Pai Herói", como a discoteca é decorrência da personagem Júlia, do "Dancing Days", entendeu? Quer dizer, é sempre uma questão de modismo. E se a gente ficar muito cheio de escrúpulos, muito cheio de "nheconheco", numa postura de "não me misturo", vai a cada dia que passa ficando pior. Porque, objetivamente, qual é o mercado de trabalho que nós temos?
FOLHETIM - Fora o disco...
ELIS REGINA - Fora o disco, que é o que toca na rádio e que não nos rende nada ou rende uma coisa ridícula como, assim, quinze mil cruzeiros por mês, depois de quinze anos de profissão, tocando em todo território nacional.
FOLHETIM - Quanto você recebe por mês de...
ELIS REGINA - Eu recebia, até o ano passado, um milhão e meio.
FOLHETIM - Um milhão e meio?
ELIS REGINA - Por vinte discos. A cada dois meses eu recebia pela execução dos meus discos, em todo território nacional, nas mil e uma possibilidades de execução, mil e quinhentos cruzeiros. A Clara Nunes recebia mil.
FOLHETIM - Você disse mil e quinhentos cruzeiros.
ELIS REGINA - Mil e quinhentos, menos que um salário mínimo.
FOLHETIM - Por mês?
ELIS REGINA - Não, por mês não. Por trimestre (risos). É, por trimestre. Quer dizer, agora, depois do surgimento do Ecade, depois de uma série de gritarias, uma série de confusões que a Sombrás e a gente foi arrumando, a partir dessa chiação toda, comecei a receber dezoito mil cruzeiros por vinte discos.
FOLHETIM - Dezoito mil por trimestre?
ELIS REGINA - Por trimestre, quer dizer, seis mil cruzeiros por mês. Dá pra viver um vidão, né coração...
FOLHETIM - Bom, mas já é maravilha diante do...
ELIS REGINA - Diante do quadro anterior, que era quinhentos mangos. Aí, tirando esse negócio de tocar discos, a gente tem teatro pra fazer, que você sabe muito bem que está uma barra.
FOLHETIM - Acaba caindo na televisão Globo.
ELIS REGINA - Acaba. Nesse ano, está tudo em pique de loucura: preço de passagem de avião, preço de hospedagem e, quando você viaja, a passagem, a hospedagem, verba de alimentação, salário, transporte de equipamento, percentual de teatro, percentual de Ecade, percentual de Sbat, aí começam os percentuais todos. Eu acho que, neste ano, inclusive, vai ser muito difícil transar, se não tiver patrocínio segurando a barra. Ano passado já deu pra empatar.
FOLHETIM - Este ano como é que estão as coisas?

ELIS REGINA - Bom, está assim: eu fiz um disco, estou fazendo o lançamento de um compacto que foi tirado desse disco, com o "O Bêbado e a Equilibrista", vulgo Hino da Anistia, e, do outro lado, "As Aparências Enganam". O disco deve sair entre 25 de junho e 1° de julho. Eu, nessa época, já vou estar ensaiando um repertório novo, prá apresentação no Festival de Montreaux, na "Noite Brasileira", com Hermeto Pascoal e Egberto Gismotonti. Essa apresentação vai ser feita no dia 19 de julho - daí, sai um novo disco. No dia 25 de julho, eu faço a "Noite Brasileira" do Festival Internacional de Tóquio. Da Suíça, passamos por Moscou - quer dizer, escalamos, porque eu não vou nem sair do avião, todo mundo pode ficar relax, não salto, vejo a pista e se ela é igual às demais - e aí a gente vai pro Japão. Depois do Japão, eu volto pra cá, devo fazer mais alguma coisa de televisão e vou fazer um giro pela Argentina que tem não só, pra mim, a finalidade de ir até a Argentina pra fazer um negócio que estão me pedindo já há algum tempo, mas, principalmente, ver se eu agito o lance do Tenório Júnior com o pessoal de lá que sabe onde ele está.
FOLHETIM - Tem novidades do Tenório?
ELIS REGINA - O Tenório, até dois anos atrás, estava vivo numa prisão em La Plata.
FOLHETIM - Essa é a informação mais recente que você tem?
ELIS REGINA - É a informação mais recente que eu tenho, que eu passei pro pessoal, porque quem me deu essa informação foi um compositor de lá, que foi visitar alguém detido por algum motivo, em La Plata, e viu o Tenório.
FOLHETIM - Mas as notícias da OAB, do Itamaraty...
ELIS REGINA - Não, não se pode fazer nada por um simples motivo: o Idibal Piveta precisa de uma procuração da família do Tenório, ou da mulher ou dos pais, e a gente não consegue arranjar. A mulher prometeu mandar, não mandou. Eu estive com o pai dele, três semanas atrás, numa conversa longuíssima, mas ele insiste que a procuração deve ser dada pela mulher. Agora, eu acho que não dá pra esperar muito mais.
FOLHETIM - Você não acha que se fez muito silêncio na história do Tenório?

ELIS REGINA - É, pintou aquela especulação normal. Até o dia que esse menino foi prá minha casa e falou: "eu vi o Tenório". Aí eu comecei a detonar tudo, né? Inclusive, com a ajuda de Roberto Menescal, peguei o telefone da mulher dele, Ronaldo Bastos, mais uma pá de gente metida e até agora não se conseguiu nada, a não ser dedicar espetáculo à presença de algum amigo e ausência do Tenório Júnior.
FOLHETIM - O que é muito pouco.
ELIS REGINA - Na realidade, é. Mas há uma esperança ainda. De repente, vai alguém lá, leva um papo com os caras, consegue chegar até perto, fala: "olha, o lance é outro, nenhuma periculosidade, é um músico, sumiu". Parece que ele saiu pra passear em Buenos Aires na semana do famoso pente fino, antes da queda da Isabellita em 1975, esqueceu os documentos no hotel e sambou. Nunca mais ninguém viu. O Vinícius tentou tudo. Inclusive o rapaz da embaixada era genro do Vinícius. Eles tentaram tudo o que foi possível. Agora, a gente esbarra no: "mas o que é que a senhora é dele?" Eu sou amiga. "Ah, não adianta, a família mesmo é que tem que ajudar." O governo brasileiro também... FOLHETIM - Como é que foi seu encontro com o Lula?

ELIS REGINA - Bom, ele primeiro falou uns três palavrões daqueles maravilhosos, que você fica logo super à vontade. Depois, ele ficou brincando de ver - pegar no braço - e ver se existe mesmo ou é figurinha de televisão e ficou me sacaneando um bom tempo. Eu fiquei morrendo de vergonha e conversei muito pouco com ele. Ele estava muito eufórico com a presença das pessoas lá. Ele estava contente.
FOLHETIM - A imagem que você tinha dele bateu com a realidade?
ELIS REGINA - Eu acho que ficou uma coisa mais forte. Ele é uma pessoa baixinha, troncudinho, fala olhando dentro do olho, tem uma cara ótima. Mas aquele cara deve saber tudo. Inclusive, eu perguntei pra ele: é você, rapaz, que está aprontando tudo isso? Ele falou: "eu, aprontando? Imagina, sou apenas um trabalhador". Eu falei: tá legal. Você não tem tamanho pra folgar desse jeito não, hein rapaz? Você é muito pequinininho. Aí ele ficou brincando um tempão. É que o clima estava meio de festa mesmo. Deu pra conversar pouco, ele deixou o telefone prá gente ligar pra ele, que ele gostaria muito de ir na minha casa, prá gente conversar, saber uns lances da profissão da gente. Pra ficar melhor informado.
FOLHETIM - Mas como é que fica essa transa do artista com o operário?
ELIS REGINA - "Você acha que tem muita diferença?" (Risos.)
FOLHETIM - Não é um negócio mais de moda, não virou modismo estar do lado deles?
ELIS REGINA - Eu não sei se é moda. Quando acontecem esses "shows", surgem quatro tipos de adesão: as pessoas que vão porque acham que é isso mesmo, que têm mais é que ir. Tem o pessoal que vai com medo de dizer não e ficar ruço, tipo, assim, arregou; tem nego que vai numa de aparecer, porque é uma oportunidade boa pra aparecer, e tem o pessoal que pinta porque é festa.
FOLHETIM - Por que você, agora, grava na WEA.?

ELIS REGINA - Sabe, eu acho que esse lance aí é o seguinte: não tem gravadora brasileira, sabe? Eu preciso vender meu peixe, eu vivo disso. O dia que tiver uma gravadora brasileira periga todo mundo ir pra lá, mas ela não pintou ainda."
FOLHETIM - E aquele projeto do Chico, a compra de uma gravadora?
ELIS REGINA - "Bom, o Chico tem o projeto, mas ele continua na Polygram, né? (Risos.) Quando ele sair, eu até vou prá gravadora dele.
FOLHETIM - Semana retrasada o Tarik de Souza avisou - pelo Folhetim - sobre um encontro de compositores independentes, no Paraná, liderados pelo Antonio Adolfo. O pessoal que está gravando os discos de fundo de quintal. Como é que você vê esse projeto?
ELIS REGINA - Bom, no momento em que pintou, ninguém acreditava. O Adolfo já está partindo pro terceiro disco, e faz dois anos que eu não tenho tido chance de conversar com ele. Então, eu não sei exatamente em que pé estão essas coisas. Eu sei que o Adolfo fez, que o Danilo Caymmi fez. Me parece que tem mais uns dois ou três músicos no projeto. Eu acho que isso tudo é embrião de uma coisa nova. Se tentou fazer esse negócio de esperar pra ver que bicho que ia dar com a gravadora Mocambo. Agora, onde estão as pessoas que são os líderes da Mocambo? O Paulinho da Viola não saiu da Odeon, o Chico não saiu da Polygram, o MPB-4 não saiu da Polygram; quer dizer, como é que é que você vai endossar um empreendimento em que os próprios empreendedores não estão colocados dentro dele.
FOLHETIM - No Brasil 79, qual é a do artista?
ELIS REGINA - Olha, Osvaldo, eu estou querendo pegar o maior número de compositores desconhecidos pra gravar, pra arejar um pouco. Está ruço. Está todo mundo contando as mesmas histórias, está um circo de elefantinho, todo mundo gravando as mesmas músicas ou uma mesma linha de composição, porque é tudo feito pelo mesmo compositor. Um pouco desse desinteresse de parte do público talvez seja por causa disso. Quando você pega uma remessa de discos de fulano, beltrano, sicrano - por exemplo, vamos falar das mulheres -, pega Simone, Bethânia, Elis e Gal, você sabe que, basicamente, o repertório é o mesmo. E que são sempre os mesmos seis caras, compondo há 15 anos. Eu quero furar esse bloqueio.
FOLHETIM - E você acha que tem gente nova e boa por aí?
ELIS REGINA - Tem. Tem alguns que não tiveram possibilidade de ser ouvidos, ter o trabalho debatido, criticado. Por quê? Porque não tem o Festival de antigamente, onde a rapaziada nova pintava com força. Televisão estava aberta, o rádio estava aberto, o jornal estava debatendo, o nego se sentia impulsionado em direção a alguma coisa. O Festival sumiu. Aparecer num programa de televisão? Esquece. Porque o espaço está caro e a gente vai botar quem está em primeiro lugar na parada, quem está tocando mais no rádio. Gravar disco? Pô, ao preço que está o vinil? Vamos investir, mas rapidinho pra voltar. Como em todas as áreas, malandro. Tu acha que se o Folhetim não tivesse vendendo jornal, tu estava escrevendo no Folhetim ainda? (Risos.) Sabe? Tu não estava escrevendo. Pra começar você cria muito caso com censura, muito corte, muita confusão, fecha o Folhetim, que está dando muita treta. É isso aí, bicho. Em qualquer área está assim. Me dá o meu. Essa é a filosofia reinante. Clima de últimos dias de Pompéia. Eu não sei o que está pra acontecer, porque está todo mundo na caça ao dinheiro, com uma força que eu fico até com medo. Agora, a moçada que compõe está num gueto. Quer dizer, não tem acesso à gente. Por quê? Porque, se eu não estou no Recife, estou em Porto Alegre, estou rodando a minha bolsa em várias praças, né? Assim também é com os demais. Segundo grande problema: os compositores, com justa causa, diga-se de passagem, são todos intérpretes hoje em dia. Não tem espaço pra intérprete novo.
FOLHETIM - Mesmo porque, como compositor, eles morreriam de fome.
ELIS REGINA - Morreriam de fome. Eu falei: com justa causa.
FOLHETIM - É, mas deveria deixar claro que essa "justa causa" é a fome.
ELIS REGINA - Não recebe direito autoral. Agora mesmo a Sueli Costa está passando pelo vexame de receber do Ecade Cr$ 1.673,00 de arrecadação de um ano de execução de músicas dela em todo o território nacional. Quer dizer, a Sueli Costa vai passar pires na praia pra viver e sustentar o filho dela? Estou juntando xerocópias de todas as arrecadações de Transversal do Tempo, que eu fiz com músicas de Sueli, pra ela poder chegar no Ecade e dizer assim: olha, pelo menos a Elis Regina e a Simone pagaram. Está aqui a papelada, olha. Aí, ela vai receber ou não. Quem sabe?
FOLHETIM - Elis, quando é que começou tua abertura maior de visão, de simplesmente cantora a algo mais que uma simples cantora?
ELIS REGINA - Eu acho que eu pintei no pedaço muito jovem, 19 anos e não sabendo nada da vida. Vinda de uma camada pobre da população. Quer dizer, o "alegro desbum" realmente se estabeleceu na minha cabeça a partir do negócio do "Arrastão". Eu fiquei famosa, saia na rua, todo mundo parava e pedia autógrafo. Eu entrava na loja, comprava um negócio, o nego não deixava pagar. Fiquei com crise de supermulher, Mulher Maravilha, durante algum tempo. Eu rodopiava, falava Shazan e estava tudo certo. Quer dizer, não precisava nem rodopiar. Eu cantava e o mundo desabava.
FOLHETIM - Rodopiava os braços naquele tempo.
ELIS REGINA - É, rodopiava os braços. Eu não passei um período grande de ficar tentando. Desnorteou a minha cabeça, né? Depois, a barra começou a pesar. Você descobre que existe contrato, que é como um outro qualquer, que tem cláusula que tem que ser lida, porque, se você não ler, dança. Que o empresário nunca é um cidadão acima de qualquer suspeita. Esses baratos todos foram me dando uma visão do lado profissional, que é igual a você, ao arquiteto, ao médico. A partir daí, eu comecei a encarar esse negócio de cantar como uma profissão mesmo.
FOLHETIM - Você "explodiu" em 64, com o País mudando de dono. Como é que estava a tua cabeça em 64, com relação ao que estava fora. Você não percebia o que acontecia?

ELIS REGINA - Percebia, mas eu não tinha as informações todas. Percebia na hora que um companheiro ia cantar uma música e aí já não podia mais. Um aviso que eu recebia de que certas músicas não podiam mais ser cantadas. Mas eu tomei um susto em 68, quando tudo ainda parecia "coincidência". Acabou o "Fino da Bossa", e não foi um negócio isolado destruir uma trincheira de defesa da música brasileira, com expoentes de linguagem como Edu Lobo, Geraldo Vandré, Sérgio Ricardo. Mas ficou a Jovem Guarda, Hebe Camargo, sabe? Então, passados os anos, você começa a ver que tudo tinha uma razão de ser.
FOLHETIM - Isso em 68?
ELIS REGINA - É. Aí pinta muita guitarra no samba, é a chegada da ordem de fora mesmo. Vamos faturar porque isso é um negócio como outro qualquer. Quer dizer, o romantismo da gente foi pro brejo. Dane-se que você goste de samba, vai começar a gostar de samba com guitarra, agora. Começa a massificação. Toca de manhã no rádio, de tarde, de madrugada. Daqui a pouco está todo mundo achando ótimo. Esse negócio pegou um monte de caras, nego que foi embora, nego que resolveu ir estudar fora, aqueles lances todos. Aí você começa a saber as causas e, como está mais sozinho, tem que procurar gente de outras áreas pra conversar e já fica sabendo de outras coisas. O panorama se arma, você saca o lance e não dá mais pra fugir. Quer dizer, tem gente que consegue fugir e até inventa um discurso diferente pra desdizer o anterior. Mas, se eu não tinha muros, minha cabeça foi feita e está aqui.
FOLHETIM - Você e o Jair formaram uma dupla que balançava. Era uma coisa muito boa de se ouvir. Até hoje, botar aqueles discos e ouvir... O que aconteceu com o Jair? Você acompanha ainda o trabalho dele, você fala com ele, vocês...
ELIS REGINA - Não, a gente continua se falando, se cruza.
FOLHETIM - Mas e a relação, que parecia tão ligada num momento importante da história da música da gente e toma caminhos totalmente diversos, opostos. A Elis hoje é uma coisa, na cabeça da gente, nos discos que se ouve. Outra coisa é o Jair. Ele é uma lembrança. Uma agradável lembrança.
ELIS REGINA - Eu acho que ele está começando a se dar conta de uma série de coisas. O fato de ele ter se tornado um cantor famoso provocou uma confusão séria na cabeça dele. Porque o Jair era plantador de cana, sabe? Um cara que não tinha sapato. Foi uma pessoa muito marcada. De repente, farinha pouca, meu pirão primeiro, e tudo bem, eu até entendo. Eu não entendo noutro tipo de gente, sabe? Que teve informação, que conviveu com os lances, que passou por umas tantas coisas, de repente ficar com esse comportamento arrivista...
FOLHETIM - Talvez a diferença tenha sido que, num dado momento, você percebeu o que era tudo aquilo e ele não percebeu.
ELIS REGINA - Eu acho até que percebeu, porque ele tem essa consciência. A gente, quando conversa com ele, praticamente ouve as mesmas coisas e fala a respeito de tudo. Da mecânica profissional ele sabe tudo, mas também não briga contra, pelo medo de voltar pro lance que foi marcante no mau sentido. Bom, mas eu tive uma notícia ótima nos últimos 15 dias. Ele está muito ansioso, esteve conversando com um amigo comum, dizendo que queria me encontrar. Não sei se é pra conversar, se é pra lembrar alguma coisa, retomar algum negócio. Porque, durante os dois anos do "Fino da Bossa", eu mais convivi com o Jair do que com a minha família mesmo. A gente estava despencado em cima de avião pelo Brasil inteiro. E foi, realmente, um grande amigo. Amizade mesmo assim daquelas de amarrar bode e ficar de boca no chão chorando. Então, de repente ele está inseguro, meio desnorteado sobre o que fazer daqui pra diante, procurando a velha turma pra bater papo, o que eu acho muito bom.
FOLHETIM - Mas não está chegando o momento, você não está sentindo chegar um momento assim, em que, tanto a meia verdade quanto a mentira deslavada, elas vão ter que ser colocadas na mesa? Quer dizer, no nosso setor, já que você está falando nele?
ELIS REGINA - Eu acho. Está na hora. Faz uns 10 anos que eu estou esperando. Prá gente atingir os fins, vai aproveitando todos os meios, e tem nego que está no meio. Não quero saber quem é, não vou dar nomes. Agora, existe uma coisa chamada tempo, que está solta aí. O mundo não pára de rodar. Ele é redondo. Saí daqui e pra aqui volta, sabe? E vai chegar uma hora que esse pessoal vai ter que se explicar. Ou, se não quiser se explicar, a tal da máscara da face vai cair. Porque não é possível que tenha tanta gente sacando o lance e tenha que engolir em seco, em nome da não-agressão, do não-patrulhamento. Agora, a cada dia que passa há menos chance pra você representar. Porque as pessoas aprenderam. Elas estão sentindo o cheiro de longe da fajutagem.
FOLHETIM - Há muita diferença entre gravar um disco na WEA e na sua antiga gravadora?
ELIS REGINA - Claro. A WEA, por incrível que pareça, é democrática. É assim: "o que é que você quer fazer? Como é que você gostaria de fazer? Pelo seguinte: você é o artista e nós lidamos com artista. Artista de cinema, artista de televisão e artista de disco. Você faz o que quiser, porque a gente tem um departamento especializado em divulgar e vender a tua idéia, a gente está comprando a tua idéia". É bem diferente você ter um departamento de divulgação e um departamento de vendas a serviço do departamento artístico. Em outras gravadoras, os departamentos artístico e de divulgação estão a serviço do departamento de vendas.
FOLHETIM - Só pra constar da entrevista: já foi resolvido o problema do LP lançado pela Polygram com músicas de testes das gravações?
ELIS REGINA - Olha, eu recebi dois impulsos. Primeiro, achava que devia firmar jurisprudência a respeito do assunto. Porque eles estão um pouco equivocados. Eles, na realidade, são donos de um fonograma, quer dizer, são donos de uma gravação, mas eles não são donos da minha voz. O disco só pode sair se, em princípio, eu estiver de acordo com ele. E eu não estou de acordo, porque aquilo era refugo de gravação. Isso aí, nas mãos de um juiz sério, competente, dá pra discutir uns dois anos. Afora isso, eles não têm uma gravação, mas um esboço de gravação. E isso se prova pelas críticas todas que saíram no Brasil. Todo mundo se tocou que aquilo era uma voz guia, quer dizer, tem o lado moral querer formar jurisprudência, pra todo mundo ter como se comportar, caso ocorra uma desgraça dessas. Agora, tem o outro lado. A pobreza é tamanha que, de repente, você se misturar nesse lance, também te diminui. E fica dando divulgação para o que você está a fim que não seja visto.
FOLHETIM - Mas, não se falando mais, você não acha que eles podem aproveitar e fazer isso com outras pessoas, também?
ELIS REGINA - É que a rapaziada arrepiou lá dentro. O pessoal da mão-de-obra, como eles chamam, chiou. Pintaram empurrões, umbigadas, negócio esquisito. Agora, eu aprendi que de hoje em diante vou gravar tantas músicas e só elas é que vão ser gravadas. Não tem mais prova de nada.
FOLHETIM - Por que é que você não partiu, em termos de show, para vôos mais arriscados, como atriz e não só como cantora.
ELIS REGINA - Porque já tem gente fazendo isso.
FOLHETIM - Tem gente que já cantou, também. O Pelé, por exemplo.

ELIS REGINA - Até já gravei música dele.
FOLHETIM - Nunca te bateu vontade de partir pra uma de atriz?
ELIS REGINA - Eu tenho muita vergonha.
FOLHETIM - Ué, mas você não tem vergonha de subir no palco e cantar...
ELIS REGINA - Ah, mas eu canto desde os 12 anos. Por isso eu falei que cantar é só abrir a boca. Agora, representar tem um barato diferente. Sabe, eu acho que, inclusive, é uma hora legal de teatro e música se juntarem mais uma vez, pra ampliar o raio de ação dos dois. Agora, não adianta eu ficar muito preocupada, porque as três coisas que eu tenho pra fazer de imediato são: ensaiar, fazer um festival de jazz, na Suíça, e um festival de jazz, no Japão.
FOLHETIM - O que você vai apresentar em Montreaux já está definido?
ELIS REGINA -Ainda não. Tem três músicas do Milton, uma do Chico e do Gil, tem mais outras coisas que a gente está vendo aí, mas que não estão definidas. Parece que tem umas coisas do Gonzaga.
FOLHETIM - Você pensa em fazer alguma coisa como "O Clube da Esquina nº 2"?
ELIS REGINA - Em fevereiro eu e o Milton vamos fazer um disco juntos. E o trabalho do ano que vem vamos também fazer juntos, no Brasil todo e no Exterior.
FOLHETIM - Como é que foi esse negócio de gravar o "Bolero de Satã" com o Cauby?
ELIS REGINA - Bom, o Cauby Peixoto é paixão antiga, dos tempos de ser ouvinte da Rádio Nacional. E eu ouvi essa música do Guinga com Paulo Cesar Pinheiro. O Guinga me foi apresentado da seguinte forma: eu fui ouvir as músicas do Nogueira e ele convidou um amigo dele pra tocar violão. Aí, o João gravou uma fita e pediu ao Guinga: "agora mostra as tuas músicas prá Elis". Ele me mostrou quatro. E eu tinha duas pra gravar e gravei essa. A outra está reservada pro outro lado. Uma chama "Bolero de Satã", e a outra, "Valsa Maldita". Veja a barra do cara. E eu, desde a hora que estava ouvindo a música, sentia que faltava alguma coisa. Tinha alguma coisa pra colocar junto com a minha voz. E eu tinha me fixado na Ângela Maria. Um dia, eu estava dando uma entrevista, numa rádio aqui de São Paulo, e o Cauby entrou pelo corredor da rádio. Ia fazer um outro programa, num outro estúdio. Eu falei: é a peça! É essa figura que eu estava ouvindo e não tinha me tocado. FOLHETIM - Você tinha cruzado com o Cauby antes?
ELIS REGINA - Já, muitas vezes. Sempre nos aviões da vida. Aí a gente gravou essa música. E ele me convidou pra fazer a produção do próximo disco dele.
FOLHETIM - Como é que foi o clima da gravação do "Bolero de Satã"?

ELIS REGINA - Profissional pra chuchu. Ele trabalha muito seriamente. E ele estava - eu imagino que ele estivesse - emocionado, também. Pelo lance todo, aquela montoeira de gente jovem sabendo as coisas dele, maneirismos e tudo, o jeito dele falar - ele estava muito envolvido pela gente. Acho que ele não pensou que tivesse essa penetração, que ele faz parte do inconsciente da gente. FOLHETIM - Elis, agora falando de amenidades, nunca notei que você ligasse prá moda e, de um tempo pra cá, estou percebendo mudanças...
ELIS REGINA - Bom, tem um detalhe: depois dos 34, a gente tem que dar um certo trato. FOLHETIM - Você está gostando da moda de hoje, também. Eu estou sentindo isso, você está amando a década de 40/50, que está na moda.
ELIS REGINA - Eu estou vestida de minha mãe, está ótimo. Ela tem uma fotografia que tem essas coisas, e eu estou sentada no colo dela, vestida de cetim com veludo e não sei o quê. Na verdade, as mulheres muito ativas, participantes, obrigatoriamente têm que ser um pouco masculinas, também. O que é uma defesa prá gente. Porque você passa oitenta por cento do tempo convivendo com homens. Então, começa a transar muita calça Lee, tamanquinho, camisa, camiseta, colarzinho, sem chamar muito a atenção, que é pra não sofrer, também, as consequências de estar muito arrumadinha no meio da homarada.
FOLHETIM - Muita bandeira.
ELIS REGINA - Sabe, um pouco assim medo de levar um chega pra cá e um bizu no pé do ouvido e ter que tomar uma atitude. Sei lá. Ou então, por outro lado, as intelectualidades da vida dizerem "aí, ataviada". "Credo, que nojo." "Olha que mulher fresca." Mas eu não tenho nada contra ser fresca, muito ao contrário, eu fiquei oito anos botando isso pra dentro, até o dia que eu falei: quer saber? Vou botar as minhas penas de fora um pouco."
FOLHETIM - Agora, e sobre as feministas?
ELIS REGINA - Tem o seguinte: o movimento feminista procura a emancipação da mulher. Eu fui uma mulher emancipada aos 14 anos de idade, e pelo meu próprio pai, que de "chauvinista" tem tudo e talvez por isso tenha me emancipado. Não é uma boa? Então, eu acho que na minha cabeça está tudo. Eu trabalho. Sei das dificuldades que uma mulher participante e atuante e que pensa tem. Quando senta numa mesa pra deliberar, nunca é olhada com a mesma seriedade. Mas é tudo uma questão de colocação. Podem não te olhar com seriedade cinco minutos, mas, se a conversa durar duas horas, daqui a pouco tem que estar falando de igual para igual. Afinal, qual é a diferença? Se uma coisa foi feita pra encaixar na outra, é tudo igual. Depois, tem outro lance aí. Eu acho que não está muito diferente a situação da mulher e a situação do homem, hoje em dia. Eu não sei porque, de repente sai todo mundo esbravejando: porque os homens, porque os homens. Esses homens "chauvinistas", machistas e supercomandados pelo esquema paternalista foram criados, gerados, alimentados, comandados e educados por mulheres que aceitavam isso. Então, o cara não tem a culpa sozinho, sabe? O meu irmão conseguiu dar o pinote quando ele saiu de casa, porque enquanto ele estava dentro de casa ele era um saco. Ele era o meu pai tudo de novo. Casou com uma mulher com a cabecinha toda certa, e ele troca fralda, e não se sente diminuído por isso. Eles dividem as responsabilidades da casa, do trabalho, do dinheiro, do carro, da moto, de tudo, sabe? Ali é uma comunidade, não tem homem, não tem mulher. São dois amigos que moram juntos. E são duas pessoas profundamente solidárias, que é uma coisa que eu não vejo em 80% dos homens brasileiros, a solidariedade. Sempre o homem é o que fica mais doente, o resfriado nele pega mais forte. Mas isso aí é resultado do quê? Da mamãe, da vovó, não é culpa deles. Mas tem que haver essa mulher chata que a gente é hoje em dia, pra falar assim: malandro, tu está cansado, mas eu também trabalhei até agora. Como é que é? Tudo numa boa. Não pode chegar, pegar uma foice e decapitar o cara só porque ele é homem. Ele é homem que foi filho de uma mulher.
FOLHETIM - Vou fazer uma pergunta bem idiota. Todo mundo acha que Elis vem de Elizabeth. Mas seu Elis é Elis mesmo. Como é que foi essa transa?
ELIS REGINA - A minha mãe estava lendo um livro, um romance de amor, e tinha uma "Miss Elis" e Mr. Elis. E eu acho que era o casal romântico. E essa "Miss Elis" devia ser assim aquela mulher maravilhosa, que minha mãe gostaria de ter sido. Ela ficou fascinada por esse nome. Que não é um nome, é um sobrenome. Quer dizer, eu sou a Kelly Cristina dos idos de 45. Aí meu pai foi me registrar: às tais horas, do dia tal, dia 17 de março de 1945, uma criança do sexo feminino, que terá como nome... ele falou Elis. O cara falou: "não! Pode parar. Elis não pode". Então ele perguntou por quê? O cara falou: "porque Elis Carvalho Costa é um nome que pode ser de homem e pode ser de mulher. O senhor tem que arranjar um outro nome feminino pra colocar depois desse Elis aí". Aí ele pensou um pouco. Na semana anterior tinha nascido uma prima, filha de uma irmã dele, que se chamava Sandra Regina. Não podia ser Elis Sandra, porque ficou esquisito até no ouvido dele. Aí, Elis Regina.
FOLHETIM - Você acredita na anistia ampla, geral e irrestrita?
ELIS REGINA - Eu acho que, se não derem, vai ficar esquisito.
FOLHETIM - Pra quem?
ELIS REGINA - Vai ficar esquisito pra quem prometeu e não cumpriu. Acho que tem mais é que pintar, principalmente porque essa questão de crime político é um negócio muito relativo. Depende do lado vitorioso. O lado vitorioso prega uma coisa, o que era de oposição pregava outra, e isso é uma contingência de um determinado momento.
FOLHETIM - Você sente que sua categoria é unida, hoje?
ELIS REGINA - Não. Eu não sinto não.
FOLHETIM - Bem, há condições objetivas de que isso aconteça?
ELIS REGINA - Um grupo. Sempre um grupo. Muito pequeno e muito ativo, do qual fazem parte Aldir Blanc, João Bosco, Paulo Cesar Pinheiro, Sérgio Ricardo, Gonzaga, Vitor Martins, Ivan Lins, Milton...
FOLHETIM - Seria mais ou menos a turma que trabalhou em São Bernardo.
FOLHETIM - Não houve a renovação do grupo, do mesmo jeito que não houve uma renovação na música popular brasileira.
ELIS REGINA - Mas, eu acho que aí é que está. Está no começo da conversa da gente. Está precisando arejar esse lance todo. Quer dizer, precisa pintar gente nova, precisam pintar compositores recém-saídos das universidades. Novos músicos, novos cantores, porque senão vai ser sempre a gente mesmo. E você vai esperar o quê? Que no Congresso da UNE o Roberto Carlos fosse cantar em Salvador? E eu falo. Pode botar, o Roberto Carlos cantar em Salvador, não vai. É mais fácil ele cantar noutros lugares, mas no Congresso da UNE? Não vai segurar. Vai cantar em São Bernardo? Não vai. FOLHETIM - É, mas a gente também está falando de um fundo do baú, quer dizer, é o mesmo pessoal.
ELIS REGINA - Também é o mesmo pessoal. Eu estou falando. Por quê? Porque desde 1966 as pessoas que fazem música, que interpretam música, que executam música, são sempre as mesmas. É o circo do elefantinho que está armado. E em processo de antropofagia. Alas se entredevoraram, numa flagrante e evidente e palpável luta pelo poder. Só.
FOLHETIM - Você já pensou em fazer um tipo de trabalho mais chegado ao operário?
ELIS REGINA - Já. Já conversei com eles todos, estão só esperando a confusão das greves e intervenções acabarem prá gente começar a transar isso.
FOLHETIM - Quer dizer, existe um plano.
ELIS REGINA - Existe.
FOLHETIM - Mas é do grupo ou teu?
ELIS REGINA - Meu. Mas aí é simples. Porque o esquema está montado e é só perguntar: João, estás nessa? Ou Clara, estás nessa? João Nogueira, como é que é? Tem 19 Sindicatos do Interior de São Paulo querendo comprar "shows". Agora, você tem que encarar um artista que está sabendo que vai trabalhar por uma bilheteria de 30 cruzeiros por pessoa.
FOLHETIM - Mas o que te altera, e altera no sentido positivo, é que esse público, com uma distância muito grande em relação a você, vai te impor até um tipo de repertório, a linguagem musical...
ELIS REGINA - A linguagem da terra. Não é só a linguagem musical. É como é que essa terra fala. Como é que essa terra se comporta. Como é que ela reage diante das coisas. O que é que na realidade eles acham da gente? O que é que eles estão esperando da gente? Qual o tipo de aproximação que pode ser feito, sem que um seja triturado pelo outro?
FOLHETIM - Como você vê essa apresentação tua em Montreaux, com Gismonti e com o Hermeto? Você conversou com eles?

ELIS REGINA - Não. Ainda não. Essas apresentações não são coletivas. Eu não sei se vai pintar o que o Ciro Monteiro chamava de "hipotenusa final". Agora, os "homens" estão interessados em botar meus discos lá fora. Isso é cláusula contratual. A melhor chance pra chegar à Europa é o festival da Suíça, transmitido pela Eurovisão, imprensa toda reunida, aquelas coisas. Dizem que o primeiro mercado discográfico do mundo é do Japão. Eu já tenho todos os discos lá e os homens mandaram me convidar pra cantar. Eu vou também. Mas não consigo me imaginar de Pequena Notável de novo, sabe? Estou a fim de transar essa, mas não é só. Não é a prioridade da minha vida, tanto que, se fosse, eu não estava pensando mais nos negócios dos sindicatos. Isso é meta pra daqui a pouco. Inclusive, tem uma outra, que é a do circo. Fazer circo e sair pela periferia. São duas coisas que eu vou fazer e muito breve. Já tenho um cara do circo. O cara já está com a lona. Sujeito que tem os contatos em todos os lugares. E vamos embora. Quer dizer, o meu lugar é aqui...
Fonte: http://almanaque.folha.uol.com.br/l...

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