domingo, 20 de agosto de 2017

Morre aos 91 anos Jerry Lewis, um dos maiores comediantes da história

Jerry Lewis, um dos comediantes mais famosos da cultura pop, morreu na manhã deste domingo (20), em sua casa em Las Vegas, aos 91 anos. A notícia foi dada pelo jornalista John Katsilometes, do "Las Vegas Review-Journal" e confirmada pelos veículos "Variety" e "The Hollywood Reporter". Ainda não foi divulgada a causa da morte, mas Katsilometes reproduziu um anúncio da família de Lewis em seu Twitter particular, dizendo que o "lendário Jerry Lewis morreu de causas naturais" e com "a família ao seu lado". 

O ator deixa a mulher, a atriz SanDee Pitnick, e seis filhos. Lewis tornou-se o maior comediante do showbusiness durante a década de 1950, numa parceria de sucesso com o ator e cantor Dean Martin, com quem fez diversos longas, como "O Meninão" (1955) e "Farra dos Malandros" (1954). Mesmo com a dupla separada, Lewis protagonizou sucessos e dominou os cinemas nos anos 1960 com "O Mensageiro Trapalhão" (1960) e "O Mocinho Encrenqueiro" (1961). O ator gostava dos personagens duplos (ou múltiplos), e nada poderia ser mais adequado a esse gosto do que interpretar Dr. Jekyll e Mr. Hyde. Ou, em versão comédia, o professor Kelp e Buddy Loveem "O Professor Aloprado" (1963). Um é químico genial, feio e desajeitado que inventa um jeito de se transformar num galã. É sua obra mais genial, em que foi diretor (completo, ele entendia muito disso) e ator. Nela, o drama de ser humano, de crescer, de falhar é posto em evidência –é o que o torna mais que um fenômeno passageiro. Em "Bagunceiro Arrumadinho" (1964), Lewis viveu um enfermeiro que não suporta ouvir falar em doenças. Trata-se, por sinal, de um dos grandes momentos do ator, no tipo que o consagrou como um dos grandes do burlesco: o inapto, o incapaz de se integrar ao mundo, tão americano, dos vencedores.

A obra tem talvez a "gag" mais famosa de sua carreira, a da maca que sai enlouquecida sai pelas ladeiras. Seu humor mais físico foi menosprezado no início entre os colegas americanos, mas o público ia em massa ver os trabalhos do comediante. Ganhou mais prestígio, ironicamente, na Europa, ao ser premiado na França, Itália, Bélgica e Espanha, e ser citado como gênio por diretores de vanguarda na época, como Francois Truffaut e Jean-Luc Godard. Nos anos 1980, tentou mostrar seu lado mais dramático em "O Rei da Comédia" (1982), filme de Martin Scorsese que foi rejeitado pelos fãs da comédia pastelão de Lewis.

Lewis já havia passado por problemas de saúde ao longo dos anos, antes de sua semi-aposentadoria, em Las Vegas. Passou por uma cirurgia no coração em 1983 e outra para tratamento de um câncer, em 1992. Passou por uma reabilitação, em 2003, para se curar do vício em drogas legais, teve um ataque do coração em 2006 e possuía fibrose pulmonar, uma doença respiratória crônica que exigia remédios poderosos para ser controlada. Além de ter dirigido vários dos seus sucessos cômicos, ter sido indicado o Nobel da Paz de 1977 pelos seus esforços por trás do Telethon, programa pioneiro na arrecadação de recursos via televisão, Lewis também queria o Oscar que apresentou em duas ocasiões (1957 e 1959), mas que nunca venceu como ator ou diretor -ele ganhou o prêmio humanitário em 2009. Era seu objetivo com o controverso "The Day the Clown Cried", que fez em 1972 achando que "A Academia não poderá ignorar esse filme". Mas foi o próprio Lewis que se censurou. Achando que o resultado final da trama –um palhaço que tenta ajudar os prisioneiros de um campo de concentração ao replicar um espetáculo circense– era um "trabalho pobre", o diretor e ator colocou o projeto no cofre e nunca exibiu o longa. Uma cópia estaria na Biblioteca do Congresso dos EUA, mas não se sabe qual foi a exigência do artista para a exibição pública. Ao longo da primeira metade dos anos 1950, Dean Martin e Jerry Lewis estiveram entre as maiores bilheterias do cinema, produziram uma série televisiva de sucesso e se viraram um fenômeno cultural. A química era simples e forte: o cantor seguro de si e o comediante endiabrado, o polido irmão mais velho e o moleque aloucado. Nos números ao vivo, Lewis improvisava sem parar, jogava água na plateia ou apagava as luzes da sala, enquanto Martin simplesmente sorria e continuava cantando, com o rosto iluminado pela chama de seu Zippo folheado a ouro.

A parceria acabou uma década depois. Martin, cujo nome vinha em primeiro lugar nos créditos, se cansou de ser "escada", e Lewis, que cuidava dos negócios da dupla, estava cansado da relutância de seu parceiro em estender o alcance de suas atividades. Os dois criaram carreiras solo de sucesso, mas Lewis continuou a parecer preocupado, ou até mesmo culpado, por Martin não ter recebido reconhecimento na época. Em 1976, depois de 20 anos sem se falarem, os dois se reuniram no palco de um programa de TV. Mas uma reaproximação real só ocorreu após a morte de Dino, o filho de Martin, em um acidente de avião em 1987. Em 2013, Jerry Lewis fez uma participação na comédia "Até que a Sorte Nos Separe 2", que estreou no maior número de salas da história do cinema brasileiro até então. Para acertar a participação dele, os produtores do filme entraram em contato com uma de suas noras, que é brasileira. O comediante faz um carregador de malas, papel que já havia interpretado antes no filme "O Mensageiro Trapalhão" (1960), escrito, produzido, dirigido e protagonizado por ele. À Folha o ator disse que a dificuldade dos tempos atuais para fazer comédias é a mesma dos anos 1950, quando começou a fazer sucesso. Do começo de sua carreira, diz sentir mais falta do seu parceiro, o também comediante Dean Martin. "É difícil achar um bom roteiro de comédia, é por isso que eu costumava escrever meus próprios filmes", afirmou à época. "Para manter sua qualidade, a comédia precisa de um bom roteiro e bons comediantes. Não importa quando ou como."

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Após nude vazado, Victor V, do “MasterChef”, se casa com francês

Na semana em que teve um nude vazado nas redes sociais, Victor V, participante do “MasterChef Brasil”, da Band, deu um novo passo no relacionamento com o francês Olivier em Cap-d’Ail.

O cozinheiro da quarta temporada do reality teve uma cerimônia de casamento na França, neste sábado (29). A festa contou com a presença, inclusive, da concorrente Deborah Werneck e de alguns ex-participantes do programa da Band, como Nayane Barreto e Abel Chang. O DJ Rapha Lima, amigo do noivo, resumiu a união dos dois: “Primeiro casamento gay que vou na vida, e é o primeiro casamento que me emociono. Geralmente quase durmo! Vida longa ao casal! Viva o amor”.

Cabe lembrar que Victor e Olivier já são pais de um menino com um casal de amigas lésbicas, as americanas Nami Hall e Azsa West.

Morre atriz francesa Jeanne Moreau aos 89 anos

Jeanne Moreau, uma das mais famosas atrizes do cinema francês, morreu aos 89 anos, segundo anunciou a agência France Presse nesta segunda-feira (31). Seu corpo foi encontrado em casa em Paris.

Moreau, que atuou em mais de cem filmes durante uma carreira de 65 anos, incluindo "Jules e Jim", de François Truffaut.Filha de um barman francês e de uma bailarina britânica, depois de passar parte de sua infância em Vichy, concluiu o curso secundário em Paris e começou a estudar teatro com Denis d'Inès.

Seis meses depois, iniciou sua formação de atriz clássica no Conservatório de Paris. Na Comédie Française, estreou no final de 1950, com a peça "Les Caves du Vatican", de André Gide, sob a direção de Jean Meyer, onde fez o papel de uma prostituta. Sua atuação lhe valeu uma capa do Paris Match e as felicitações de Paul Léautaud. Em seguida, foi chamada para representar o papel de outra prostituta, dessa vez em Othello, com Aimé Clariond no papel principal. Deixando a Comédie Française, entrou para o Théatre National Populaire de Jean Vilar. Em seguida, aceitou o conselho de Gérard Philipe para fazer mais um papel de prostituta na peça de Anna Bonacci, "L'Heure Éblouissante", sob a direção de Fernand Ledoux. No cinema, Jeanne Moreau estreou em 1948 no filme "Dernier Amour", de Jean Stelli, num papel secundário. Nos anos que se seguiram, atuou em diversas películas até que, em 1958, com os filmes de Louis Malle, "Ascensor Para o Cadafalso" e "Os Amantes", alcançou definitivamente o estrelato, dando início a uma brilhante carreira internacional ao lado de grandes cineastas que vão, além de Malle, de François Truffaut a Luís Buñuel, passando por Michelangelo Antonioni, John Frankenheimer e Orson Welles, sem jamais abandonar o teatro.

Além de ser considerada uma das melhores atrizes francesas de todos os tempos, tanto no teatro quanto no cinema, onde atuou em mais de 120 filmes, Jeanne Moreau é também roteirista e cineasta, tendo realizado três filmes, "Lumière", em 1976, "L'Adolescente", em 1979, e "Lillian Gish", em 1983. Nos anos 80, paralelamente à sua carreira no cinema e no teatro, ela se dedicou à música e à televisão, onde participou de telefilmes e apresentou programas sobre pintura. Nos anos 90, investiu mais em teatro em detrimento da televisão. Jeanne Moreau casou-se três vezes, inicialmente com Jean-Louis Richard, em 1949, em seguida com Teodoro Rubanis, em 1966, e finalmente, com William Friedkin, em 1977, de quem se divorciou dois anos depois.

domingo, 9 de julho de 2017

Morre e atriz italiana Elsa Martinelli aos 82 anos

Elsa Martinelli nasceu Elsa Tia em 03 de agosto de 1932, em Grosseto, Itália. Ela começou a carreira como modelo em Roma e estreou no cinema italiano em um pequeno papel em Se Vincessi Cento Milioni (1953).

Em 1953 mudou-se para os Estados Unidos, em busca de uma carreira como atriz e modelo. Tinha apenas 20 dólares no bolso e não sabia falar inglês. Após um tempo trabalhando como modelo, o ator Kirk Douglas a viu em uma capa de revista e a convidou para estrelar A Um Passo da Morte (The Indian Fighter, 1955), com ele. No mesmo ano, ganhou o Urso de Prata de Melhor Atriz no Festival de Berlin por seu papel em Donatella (Idem, 1955) de Mario Monicelli. Desde então dividiu sua carreira entre a Europa e Estados Unidos, atuando em sessenta filmes, entre os quais Hatari! (Idem, 1962), com John Wayne; O Processo (Le Procès, 1962), com Anthony Perkins; Gente Muito Importante (The V.I.P.s, 1963), com Elizabeth Taylor e Candy (Idem, 1968) com Marlon Brando e Ringo Starr.

Em 1956 casou-se com um conde italiano, deixando a carreira de atriz de lado (atuando esporadicamente), passando a ser mais conhecida como personagem do jet-set internacional. Na década de oitenta, trabalhou como decoradora para os ricos e famosos. Elsa Martinelli faleceu em Roma em 08 de julho de 2017, aos 82 anos.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Roger Moore, ator de '007', morre aos 89 anos

O ator Roger Moore, famoso por seu papel como James Bond na franquia de filmes "007", morreu aos 89 anos nesta terça-feira (23) na Suíça.

A família do ator enviou um comunicado pelo Twitter e afirmou estar devastada. Ele estava em tratamento contra um câncer. "É com o coração pesado que nós anunciamos que nosso amado pai, Sir Roger Moore, faleceu hoje na Suíça após uma curta, mas brava, batalha contra câncer. O amor com que ele foi cercado em seus dias finais foi tão grande que não pode ser quantificado apenas em palavras”, escreveram seus filhos Deborah, Geoffrey e Cristian. Moore era casado com Kristina Tholstrup desde 2002. Segundo a família, Moore será velado em uma cerimônica privada em Mônaco Nascido em Londres em 1927, Moore trabalhou como modelo até o começo dos anos 1950. Depois disso assinou um contrato de sete anos com a MGM, mas suas produções iniciais não fizeram muito sucesso. A fama só veio com seu papel como Ivanhoé, na série britânica “O Santo”, entre 1962 e 1969, e como Brett Sinclair, em “The Persuaders”. A carreira como James Bond começou em 1973, no filme “Só Viva e Deixe Morrer”. Moore tinha a árdua missão de substituir Sean Connery, que encarnou o espião por quase uma década. Moore interpretou o 007 em sete filmes e foi o ator a encenar o agente secreto por mais tempo: durante 12 anos. Após “Live and Let Die (Só Viva e Deixe Morrer)”, veio a repetição do personagem em “The Man with the Golden Gun (007 contra o Homem com a Pistola de Ouro”, em 1974; “The Spy Who Loved Me (O Espião que me amava)”, de 1977; “Moonraker (007 contra o Foguete da Morte)”, de 1979; e “For Your Eyes Only (007 - Somente para Seus Olhos), de 1981.

Roger Moore se despediu do personagem em 1985, com “A View to a Kill (Na Mira dos Assassinos)”. Embora tenha dezenas de filmes no currículo, Moore era tratado como "eterno 007". Mas o título não incomodava o ator. "Ser eternamente conhecido como Bond não têm desvantagem”, afirmou Moore em 2014. “As pessoas às vezes me chamam de ‘Sr. Bond’ quando eu estou fora e eu não me importo nada com isso. Por que eu deveria?” Além de sua vida diante das câmeras, Moore era conhecido por suas obras de caridade. Ele participava de várias ações para arrecadar fundos que seriam doados aos mais necessitados. Por esse trabalho, o ator foi escolhido como embaixador da boa vontade da Unicef. Em 1991,

Moore visitou o Brasil para dar ao ator Renato Aragão o título de representante da Unicef no país. Além disso, por seu trabalho na agência da ONU, o ator foi condecorado pela rainha Elizabeth II como Cavaleiro do Império Britânico em 1999 e passou a ser Sir Roger Moore.

domingo, 14 de maio de 2017

ELIS REGINA-entrevista histórica viraliza na Web

Elis - A Equilibrista

ELIS REGINA - O MITO·QUINTA, 11 DE MAIO DE 2017

FOLHETIM - Durante muito tempo você se recusou a fazer o "Fantástico", a fazer apresentações em televisão no esquema da Globo. O que é que aconteceu agora? Mudou a Elis, mudou o "Fantástico", mudou a Globo, o que é que mudou?

ELIS REGINA - Bom, mudou uma porção de coisas, principalmente a Elis mudou de gravadora. Quando eles me propuseram fazer uma série de coisas em televisão, eles perceberam que eu fiquei meio arredia. Não estava muito a fim de transar, não fiquei apaixonada pela idéia. Aí, eles me perguntaram por que e eu falei que tinha sido uma certa atitude adotada, por nós todos, fazer o possível e o impossível pra não fortalecer essa condição da Globo, de ser a única em que todo mundo vai. Era prá gente procurar fazer outro tipo de televisão, outros canais de televisão, como uma alternativa. Porque a figura da Globo é uma figura muito forte, onipresente, onipotente. Aí pintou a pergunta assim: mas quem são os que não estão fazendo? E foi exatamente nessa hora que eu me dei conta de que estava todo mundo fazendo, só a Elis que não fazia. Quer dizer, até um determinado momento, seguia-se um certo tipo de linha e de repente esse negócio foi sendo rompido. E está todo mundo realmente fazendo a Globo e, quem não está ao vivo, está através de suas músicas, inseridas nas novelas da Globo, entendeu? E eu acho que a melhor maneira de a gente brigar contra uma série de coisas é ficando próximo do acontecimento, das coisas. Quer dizer, quanto mais gente, com a consciência até dessa onipotência ou dessa prepotência da TV-Globo, estiver lá dentro, mais fácil será - quer dizer, não a curto nem a médio prazos, mas a longo prazo - eles voltarem a conversar com os artistas e darem a eles o peso e a medida que, na realidade, eles têm. Porque, de uma época em diante, a única coisa importante que havia era a TV-Globo. A TV-Globo era a grande artista da TV-Globo. Eles fizeram questão de acabar com a valorização da mão-de-obra - um negócio muito cômodo pra eles -, ficando todo mundo num nível só. Eles mantêm uma série de grandes estrelas contratadas, ainda que não estejam se apresentando em televisão, simplesmente para não irem embora. E fica assim, como está. Eu acho que é assim que a gente vai poder, inclusive, acabar com um certo bloqueio que existe contra a música brasileira. E ainda que, neste exato momento, a TV-Globo esteja fazendo uma série de programas a respeito de música brasileira, pra mim parece ser só decorrência da personagem Ana Preta, do "Pai Herói", como a discoteca é decorrência da personagem Júlia, do "Dancing Days", entendeu? Quer dizer, é sempre uma questão de modismo. E se a gente ficar muito cheio de escrúpulos, muito cheio de "nheconheco", numa postura de "não me misturo", vai a cada dia que passa ficando pior. Porque, objetivamente, qual é o mercado de trabalho que nós temos?
FOLHETIM - Fora o disco...
ELIS REGINA - Fora o disco, que é o que toca na rádio e que não nos rende nada ou rende uma coisa ridícula como, assim, quinze mil cruzeiros por mês, depois de quinze anos de profissão, tocando em todo território nacional.
FOLHETIM - Quanto você recebe por mês de...
ELIS REGINA - Eu recebia, até o ano passado, um milhão e meio.
FOLHETIM - Um milhão e meio?
ELIS REGINA - Por vinte discos. A cada dois meses eu recebia pela execução dos meus discos, em todo território nacional, nas mil e uma possibilidades de execução, mil e quinhentos cruzeiros. A Clara Nunes recebia mil.
FOLHETIM - Você disse mil e quinhentos cruzeiros.
ELIS REGINA - Mil e quinhentos, menos que um salário mínimo.
FOLHETIM - Por mês?
ELIS REGINA - Não, por mês não. Por trimestre (risos). É, por trimestre. Quer dizer, agora, depois do surgimento do Ecade, depois de uma série de gritarias, uma série de confusões que a Sombrás e a gente foi arrumando, a partir dessa chiação toda, comecei a receber dezoito mil cruzeiros por vinte discos.
FOLHETIM - Dezoito mil por trimestre?
ELIS REGINA - Por trimestre, quer dizer, seis mil cruzeiros por mês. Dá pra viver um vidão, né coração...
FOLHETIM - Bom, mas já é maravilha diante do...
ELIS REGINA - Diante do quadro anterior, que era quinhentos mangos. Aí, tirando esse negócio de tocar discos, a gente tem teatro pra fazer, que você sabe muito bem que está uma barra.
FOLHETIM - Acaba caindo na televisão Globo.
ELIS REGINA - Acaba. Nesse ano, está tudo em pique de loucura: preço de passagem de avião, preço de hospedagem e, quando você viaja, a passagem, a hospedagem, verba de alimentação, salário, transporte de equipamento, percentual de teatro, percentual de Ecade, percentual de Sbat, aí começam os percentuais todos. Eu acho que, neste ano, inclusive, vai ser muito difícil transar, se não tiver patrocínio segurando a barra. Ano passado já deu pra empatar.
FOLHETIM - Este ano como é que estão as coisas?

ELIS REGINA - Bom, está assim: eu fiz um disco, estou fazendo o lançamento de um compacto que foi tirado desse disco, com o "O Bêbado e a Equilibrista", vulgo Hino da Anistia, e, do outro lado, "As Aparências Enganam". O disco deve sair entre 25 de junho e 1° de julho. Eu, nessa época, já vou estar ensaiando um repertório novo, prá apresentação no Festival de Montreaux, na "Noite Brasileira", com Hermeto Pascoal e Egberto Gismotonti. Essa apresentação vai ser feita no dia 19 de julho - daí, sai um novo disco. No dia 25 de julho, eu faço a "Noite Brasileira" do Festival Internacional de Tóquio. Da Suíça, passamos por Moscou - quer dizer, escalamos, porque eu não vou nem sair do avião, todo mundo pode ficar relax, não salto, vejo a pista e se ela é igual às demais - e aí a gente vai pro Japão. Depois do Japão, eu volto pra cá, devo fazer mais alguma coisa de televisão e vou fazer um giro pela Argentina que tem não só, pra mim, a finalidade de ir até a Argentina pra fazer um negócio que estão me pedindo já há algum tempo, mas, principalmente, ver se eu agito o lance do Tenório Júnior com o pessoal de lá que sabe onde ele está.
FOLHETIM - Tem novidades do Tenório?
ELIS REGINA - O Tenório, até dois anos atrás, estava vivo numa prisão em La Plata.
FOLHETIM - Essa é a informação mais recente que você tem?
ELIS REGINA - É a informação mais recente que eu tenho, que eu passei pro pessoal, porque quem me deu essa informação foi um compositor de lá, que foi visitar alguém detido por algum motivo, em La Plata, e viu o Tenório.
FOLHETIM - Mas as notícias da OAB, do Itamaraty...
ELIS REGINA - Não, não se pode fazer nada por um simples motivo: o Idibal Piveta precisa de uma procuração da família do Tenório, ou da mulher ou dos pais, e a gente não consegue arranjar. A mulher prometeu mandar, não mandou. Eu estive com o pai dele, três semanas atrás, numa conversa longuíssima, mas ele insiste que a procuração deve ser dada pela mulher. Agora, eu acho que não dá pra esperar muito mais.
FOLHETIM - Você não acha que se fez muito silêncio na história do Tenório?

ELIS REGINA - É, pintou aquela especulação normal. Até o dia que esse menino foi prá minha casa e falou: "eu vi o Tenório". Aí eu comecei a detonar tudo, né? Inclusive, com a ajuda de Roberto Menescal, peguei o telefone da mulher dele, Ronaldo Bastos, mais uma pá de gente metida e até agora não se conseguiu nada, a não ser dedicar espetáculo à presença de algum amigo e ausência do Tenório Júnior.
FOLHETIM - O que é muito pouco.
ELIS REGINA - Na realidade, é. Mas há uma esperança ainda. De repente, vai alguém lá, leva um papo com os caras, consegue chegar até perto, fala: "olha, o lance é outro, nenhuma periculosidade, é um músico, sumiu". Parece que ele saiu pra passear em Buenos Aires na semana do famoso pente fino, antes da queda da Isabellita em 1975, esqueceu os documentos no hotel e sambou. Nunca mais ninguém viu. O Vinícius tentou tudo. Inclusive o rapaz da embaixada era genro do Vinícius. Eles tentaram tudo o que foi possível. Agora, a gente esbarra no: "mas o que é que a senhora é dele?" Eu sou amiga. "Ah, não adianta, a família mesmo é que tem que ajudar." O governo brasileiro também... FOLHETIM - Como é que foi seu encontro com o Lula?

ELIS REGINA - Bom, ele primeiro falou uns três palavrões daqueles maravilhosos, que você fica logo super à vontade. Depois, ele ficou brincando de ver - pegar no braço - e ver se existe mesmo ou é figurinha de televisão e ficou me sacaneando um bom tempo. Eu fiquei morrendo de vergonha e conversei muito pouco com ele. Ele estava muito eufórico com a presença das pessoas lá. Ele estava contente.
FOLHETIM - A imagem que você tinha dele bateu com a realidade?
ELIS REGINA - Eu acho que ficou uma coisa mais forte. Ele é uma pessoa baixinha, troncudinho, fala olhando dentro do olho, tem uma cara ótima. Mas aquele cara deve saber tudo. Inclusive, eu perguntei pra ele: é você, rapaz, que está aprontando tudo isso? Ele falou: "eu, aprontando? Imagina, sou apenas um trabalhador". Eu falei: tá legal. Você não tem tamanho pra folgar desse jeito não, hein rapaz? Você é muito pequinininho. Aí ele ficou brincando um tempão. É que o clima estava meio de festa mesmo. Deu pra conversar pouco, ele deixou o telefone prá gente ligar pra ele, que ele gostaria muito de ir na minha casa, prá gente conversar, saber uns lances da profissão da gente. Pra ficar melhor informado.
FOLHETIM - Mas como é que fica essa transa do artista com o operário?
ELIS REGINA - "Você acha que tem muita diferença?" (Risos.)
FOLHETIM - Não é um negócio mais de moda, não virou modismo estar do lado deles?
ELIS REGINA - Eu não sei se é moda. Quando acontecem esses "shows", surgem quatro tipos de adesão: as pessoas que vão porque acham que é isso mesmo, que têm mais é que ir. Tem o pessoal que vai com medo de dizer não e ficar ruço, tipo, assim, arregou; tem nego que vai numa de aparecer, porque é uma oportunidade boa pra aparecer, e tem o pessoal que pinta porque é festa.
FOLHETIM - Por que você, agora, grava na WEA.?

ELIS REGINA - Sabe, eu acho que esse lance aí é o seguinte: não tem gravadora brasileira, sabe? Eu preciso vender meu peixe, eu vivo disso. O dia que tiver uma gravadora brasileira periga todo mundo ir pra lá, mas ela não pintou ainda."
FOLHETIM - E aquele projeto do Chico, a compra de uma gravadora?
ELIS REGINA - "Bom, o Chico tem o projeto, mas ele continua na Polygram, né? (Risos.) Quando ele sair, eu até vou prá gravadora dele.
FOLHETIM - Semana retrasada o Tarik de Souza avisou - pelo Folhetim - sobre um encontro de compositores independentes, no Paraná, liderados pelo Antonio Adolfo. O pessoal que está gravando os discos de fundo de quintal. Como é que você vê esse projeto?
ELIS REGINA - Bom, no momento em que pintou, ninguém acreditava. O Adolfo já está partindo pro terceiro disco, e faz dois anos que eu não tenho tido chance de conversar com ele. Então, eu não sei exatamente em que pé estão essas coisas. Eu sei que o Adolfo fez, que o Danilo Caymmi fez. Me parece que tem mais uns dois ou três músicos no projeto. Eu acho que isso tudo é embrião de uma coisa nova. Se tentou fazer esse negócio de esperar pra ver que bicho que ia dar com a gravadora Mocambo. Agora, onde estão as pessoas que são os líderes da Mocambo? O Paulinho da Viola não saiu da Odeon, o Chico não saiu da Polygram, o MPB-4 não saiu da Polygram; quer dizer, como é que é que você vai endossar um empreendimento em que os próprios empreendedores não estão colocados dentro dele.
FOLHETIM - No Brasil 79, qual é a do artista?
ELIS REGINA - Olha, Osvaldo, eu estou querendo pegar o maior número de compositores desconhecidos pra gravar, pra arejar um pouco. Está ruço. Está todo mundo contando as mesmas histórias, está um circo de elefantinho, todo mundo gravando as mesmas músicas ou uma mesma linha de composição, porque é tudo feito pelo mesmo compositor. Um pouco desse desinteresse de parte do público talvez seja por causa disso. Quando você pega uma remessa de discos de fulano, beltrano, sicrano - por exemplo, vamos falar das mulheres -, pega Simone, Bethânia, Elis e Gal, você sabe que, basicamente, o repertório é o mesmo. E que são sempre os mesmos seis caras, compondo há 15 anos. Eu quero furar esse bloqueio.
FOLHETIM - E você acha que tem gente nova e boa por aí?
ELIS REGINA - Tem. Tem alguns que não tiveram possibilidade de ser ouvidos, ter o trabalho debatido, criticado. Por quê? Porque não tem o Festival de antigamente, onde a rapaziada nova pintava com força. Televisão estava aberta, o rádio estava aberto, o jornal estava debatendo, o nego se sentia impulsionado em direção a alguma coisa. O Festival sumiu. Aparecer num programa de televisão? Esquece. Porque o espaço está caro e a gente vai botar quem está em primeiro lugar na parada, quem está tocando mais no rádio. Gravar disco? Pô, ao preço que está o vinil? Vamos investir, mas rapidinho pra voltar. Como em todas as áreas, malandro. Tu acha que se o Folhetim não tivesse vendendo jornal, tu estava escrevendo no Folhetim ainda? (Risos.) Sabe? Tu não estava escrevendo. Pra começar você cria muito caso com censura, muito corte, muita confusão, fecha o Folhetim, que está dando muita treta. É isso aí, bicho. Em qualquer área está assim. Me dá o meu. Essa é a filosofia reinante. Clima de últimos dias de Pompéia. Eu não sei o que está pra acontecer, porque está todo mundo na caça ao dinheiro, com uma força que eu fico até com medo. Agora, a moçada que compõe está num gueto. Quer dizer, não tem acesso à gente. Por quê? Porque, se eu não estou no Recife, estou em Porto Alegre, estou rodando a minha bolsa em várias praças, né? Assim também é com os demais. Segundo grande problema: os compositores, com justa causa, diga-se de passagem, são todos intérpretes hoje em dia. Não tem espaço pra intérprete novo.
FOLHETIM - Mesmo porque, como compositor, eles morreriam de fome.
ELIS REGINA - Morreriam de fome. Eu falei: com justa causa.
FOLHETIM - É, mas deveria deixar claro que essa "justa causa" é a fome.
ELIS REGINA - Não recebe direito autoral. Agora mesmo a Sueli Costa está passando pelo vexame de receber do Ecade Cr$ 1.673,00 de arrecadação de um ano de execução de músicas dela em todo o território nacional. Quer dizer, a Sueli Costa vai passar pires na praia pra viver e sustentar o filho dela? Estou juntando xerocópias de todas as arrecadações de Transversal do Tempo, que eu fiz com músicas de Sueli, pra ela poder chegar no Ecade e dizer assim: olha, pelo menos a Elis Regina e a Simone pagaram. Está aqui a papelada, olha. Aí, ela vai receber ou não. Quem sabe?
FOLHETIM - Elis, quando é que começou tua abertura maior de visão, de simplesmente cantora a algo mais que uma simples cantora?
ELIS REGINA - Eu acho que eu pintei no pedaço muito jovem, 19 anos e não sabendo nada da vida. Vinda de uma camada pobre da população. Quer dizer, o "alegro desbum" realmente se estabeleceu na minha cabeça a partir do negócio do "Arrastão". Eu fiquei famosa, saia na rua, todo mundo parava e pedia autógrafo. Eu entrava na loja, comprava um negócio, o nego não deixava pagar. Fiquei com crise de supermulher, Mulher Maravilha, durante algum tempo. Eu rodopiava, falava Shazan e estava tudo certo. Quer dizer, não precisava nem rodopiar. Eu cantava e o mundo desabava.
FOLHETIM - Rodopiava os braços naquele tempo.
ELIS REGINA - É, rodopiava os braços. Eu não passei um período grande de ficar tentando. Desnorteou a minha cabeça, né? Depois, a barra começou a pesar. Você descobre que existe contrato, que é como um outro qualquer, que tem cláusula que tem que ser lida, porque, se você não ler, dança. Que o empresário nunca é um cidadão acima de qualquer suspeita. Esses baratos todos foram me dando uma visão do lado profissional, que é igual a você, ao arquiteto, ao médico. A partir daí, eu comecei a encarar esse negócio de cantar como uma profissão mesmo.
FOLHETIM - Você "explodiu" em 64, com o País mudando de dono. Como é que estava a tua cabeça em 64, com relação ao que estava fora. Você não percebia o que acontecia?

ELIS REGINA - Percebia, mas eu não tinha as informações todas. Percebia na hora que um companheiro ia cantar uma música e aí já não podia mais. Um aviso que eu recebia de que certas músicas não podiam mais ser cantadas. Mas eu tomei um susto em 68, quando tudo ainda parecia "coincidência". Acabou o "Fino da Bossa", e não foi um negócio isolado destruir uma trincheira de defesa da música brasileira, com expoentes de linguagem como Edu Lobo, Geraldo Vandré, Sérgio Ricardo. Mas ficou a Jovem Guarda, Hebe Camargo, sabe? Então, passados os anos, você começa a ver que tudo tinha uma razão de ser.
FOLHETIM - Isso em 68?
ELIS REGINA - É. Aí pinta muita guitarra no samba, é a chegada da ordem de fora mesmo. Vamos faturar porque isso é um negócio como outro qualquer. Quer dizer, o romantismo da gente foi pro brejo. Dane-se que você goste de samba, vai começar a gostar de samba com guitarra, agora. Começa a massificação. Toca de manhã no rádio, de tarde, de madrugada. Daqui a pouco está todo mundo achando ótimo. Esse negócio pegou um monte de caras, nego que foi embora, nego que resolveu ir estudar fora, aqueles lances todos. Aí você começa a saber as causas e, como está mais sozinho, tem que procurar gente de outras áreas pra conversar e já fica sabendo de outras coisas. O panorama se arma, você saca o lance e não dá mais pra fugir. Quer dizer, tem gente que consegue fugir e até inventa um discurso diferente pra desdizer o anterior. Mas, se eu não tinha muros, minha cabeça foi feita e está aqui.
FOLHETIM - Você e o Jair formaram uma dupla que balançava. Era uma coisa muito boa de se ouvir. Até hoje, botar aqueles discos e ouvir... O que aconteceu com o Jair? Você acompanha ainda o trabalho dele, você fala com ele, vocês...
ELIS REGINA - Não, a gente continua se falando, se cruza.
FOLHETIM - Mas e a relação, que parecia tão ligada num momento importante da história da música da gente e toma caminhos totalmente diversos, opostos. A Elis hoje é uma coisa, na cabeça da gente, nos discos que se ouve. Outra coisa é o Jair. Ele é uma lembrança. Uma agradável lembrança.
ELIS REGINA - Eu acho que ele está começando a se dar conta de uma série de coisas. O fato de ele ter se tornado um cantor famoso provocou uma confusão séria na cabeça dele. Porque o Jair era plantador de cana, sabe? Um cara que não tinha sapato. Foi uma pessoa muito marcada. De repente, farinha pouca, meu pirão primeiro, e tudo bem, eu até entendo. Eu não entendo noutro tipo de gente, sabe? Que teve informação, que conviveu com os lances, que passou por umas tantas coisas, de repente ficar com esse comportamento arrivista...
FOLHETIM - Talvez a diferença tenha sido que, num dado momento, você percebeu o que era tudo aquilo e ele não percebeu.
ELIS REGINA - Eu acho até que percebeu, porque ele tem essa consciência. A gente, quando conversa com ele, praticamente ouve as mesmas coisas e fala a respeito de tudo. Da mecânica profissional ele sabe tudo, mas também não briga contra, pelo medo de voltar pro lance que foi marcante no mau sentido. Bom, mas eu tive uma notícia ótima nos últimos 15 dias. Ele está muito ansioso, esteve conversando com um amigo comum, dizendo que queria me encontrar. Não sei se é pra conversar, se é pra lembrar alguma coisa, retomar algum negócio. Porque, durante os dois anos do "Fino da Bossa", eu mais convivi com o Jair do que com a minha família mesmo. A gente estava despencado em cima de avião pelo Brasil inteiro. E foi, realmente, um grande amigo. Amizade mesmo assim daquelas de amarrar bode e ficar de boca no chão chorando. Então, de repente ele está inseguro, meio desnorteado sobre o que fazer daqui pra diante, procurando a velha turma pra bater papo, o que eu acho muito bom.
FOLHETIM - Mas não está chegando o momento, você não está sentindo chegar um momento assim, em que, tanto a meia verdade quanto a mentira deslavada, elas vão ter que ser colocadas na mesa? Quer dizer, no nosso setor, já que você está falando nele?
ELIS REGINA - Eu acho. Está na hora. Faz uns 10 anos que eu estou esperando. Prá gente atingir os fins, vai aproveitando todos os meios, e tem nego que está no meio. Não quero saber quem é, não vou dar nomes. Agora, existe uma coisa chamada tempo, que está solta aí. O mundo não pára de rodar. Ele é redondo. Saí daqui e pra aqui volta, sabe? E vai chegar uma hora que esse pessoal vai ter que se explicar. Ou, se não quiser se explicar, a tal da máscara da face vai cair. Porque não é possível que tenha tanta gente sacando o lance e tenha que engolir em seco, em nome da não-agressão, do não-patrulhamento. Agora, a cada dia que passa há menos chance pra você representar. Porque as pessoas aprenderam. Elas estão sentindo o cheiro de longe da fajutagem.
FOLHETIM - Há muita diferença entre gravar um disco na WEA e na sua antiga gravadora?
ELIS REGINA - Claro. A WEA, por incrível que pareça, é democrática. É assim: "o que é que você quer fazer? Como é que você gostaria de fazer? Pelo seguinte: você é o artista e nós lidamos com artista. Artista de cinema, artista de televisão e artista de disco. Você faz o que quiser, porque a gente tem um departamento especializado em divulgar e vender a tua idéia, a gente está comprando a tua idéia". É bem diferente você ter um departamento de divulgação e um departamento de vendas a serviço do departamento artístico. Em outras gravadoras, os departamentos artístico e de divulgação estão a serviço do departamento de vendas.
FOLHETIM - Só pra constar da entrevista: já foi resolvido o problema do LP lançado pela Polygram com músicas de testes das gravações?
ELIS REGINA - Olha, eu recebi dois impulsos. Primeiro, achava que devia firmar jurisprudência a respeito do assunto. Porque eles estão um pouco equivocados. Eles, na realidade, são donos de um fonograma, quer dizer, são donos de uma gravação, mas eles não são donos da minha voz. O disco só pode sair se, em princípio, eu estiver de acordo com ele. E eu não estou de acordo, porque aquilo era refugo de gravação. Isso aí, nas mãos de um juiz sério, competente, dá pra discutir uns dois anos. Afora isso, eles não têm uma gravação, mas um esboço de gravação. E isso se prova pelas críticas todas que saíram no Brasil. Todo mundo se tocou que aquilo era uma voz guia, quer dizer, tem o lado moral querer formar jurisprudência, pra todo mundo ter como se comportar, caso ocorra uma desgraça dessas. Agora, tem o outro lado. A pobreza é tamanha que, de repente, você se misturar nesse lance, também te diminui. E fica dando divulgação para o que você está a fim que não seja visto.
FOLHETIM - Mas, não se falando mais, você não acha que eles podem aproveitar e fazer isso com outras pessoas, também?
ELIS REGINA - É que a rapaziada arrepiou lá dentro. O pessoal da mão-de-obra, como eles chamam, chiou. Pintaram empurrões, umbigadas, negócio esquisito. Agora, eu aprendi que de hoje em diante vou gravar tantas músicas e só elas é que vão ser gravadas. Não tem mais prova de nada.
FOLHETIM - Por que é que você não partiu, em termos de show, para vôos mais arriscados, como atriz e não só como cantora.
ELIS REGINA - Porque já tem gente fazendo isso.
FOLHETIM - Tem gente que já cantou, também. O Pelé, por exemplo.

ELIS REGINA - Até já gravei música dele.
FOLHETIM - Nunca te bateu vontade de partir pra uma de atriz?
ELIS REGINA - Eu tenho muita vergonha.
FOLHETIM - Ué, mas você não tem vergonha de subir no palco e cantar...
ELIS REGINA - Ah, mas eu canto desde os 12 anos. Por isso eu falei que cantar é só abrir a boca. Agora, representar tem um barato diferente. Sabe, eu acho que, inclusive, é uma hora legal de teatro e música se juntarem mais uma vez, pra ampliar o raio de ação dos dois. Agora, não adianta eu ficar muito preocupada, porque as três coisas que eu tenho pra fazer de imediato são: ensaiar, fazer um festival de jazz, na Suíça, e um festival de jazz, no Japão.
FOLHETIM - O que você vai apresentar em Montreaux já está definido?
ELIS REGINA -Ainda não. Tem três músicas do Milton, uma do Chico e do Gil, tem mais outras coisas que a gente está vendo aí, mas que não estão definidas. Parece que tem umas coisas do Gonzaga.
FOLHETIM - Você pensa em fazer alguma coisa como "O Clube da Esquina nº 2"?
ELIS REGINA - Em fevereiro eu e o Milton vamos fazer um disco juntos. E o trabalho do ano que vem vamos também fazer juntos, no Brasil todo e no Exterior.
FOLHETIM - Como é que foi esse negócio de gravar o "Bolero de Satã" com o Cauby?
ELIS REGINA - Bom, o Cauby Peixoto é paixão antiga, dos tempos de ser ouvinte da Rádio Nacional. E eu ouvi essa música do Guinga com Paulo Cesar Pinheiro. O Guinga me foi apresentado da seguinte forma: eu fui ouvir as músicas do Nogueira e ele convidou um amigo dele pra tocar violão. Aí, o João gravou uma fita e pediu ao Guinga: "agora mostra as tuas músicas prá Elis". Ele me mostrou quatro. E eu tinha duas pra gravar e gravei essa. A outra está reservada pro outro lado. Uma chama "Bolero de Satã", e a outra, "Valsa Maldita". Veja a barra do cara. E eu, desde a hora que estava ouvindo a música, sentia que faltava alguma coisa. Tinha alguma coisa pra colocar junto com a minha voz. E eu tinha me fixado na Ângela Maria. Um dia, eu estava dando uma entrevista, numa rádio aqui de São Paulo, e o Cauby entrou pelo corredor da rádio. Ia fazer um outro programa, num outro estúdio. Eu falei: é a peça! É essa figura que eu estava ouvindo e não tinha me tocado. FOLHETIM - Você tinha cruzado com o Cauby antes?
ELIS REGINA - Já, muitas vezes. Sempre nos aviões da vida. Aí a gente gravou essa música. E ele me convidou pra fazer a produção do próximo disco dele.
FOLHETIM - Como é que foi o clima da gravação do "Bolero de Satã"?

ELIS REGINA - Profissional pra chuchu. Ele trabalha muito seriamente. E ele estava - eu imagino que ele estivesse - emocionado, também. Pelo lance todo, aquela montoeira de gente jovem sabendo as coisas dele, maneirismos e tudo, o jeito dele falar - ele estava muito envolvido pela gente. Acho que ele não pensou que tivesse essa penetração, que ele faz parte do inconsciente da gente. FOLHETIM - Elis, agora falando de amenidades, nunca notei que você ligasse prá moda e, de um tempo pra cá, estou percebendo mudanças...
ELIS REGINA - Bom, tem um detalhe: depois dos 34, a gente tem que dar um certo trato. FOLHETIM - Você está gostando da moda de hoje, também. Eu estou sentindo isso, você está amando a década de 40/50, que está na moda.
ELIS REGINA - Eu estou vestida de minha mãe, está ótimo. Ela tem uma fotografia que tem essas coisas, e eu estou sentada no colo dela, vestida de cetim com veludo e não sei o quê. Na verdade, as mulheres muito ativas, participantes, obrigatoriamente têm que ser um pouco masculinas, também. O que é uma defesa prá gente. Porque você passa oitenta por cento do tempo convivendo com homens. Então, começa a transar muita calça Lee, tamanquinho, camisa, camiseta, colarzinho, sem chamar muito a atenção, que é pra não sofrer, também, as consequências de estar muito arrumadinha no meio da homarada.
FOLHETIM - Muita bandeira.
ELIS REGINA - Sabe, um pouco assim medo de levar um chega pra cá e um bizu no pé do ouvido e ter que tomar uma atitude. Sei lá. Ou então, por outro lado, as intelectualidades da vida dizerem "aí, ataviada". "Credo, que nojo." "Olha que mulher fresca." Mas eu não tenho nada contra ser fresca, muito ao contrário, eu fiquei oito anos botando isso pra dentro, até o dia que eu falei: quer saber? Vou botar as minhas penas de fora um pouco."
FOLHETIM - Agora, e sobre as feministas?
ELIS REGINA - Tem o seguinte: o movimento feminista procura a emancipação da mulher. Eu fui uma mulher emancipada aos 14 anos de idade, e pelo meu próprio pai, que de "chauvinista" tem tudo e talvez por isso tenha me emancipado. Não é uma boa? Então, eu acho que na minha cabeça está tudo. Eu trabalho. Sei das dificuldades que uma mulher participante e atuante e que pensa tem. Quando senta numa mesa pra deliberar, nunca é olhada com a mesma seriedade. Mas é tudo uma questão de colocação. Podem não te olhar com seriedade cinco minutos, mas, se a conversa durar duas horas, daqui a pouco tem que estar falando de igual para igual. Afinal, qual é a diferença? Se uma coisa foi feita pra encaixar na outra, é tudo igual. Depois, tem outro lance aí. Eu acho que não está muito diferente a situação da mulher e a situação do homem, hoje em dia. Eu não sei porque, de repente sai todo mundo esbravejando: porque os homens, porque os homens. Esses homens "chauvinistas", machistas e supercomandados pelo esquema paternalista foram criados, gerados, alimentados, comandados e educados por mulheres que aceitavam isso. Então, o cara não tem a culpa sozinho, sabe? O meu irmão conseguiu dar o pinote quando ele saiu de casa, porque enquanto ele estava dentro de casa ele era um saco. Ele era o meu pai tudo de novo. Casou com uma mulher com a cabecinha toda certa, e ele troca fralda, e não se sente diminuído por isso. Eles dividem as responsabilidades da casa, do trabalho, do dinheiro, do carro, da moto, de tudo, sabe? Ali é uma comunidade, não tem homem, não tem mulher. São dois amigos que moram juntos. E são duas pessoas profundamente solidárias, que é uma coisa que eu não vejo em 80% dos homens brasileiros, a solidariedade. Sempre o homem é o que fica mais doente, o resfriado nele pega mais forte. Mas isso aí é resultado do quê? Da mamãe, da vovó, não é culpa deles. Mas tem que haver essa mulher chata que a gente é hoje em dia, pra falar assim: malandro, tu está cansado, mas eu também trabalhei até agora. Como é que é? Tudo numa boa. Não pode chegar, pegar uma foice e decapitar o cara só porque ele é homem. Ele é homem que foi filho de uma mulher.
FOLHETIM - Vou fazer uma pergunta bem idiota. Todo mundo acha que Elis vem de Elizabeth. Mas seu Elis é Elis mesmo. Como é que foi essa transa?
ELIS REGINA - A minha mãe estava lendo um livro, um romance de amor, e tinha uma "Miss Elis" e Mr. Elis. E eu acho que era o casal romântico. E essa "Miss Elis" devia ser assim aquela mulher maravilhosa, que minha mãe gostaria de ter sido. Ela ficou fascinada por esse nome. Que não é um nome, é um sobrenome. Quer dizer, eu sou a Kelly Cristina dos idos de 45. Aí meu pai foi me registrar: às tais horas, do dia tal, dia 17 de março de 1945, uma criança do sexo feminino, que terá como nome... ele falou Elis. O cara falou: "não! Pode parar. Elis não pode". Então ele perguntou por quê? O cara falou: "porque Elis Carvalho Costa é um nome que pode ser de homem e pode ser de mulher. O senhor tem que arranjar um outro nome feminino pra colocar depois desse Elis aí". Aí ele pensou um pouco. Na semana anterior tinha nascido uma prima, filha de uma irmã dele, que se chamava Sandra Regina. Não podia ser Elis Sandra, porque ficou esquisito até no ouvido dele. Aí, Elis Regina.
FOLHETIM - Você acredita na anistia ampla, geral e irrestrita?
ELIS REGINA - Eu acho que, se não derem, vai ficar esquisito.
FOLHETIM - Pra quem?
ELIS REGINA - Vai ficar esquisito pra quem prometeu e não cumpriu. Acho que tem mais é que pintar, principalmente porque essa questão de crime político é um negócio muito relativo. Depende do lado vitorioso. O lado vitorioso prega uma coisa, o que era de oposição pregava outra, e isso é uma contingência de um determinado momento.
FOLHETIM - Você sente que sua categoria é unida, hoje?
ELIS REGINA - Não. Eu não sinto não.
FOLHETIM - Bem, há condições objetivas de que isso aconteça?
ELIS REGINA - Um grupo. Sempre um grupo. Muito pequeno e muito ativo, do qual fazem parte Aldir Blanc, João Bosco, Paulo Cesar Pinheiro, Sérgio Ricardo, Gonzaga, Vitor Martins, Ivan Lins, Milton...
FOLHETIM - Seria mais ou menos a turma que trabalhou em São Bernardo.
FOLHETIM - Não houve a renovação do grupo, do mesmo jeito que não houve uma renovação na música popular brasileira.
ELIS REGINA - Mas, eu acho que aí é que está. Está no começo da conversa da gente. Está precisando arejar esse lance todo. Quer dizer, precisa pintar gente nova, precisam pintar compositores recém-saídos das universidades. Novos músicos, novos cantores, porque senão vai ser sempre a gente mesmo. E você vai esperar o quê? Que no Congresso da UNE o Roberto Carlos fosse cantar em Salvador? E eu falo. Pode botar, o Roberto Carlos cantar em Salvador, não vai. É mais fácil ele cantar noutros lugares, mas no Congresso da UNE? Não vai segurar. Vai cantar em São Bernardo? Não vai. FOLHETIM - É, mas a gente também está falando de um fundo do baú, quer dizer, é o mesmo pessoal.
ELIS REGINA - Também é o mesmo pessoal. Eu estou falando. Por quê? Porque desde 1966 as pessoas que fazem música, que interpretam música, que executam música, são sempre as mesmas. É o circo do elefantinho que está armado. E em processo de antropofagia. Alas se entredevoraram, numa flagrante e evidente e palpável luta pelo poder. Só.
FOLHETIM - Você já pensou em fazer um tipo de trabalho mais chegado ao operário?
ELIS REGINA - Já. Já conversei com eles todos, estão só esperando a confusão das greves e intervenções acabarem prá gente começar a transar isso.
FOLHETIM - Quer dizer, existe um plano.
ELIS REGINA - Existe.
FOLHETIM - Mas é do grupo ou teu?
ELIS REGINA - Meu. Mas aí é simples. Porque o esquema está montado e é só perguntar: João, estás nessa? Ou Clara, estás nessa? João Nogueira, como é que é? Tem 19 Sindicatos do Interior de São Paulo querendo comprar "shows". Agora, você tem que encarar um artista que está sabendo que vai trabalhar por uma bilheteria de 30 cruzeiros por pessoa.
FOLHETIM - Mas o que te altera, e altera no sentido positivo, é que esse público, com uma distância muito grande em relação a você, vai te impor até um tipo de repertório, a linguagem musical...
ELIS REGINA - A linguagem da terra. Não é só a linguagem musical. É como é que essa terra fala. Como é que essa terra se comporta. Como é que ela reage diante das coisas. O que é que na realidade eles acham da gente? O que é que eles estão esperando da gente? Qual o tipo de aproximação que pode ser feito, sem que um seja triturado pelo outro?
FOLHETIM - Como você vê essa apresentação tua em Montreaux, com Gismonti e com o Hermeto? Você conversou com eles?

ELIS REGINA - Não. Ainda não. Essas apresentações não são coletivas. Eu não sei se vai pintar o que o Ciro Monteiro chamava de "hipotenusa final". Agora, os "homens" estão interessados em botar meus discos lá fora. Isso é cláusula contratual. A melhor chance pra chegar à Europa é o festival da Suíça, transmitido pela Eurovisão, imprensa toda reunida, aquelas coisas. Dizem que o primeiro mercado discográfico do mundo é do Japão. Eu já tenho todos os discos lá e os homens mandaram me convidar pra cantar. Eu vou também. Mas não consigo me imaginar de Pequena Notável de novo, sabe? Estou a fim de transar essa, mas não é só. Não é a prioridade da minha vida, tanto que, se fosse, eu não estava pensando mais nos negócios dos sindicatos. Isso é meta pra daqui a pouco. Inclusive, tem uma outra, que é a do circo. Fazer circo e sair pela periferia. São duas coisas que eu vou fazer e muito breve. Já tenho um cara do circo. O cara já está com a lona. Sujeito que tem os contatos em todos os lugares. E vamos embora. Quer dizer, o meu lugar é aqui...
Fonte: http://almanaque.folha.uol.com.br/l...

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Ator Nelson Xavier morre aos 75 anos em Minas Gerais

Nelson Xavier morreu aos 75 anos, na noite desta terça-feira (9), em Uberlândia, Minas Gerais. Tereza Villela Xavier, uma das filhas do ator, usou uma rede social para comunicar a morte do pai. Ela também informou que o corpo será cremado no Rio de Janeiro. A causa da morte ainda não foi divulgada, mas, em 2014, ele disse em entrevista que havia passado por tratamento contra um câncer de próstata.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

35 ANOS DEPOIS DE SUA MORTE, ELIS AINDA VIVE

Ainda choram Marias e Clarices, já são 35 anos sem Elis Regina. Entre as grandes cantoras brasileiras nenhuma foi maior do que a baixinha de Porto Alegre, que se transbordou como artista e fez entender, também, em seus tantos papéis sociais: a mãe, a esposa, a amiga e a cidadã. Elis não sabia apenas cantar, mas escolhia como ninguém o que cantar. Lançou diversos compositores e sucessos da música brasileira. Fez diversas parcerias que são lembradas até hoje como: “Elis e Tom”, com o mestre Tom Jobim, “Doce Pimenta” com Rita Lee e o “Fino da Bossa” ao lado de Jair Rodrigues.

O Brasil era pequeno para Elis, e do Beco das Garrafas ela foi além: passou por cidades do mundo inteiro, e chegou a cantar no Teatro Olimpya, a mais antiga e famosa casa de espetáculos de Paris, neste foi a primeira cantora a se apresentar duas vezes em um só ano. Sempre engajada politicamente e contra a ditadura militar, Elis chegou a chamar os governantes de “Gorilas” em uma entrevista. Não chegou a ser exilada graças a sua popularidade, mas foi obrigada a cantar o Hino Nacional em eventos do governo. A música “O Bêbado e a Equilibrista” foi denominada de “Hino da Anistia” e foi trilha sonora para a volta de artistas brasileiros do exílio. Mãe de três filhos, Elis deixou grandes nomes da música. Pedro Mariano, João Marcelo Bôscoli e Maria Rita eternizam a obra, simpatia e graça da mãe pelo mundo. Entre os amigos saudosos que ficaram, Marília Gabriela fez, em seu primeiro episódio do programa “TV mulher” do canal Viva, uma homenagem a cantora e emocionou todos que assistiram sua carta para a amiga. Nela, a jornalista mostra para Elis tudo o que mudou e permaneceu do dia de sua morte, até hoje. O programa contava com a presença da cantora Maria Rita e sua filha, Alice, assim como Elis foi um dia. É difícil definir Elis Regina. A melhor forma, talvez, seja usando uma das frases da própria cantora: “Se ser geniosa, exigente e não gostar de ser passada para trás é ser mau caráter, então eu sou.” – Elis Regina Autodenominada kamikaze, o temperamento forte de Elis hora era fogo e outra trovão, e andava lado a lado com seu potencial vocal, e devido a esse gênio forte, foi apelidada de “Pimentinha” pelo grande Vinicius de Moraes. Suas interpretações eram impecáveis e marcavam cada apresentação com seu jeito único de se movimentar e colocar a música para fora. Como sua atuação, ou não, impecável da música “Atrás da Porta” de Chico Buarque no DVD “Grandes Nomes”, sempre é lembrada pelos fãs por suas lágrimas insaciáveis. Chegou a dizer que neste país apenas duas cantavam: ela e Gal Costa. Há quem confirme esse comentário. E em 19 de janeiro de 1982, este mundo também ficou pequeno para Elis e ela tomou o céu, deixando uma enorme discografia que passeia por sucessos como: “Falso Brilhante”, “Arrastão”, “Águas de Março”, “Casa no Campo” e muitos outros que ainda cantarolamos por todo o mundo. Mesmo aqueles que não viveram no tempo da “Elis-cóptero”, como era chamada por Rita Lee, buscam ter contato com sua obra, e se encantam com tamanha riqueza que ela nos deixou. Elis ainda vive. Nos últimos cinco anos, tivemos uma homenagem realizada pela caçula, Maria Rita, aos seus 70 anos, a aclamada peça “Elis, a musical” com a brilhante Laila Garin no papel de Elis, e ainda temos, sua biografia por Julio Maria e o mais recente filme “Elis”, em que Andreia Horta mostrou que, realmente, a pimentinha ainda está presente no coração dos brasileiros.

domingo, 30 de abril de 2017

Cantor Belchior morre aos 70 anos no Rio Grande do Sul

O cantor e compositor cearense Belchior, de 70 anos, morreu na noite de sábado (29) em Santa Cruz do Sul (RS). A polícia informou que o artista morreu de causas naturais. A ex-mulher do músico, Ângela Margareth, disse ao repórter Chico Regueira, da TV Globo, que ele teve um infarto. O corpo deve ser levado para o Ceará, onde ocorrerá o sepultamento em Sobral, sua cidade natal, segundo a Secretaria de Cultura do Estado.

De acordo com Lara Belchior, sobrinha do cantor, a família cogita realizar um primeiro velório em Fortaleza, antes de levar o corpo a Sobral. O corpo foi retirado pela funerária da casa do artista por volta das 14h30, e deve seguir para o Instituto Médico-Legal de Cachoeira do Sul, cidade cerca de 100 km distante de Santa Cruz do Sul. O Governo do Estado do Ceará confirmou a morte e decretou luto oficial de três dias. “Recebi com profundo pesar a notícia da morte do cantor e compositor cearense Belchior" disse em nota o governador Camilo Santana. "O povo cearense enaltece sua história, agradece imensamente por tudo que fez e pelo legado que deixa para a arte do nosso Ceará e do Brasil" (veja íntegra da nota abaixo). O traslado do corpo será feito pelo Governo do Ceará, que aguarda liberação das autoridades gaúchas. O horário ainda não foi confirmado, mas a expectativa é que o corpo seja levado ainda neste domingo (30). A assessoria do governo disse também que o chefe da Casa Militar do Ceará, coronel da Polícia Militar Túlio Studart, entrou em contato com o chefe da Casa Militar do RS, e que eles aguardam o resultado do laudo oficial. Veja a íntegra da nota oficial do Governo do Ceará: "O Governo do Ceará lamenta profundamente o falecimento do cantor e compositor cearense, Belchior, aos 70 anos, na noite deste sábado, 29, na cidade de Santa Cruz, no Rio Grande do Sul. E informa que está prestando todo o apoio à família, inclusive providenciando o traslado do corpo para Sobral, sua cidade natal. O governador Camilo Santana está decretando luto oficial de três dias. Belchior é dono de uma trajetória artística da mais absoluta importância para a cultura do Estado. Sua carreira o levou ao patamar de um dos maiores ícones da Música Popular Brasileira, promovendo o nome do Ceará em todo o Brasil e no mundo". Casa onde o cantor Belchior morava em Santa Cruz do Sul (RS), neste domingo. Vizinhos disseram que família do cantor é muito reservada e vivia bastante no local (Foto: Muriel Porfio/RBS TV) Casa onde o cantor Belchior morava em Santa Cruz do Sul (RS), neste domingo. Vizinhos disseram que família do cantor é muito reservada e vivia bastante no local (Foto: Muriel Porfio/RBS TV) Casa onde o cantor Belchior morava em Santa Cruz do Sul (RS), neste domingo. Vizinhos disseram que família do cantor é muito reservada e vivia bastante no local (Foto: Muriel Porfio/RBS TV) Nascido em 26 de outubro de 1946, Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes foi um dos ícones mais enigmáticos da música popular no Brasil, com quase 40 anos de carreira. Teve o primeiro sucesso nos anos 70 ao lado do também cearense Fagner, com a faixa "Mucuripe". Com o disco "Alucinação" (1976), lançou clássicos como as faixas "Apenas um rapaz latino-americano", "Velha roupa colorida" e "Como nossos pais", essa última que se tornou conhecida na voz da cantora Elis Regina. Segundo o colunista do G1, Mauro Ferreira, o cantor não tinha paradeiro certo desde 2008. Em 2007, a família reclamou do sumiço do artista, que abandonou a carreira; e nem mesmo seu produtor musical conseguia contato. A partir daí, foram surgindo boatos a respeito do paradeiro do cantor. Segundo reportagem do Fantástico, Belchior abandonou ao menos dois carros, sem explicação. Um deles, deixado no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, acumulando milhares de reais em dívidas de estacionamento.

Outro veículo, uma Mercedes Benz do cantor, foi largado em um estacionamento também em São Paulo, onde ele morava antes de ir para o Uruguai. Belchior chegou a ser procurado pela polícia em 2012 devido a uma dívida, à época, de US$ 15 mil em um hotel na cidade de Artigas, no Uruguai, por seis meses de diárias. No fim daquele ano, em meio à polêmica, foi visto em Porto Alegre, mas não quis gravar entrevista. Na infância no Ceará, Belchior estudou piano e música coral e trabalhou no rádio em sua cidade natal. Seu pai tocava flauta e saxofone e sua mãe cantava em coro de igreja. Mudou-se em 1962 para Fortaleza, onde estudou Filosofia e Humanidades. Também chegou a estudar Medicina, mas abandonou o curso em 1971 para se dedicar à música. Começou apresentando-se em festivais pelo Nordeste. Fez parte do chamado Pessoal do Ceará, que inclui artistas como Fagner, Ednardo, Rodger e Cirino.

Depois do sucesso de "Mucuripe", mudou-se para São Paulo, onde compôs trilhas sonoras para filmes e passou a fazer shows maiores e aparições em programas de televisão. Em 1974, lançou seu primeiro disco, "A palo seco", cuja música título se tornou sucesso nacional e ganhou versões ao longo da história, como a de Oswaldo Montenegro e da banda Los Hermanos. Outros artistas também regravaram sucessos de Belchior, entre eles Roberto Carlos ("Mucuripe"), Erasmo Carlos ("Paralelas"), Engenheiros do Hawaii ("Alucinação"), Wanderléa ("Paralelas") e Jair Rodrigues ("Galos, noites e quintais"). Elis Regina foi uma de suas maiores intérpretes: além de "Como nossos pais", gravou "Mucuripe", "Apenas um rapaz latino-americano" e "Velha roupa colorida". Em 1982, o cantor lançou "Paraíso", que tem participações dos àquela época ainda jovens artistas Guilherme Arantes, Ednardo Nunes, Jorge Mautner e Arnaldo Antunes. Fundou sua própria gravadora e produtora, a Paraíso Discos, em 1983. Ao longo da carreira, Belchior teve mais de 20 discos lançados. Também gravou composições outros artistas, como "Romaria", de Renato Teixeira. No disco "Vício elegante", de 1996, canta apenas músicas de colegas, entre elas "Almanaque", de Chico Buarque, "Esquadros", de Adriana Calcanhoto, e "O nome da cidade", de Caetano Veloso.

domingo, 23 de abril de 2017

TV PELO ESPECTADOR: Morre o cantor Jerry Adriani

TV PELO ESPECTADOR: Morre o cantor Jerry Adriani: O cantor Jerry Adriani, de 70 anos, morreu neste domingo, no Hospital Vitória, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste da cidade, onde estava inte...

Morre o cantor Jerry Adriani

O cantor Jerry Adriani, de 70 anos, morreu neste domingo, no Hospital Vitória, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste da cidade, onde estava internado desde o fim de março. Ele estava em tratamento de um câncer.

Jerry Adriani deu entrada na unidade para com um quadro de trombose profunda. Após uma série de exames foi diagnosticado o câncer, patologia divulgada pela família, mas sem maiores detalhes do tipo e gravidade. A morte gerou uma séria de mensagens nas redes sociais de solidariedade postadas por amigos, familiares e fãs, se tornando um dos assuntos mais comentados no Brasil através do Twitter. Uma das amigas que escreveu sobre a morte de Jerry Adriani foi a cantora Luciene Franco. O velório e enterro do cantor está previsto para esta segunda-feira, no Cemitério do Caju, no período da tarde. "Senhor, dai-nos força e alento. Dai a todos que o amamos, conforto neste momento. Paz para sua alma Luz para a sua passagem . Nosso amor segue com ele. Deus esteja ao teu lado, Jerry Adriani Descanse em paz, na Sua Glória", escreveu a cantora, sucesso na década de 60. Jerry Adriani nasceu Jair Alves de Souza em 29 de janeiro de 1947, no bairro do Brás, em São Paulo, nome pelo qual ficou artisticamente conhecido. Ele iniciou sua carreira profissional em 1964, com o LP Italianíssimo, mesmo ano em que gravou Credi a Me. Um ano depois, ele estourou com Um Grande Amor, seu primeiro disco em português. Também em 1965 fez sua estreia na TV com o programa "Excelsior a Go Go", na Excelsior de São Paulo, em parceria com o comunicador Luiz Aguiar. O programa contava com grandes cantores da época, como Os Vips, Os Incríveis, Prini Lores e Cidinha Santos. Jerry também comandou entre 1967 e 68, na TV Tupi, A Grande Parada, junto com Neyde Aparecida, Zélia Hoffmann, Betty Faria e Marilia Pera. O programa era um musical ao vivo que apresentava os grandes nomes da MPB. A partir daí, se consagrou definitivamente como um dos cantores de maior popularidade em todo o país. O cantor e então galã também atuou no cinema, nos filmes "Essa Gatinha É Minha", ao lado de Peri Ribeiro e Anik Malvil e direção de Jece Valadão. Ganhou filmes próprios em filmes como Jerry, a Grande Parada e Jerry em Busca do Tesouro. Em 2008 gravou um de seus últimos trabalhos, o CD e DVD Acústico ao Vivo. Entre seus grandes sucessos estão as músicas Doce, Doce Amor, Querida, Tudo que É Bom Dura Pouco e Amor Querido. Jerry Adriani foi o responsável pela vinda de Raul Seixas para o Rio de Janeiro, após conhecê-lo em Salvador e se tornarem grandes amigos. Foi ele quem deu a primeira chance para "Raulzito e os Panteras", quando o cantor ainda era um desconhecido do grande público, sendo a banda de apoio de Adriani durante três anos. ”Tudo que é bom dura pouco”, “Tarde demais”, “Doce doce amor” foram algumas das músicas do Maluco Beleza gravadas pelo artista. Raul também foi produtor de Jerry Adriani entre 1969 e 1971, até iniciar sua carreira solo.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Internado em estado grave, Jerry Adriani é diagnosticado com câncer

O cantor Jerry Adriani, de 70 anos, iniciou tratamento contra um câncer no Hospital Vitória, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. Ele foi internado há quase uma semana na unidade e passou por uma bateria de exames. A família dele enviou uma nota pedindo “força” para o cantor. (Veja a nota na íntegra no fim da reportagem) No comunicado, os familiares informaram que a doença foi descoberta após uma série de exames. Jerry Adriani deu entrada no hospital com um quadro de trombose venosa profunda. Em sua conta em uma rede social, o músico publicou um vídeo e afirmou que está bem. Um boletim médico, divulgado nesta terça-feira (7), informou que o quadro de saúde do artista é estável. O cantor tinha shows marcados em Salvador, mas foi substituído por Wanderlei Cardoso. De acordo com a assessoria do artista, ele está bem mas foi orientado a não fazer esforço.

Leia a nota na íntegra
“Jerry Adriani, 70 anos, e família vêm informar aos fãs, familiares amigos e imprensa, que encontra-se em tratamento contra a doença câncer descoberta após uma série de exames, ao longo das últimas semanas após ter dado entrada no hospital em março com um quadro de trombose venosa profunda. Jerry está começando tratamento para controle desta patologia. Pedimos a todos que independentemente de seus credos solicitem força e pronto restabelecimento ao querido amigo e cantor”.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

ITAÚ/UNIBANCO-Gerente gay é demitido de banco após postar vídeo com noivo no Facebook

Um gerente de uma agência do Itaú Unibanco da cidade de São Paulo foi demitido poucos dias após postar no Facebook um vídeo no qual é pedido em casamento pelo noivo. A denúncia de homofobia foi levada ao Sindicato dos Bancários do Estado de São Paulo, que entrou com denúncia contra o banco. O funcionário batia todas as metas e ganhou, em um ano e meio de trabalho, dez prêmios por desempenho. Ele afirma que sua gestora justificou o desligamento por motivo de ‘postura’. “A demissão foi chocante. Ganhei prêmios em praticamente todos os meses em que trabalhei após o período de treinamento. Foi muito decepcionante porque eu gostava da empresa e batia todas as minhas metas”, declarou ao E+ o ex-funcionário, que pediu para não ter a identidade revelada por receio de ter dificuldades em conseguir um novo emprego na área. O ex-gerente é formado em administração, tem pós-graduação em gestão e trabalhava no Núcleo de Relacionamentos de Gerentes do Itaú Unibanco. Ele afirma que há meses recebia intimações de sua gestora para “melhorar a postura” – entre as orientações, usar ternos, calças e camisas “menos justos”. 

‘Puxão de orelha’ 
O funcionário alega que levou pelo menos dois “puxões de orelha” por conta de sua postura no recebimento de dois grandes prêmios por bom desempenho. No primeiro, ele teria sido recomendado, de forma sutil, a controlar os trejeitos. “Dentre mais de 300 gerentes, ganhei dois troféus no mesmo dia. Quando anunciaram meu nome, eu subi ao pódio do meu jeito extrovertido, como sou. Depois, o superintendente falou para minha gestora que eu deveria me soltar menos, ter menos entusiasmo e mais postura para pegar o prêmio”, afirmou. A orientação seria refeita outra vez, em outro prêmio de destaque recebido meses depois. O bancário explica que, à época, não levou o caso para o sindicato por medo de perder o emprego. Contudo, diz que passou a conviver com comentários da chefia acerca de suas roupas. “O preconceito, hoje, é mais silencioso, não é escrachado. De forma bem discreta, eles diziam: ‘seja mais homem. A ‘postura’ que eles falavam era sobre eu ser gay. Minha gestora falava muito sobre a ‘imagem do banco'”, afirmou.

Demissão 
O desligamento ocorreu no dia 10 de março, pouco dias após o funcionário retornar de uma viagem de férias em Florianópolis. No litoral, ele foi pedido em casamento pelo namorado – e o vídeo do pedido foi compartilhado com os amigos no Facebook. Ao voltar à agência, a surpresa: uma semana depois o bancário foi demitido. “Qual é a coerência disso? O banco espera resultados, e eu alcançava meus objetivos, então a que se deve minha demissão?”, questiona. O ex-gerente hoje move uma ação trabalhista contra o Itaú Unibanco por danos morais e discriminação. “É muito desagradável. Estudei, fiz faculdade e me esforcei no emprego. Eu não queria estar em casa de manhã dando entrevista, queria estar trabalhando para sustentar minha família”, observa. Em nota, o Sindicato dos Bancários do Estado de São Paulo afirma que tem um histórico de combater qualquer tipo de discriminação e que esse é um tema que infelizmente gera casos, mas que “eles são devidamente tratados para que não se repitam”. A nota segue: “Esperamos que essa denúncia seja um exemplo do que não deve ser feito porque a sociedade não vai mais admitir um comportamento preconceituoso”.
Itaú 
Após ser contatado pelo E+, o Itaú Unibanco enviou uma nota na qual declara que a demissão do gerente não foi por discriminação e que repudia situações de homofobia, dentro ou fora da instituição. O banco afirma que não foi procurado pelo jornal do Sindicato, onde a denúncia foi divulgada, mas que enviou “comunicado esclarecendo os reais motivos do desligamento, que nada têm a ver com a situação citada”. A nota diz que a instituição entende a pluralidade como algo fundamental, visto que os clientes são diversos, portanto os colaboradores também precisam ser. “Possuímos o Ombudsman, um canal voltado aos colaboradores que tem como função escutar, registrar e avaliar questões relacionadas ao ambiente de trabalho, com total sigilo entre os envolvidos”, diz o texto. O E+ procurou novamente o banco para saber qual seria o real motivo da demissão, mas a assessoria de imprensa respondeu que não poderia esclarecer a questão “por motivos de confidencialidade”.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

TV PELO ESPECTADOR: Jurassic World 2-Produtor diz que T-Rex estará de ...

TV PELO ESPECTADOR: Jurassic World 2-Produtor diz que T-Rex estará de ...: O coroteirista e produtor de Jurassic World 2, Colin Trevorrow, declarou que a famosa Tiranossauro Rex que aparece em Jurassic Park e no p...

Jurassic World 2-Produtor diz que T-Rex estará de volta

O coroteirista e produtor de Jurassic World 2, Colin Trevorrow, declarou que a famosa Tiranossauro Rex que aparece em Jurassic Park e no primeiro Jurassic World estará de volta. Com direção de J.A. Bayona, Jurassic World 2 tem lançamento programado para 22 de junho de 2018. Chris Pratt, Bryce Dallas Howard, Toby Jones, Justice Smith, Rafe Spall, Daniella Pineda e Ted Levine formam o elenco principal.

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terça-feira, 4 de abril de 2017

TV PELO ESPECTADOR: O sumiço misterioso de um rapaz no Acre é a histór...

TV PELO ESPECTADOR: O sumiço misterioso de um rapaz no Acre é a histór...: Se você é uma daquelas pessoas fãs de histórias misteriosas e cheias de ocultismo, talvez fique obcecado pelo caso do sumiço de um rapaz d...

O sumiço misterioso de um rapaz no Acre é a história mais intrigante do dia

Se você é uma daquelas pessoas fãs de histórias misteriosas e cheias de ocultismo, talvez fique obcecado pelo caso do sumiço de um rapaz de 22 anos em Rio Branco, no Acre. O que parecia ser apenas um caso de polícia, tem se tornado algo imensamente intrigante. Bruno Borges sumiu depois de um almoço em família, na semana passada. Preocupados, os parentes foram atrás da polícia local, que investiga o caso. A gente se solidariza com a dor da família e torce pra que tudo seja resolvido o quanto antes. O que torna essa ocorrência algo maior do que um triste desaparecimento é o fato de Bruno, antes de partir, ter deixado seu quarto assim:

Segundo seus pais declararam ao G1, Bruno é um jovem com inteligência acima da média,que leu mais de 500 livros e tem um gosto bastante peculiar por Giordano Bruno, filósofo e teólogo queimado na fogueira em 1600 ao se recusar a abrir mão de suas teorias. Entre outras coisas, Giordano defendia a infinitude do universo e sua característica de transformação constante. Para ele, Deus também é infinito – imanente e transcendente – e sem contradições, uma vez que os opostos terminam por coincidir nesse infinito Mas não é qualquer preferência filosófica, não. Bruno é tão fanático por Giordano que colocou uma estátua do filósofo em seu quarto, com um valor ainda discutido entre R$ 7 mil e R$ 20 mil.

No cômodo, aliás, não foram encontrados móveis, apenas a imagem, alguns quadros com extraterrestres e 14 livros escritos e criptografados por ele. Nas paredes, cópias de algumas páginas dos livros foram reproduzidas de forma absolutamente assimétrica e cuidadosa. Além disso, foram encontrados dezenas de símbolos que vão desde a árvore da vida, Reiki, ocultismo, símbolos de proteção e alquimia.

A irmã mais velha, Gabriela Borges, comentou o caso ao G1. Ela esteve presente com Bruno em sua casa enquanto seus pais viajavam. Eles ficaram 20 dias fora e teria sido neste período que o estudante encontrou tempo para desenvolver o cenário encontrado pelos policiais. “Ele falava que era o projeto dele, eu questionava ele porque eu, como irmã, não poderia saber o que era o projeto e ele me disse que iria me contar o que era em duas semanas. As pessoas falam porque que você não foi lá e abriu aquela porta? As pessoas têm que entender que não se tratava de uma criança, ele é um adulto e tem a privacidade dele, me incomodava, mas eu não podia arrombar a porta”, disse ela. Ela contou que Bruno chegou a deixar uma chave que relaciona letras aos símbolos e, com base nisso, os irmãos conseguiram traduzir algumas coisas. “O título de um dos livros é A teoria da absorção do conhecimento“, contou.


Segundo sua mãe, desde 2013 Bruno tem desenvolvido esse “projeto”, tendo até pedido auxílio financeiro da mãe, que negou após ele recusar dar detalhes sobre no que estava trabalhando. “Ele dizia que era secreto e não dei o dinheiro. Então, ele começou a procurar pessoas que acreditassem nele sem contar o que era o projeto. Ele só me falava que estava escrevendo 14 livros que iriam mudar a humanidade de uma forma boa. Ele me pediu um ano sem trabalhar para terminar e eu, orientada por um médico, deixei”, afirmou. O dinheiro para a compra da estátua foi doado por um primo, que é médico. Nas redes sociais, as pessoas notaram que a semelhança entre Bruno Borges e Giordano Bruno vai além do nome.

Ainda na web, as teorias são muitas e vão desde a acreditar que ele foi abduzido, até duvidar da veracidade do caso. Tem espaço pra tudo, inclusive para investigação independente. Mas é bom sempre respeitar a dor dos familiares.

quarta-feira, 8 de março de 2017

EX-THE VOICE BRASIL, SAM ALVES ASSUME HOMOSSEXUALIDADE

O cantor Sam Alves, vencedor da segunda edição do The Voice Brasil, falou publicamente pela primeira vez sobre ser homossexual. A declaração aconteceu no Twitter, na madrugada de terça-feira (7), quando ele foi questionado por um seguidor sobre sua orientação sexual. "Oi, Sam! Você é hétero?! Beijos! Aqui em Paris amamos seu trabalho", disse o fã. Sem pestanejar, ele respondeu "Não, e hoje posso responder isso. Beijos Rafs e beijos Paris".

sábado, 4 de março de 2017

"Melhor que a animação." Críticos elogiam novo "A Bela e a Fera"

O remake de "A Bela e a Fera" com atores de carne e osso, que estreia no dia 16 de março no Brasil, já foi visto pela imprensa americana. E os críticos, em sua maioria, não pouparam elogios à história, que vem sendo descrita como "mágica" e com atuações convincentes, principalmente a da protagonista Emma Watson.

Até a publicação deste texto, o longa dirigido por Bill Condon e coestrelado por Dan Stevens recebia a aprovação de 78% no site Rotten Tomatoes, que compila a opinião dos principais veículos de comunicação, com 31 resenhas positivas e oito negativas. "O novo 'A Bela e a Fera' melhora a animação clássica. Abraçando sua natureza de musical e adicionando profundidade em uma narrativa familiar, esse live-action é uma verdadeira beleza", escreveu Brian Truitt do "USA Today". "Pronto para proclamá-lo o musical à moda antiga do ano? Fique à vontade", definiu o crítico Stephen Whitty, do "New York Daily News". “Emma Watson é uma real protagonista aqui, e fisicamente não poderia ter sido uma escolha melhor para o papel", entende Emily Yoshida, da revista "Vulture". Já o "TheWrap", com Dan Callahan, lembra dos atores que deram apenas vozes à história, como Ewan McGregor, que interpreta o candelabro de sotaque francês Lumière. "Ele é a melhor coisa do filme, que é visualmente impressionante e espetacular, e até sugere que McGregor teria sido um Gaston mais apto.

"O "The Hollywood Reporter" elogia principalmente a beleza e grandiosidade do filme, embora teça suas ressalvas, como o aparente uso de auto-tune (software que afina a voz) em partes cantadas. "É belo de fato, mas nem tanto em termos de figurino dos personagens", completa Leslie Felperin.Já Owen Gleiberman, da revista "Variety", vai mais a fundo nas críticas. "Uma animação, no seu melhor, já é uma gloriosa imitação da vida. Não está claro por que o público precisa de uma imitação de uma imitação."

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